Candidatos ao governo devem desembolsar R$ 133 mi

Os seis candidatos que vão disputar o governo da Bahia este ano elevaram em quase 43% a estimativa de gastos na campanha em relação à última eleição. Dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-BA) mostram que as previsões saltaram de R$ 93,5 milhões em 2010 para R$ 133,65 milhões em 2014.

Este crescimento é duas vezes a inflação no período. O IPCA (Índice de Preço ao Consumidor Amplo) de  2011 a junho deste ano acumulou alta de 21,98%.

“As campanhas ganharam uma proporção absurda, é coisa de milhões, que não é admissível até em países com economia estável”, diz o procurador regional eleitoral na Bahia, José Alfredo de Paula Silva.

O procurador avisa que estará de olho na prestação de contas dos candidatos e, também, nos financiadores das campanhas. “A legislação estabelece limites para as doações eleitorais”, alerta ele.
Pessoas físicas podem doar até 10% das renda bruta auferida no ano anterior à eleição. Pessoas jurídicas até 2%  do faturamento bruto.

Custo elevado

A campanha mais cara na Bahia este ano é a do candidato do governo, o petista Rui Costa, que prevê gastos de R$ 65 milhões. Este valor é quase 97% maior que os R$ 33 milhões previstos pelo governador Jaques Wagner (PT) na sua campanha de reeleição.

Único dos seis postulantes ao Palácio de Ondina que disputaram 2006 e também estará na eleição deste ano, o ex-governador Paulo Souto (DEM) prevê um teto de R$ 38 milhões – 52% a mais que na eleição passada, quando estimou gastos de R$ 25 milhões.

A senadora Lídice da Mata (PSB) calcula gastar R$ 20 milhões; Marcos Mendes (PSOL), R$ 500 mil; Renata Mallet (PSTU), R$ 150 mil; e o candidato do PRTB, Rogério Tadeu da Luz, declarou à Justiça Eleitoral baiana um teto de campanha de R$ 10 milhões.

Vale registrar que nem sempre a previsão de gastos dos candidatos se concretiza. Na eleição de 2006, apenas o governador Jaques Wagner arrecadou próximo do estimado inicialmente, pouco mais de R$ 26,2 milhões.

O ex-ministro Geddel Vieira Lima, que agora concorre ao Senado na chapa de Souto, previa gastar em 2006 de R$ 30 milhões, mas só conseguiu efetivar cerca de R$ 4,5 milhões. Poulo Souto arrecadou menos da metade do previsto, pouco mais de R$ 9,5 milhões.

Às claras

Com mais de 40 eleições no currículo, incluindo as dos governos carlista na Bahia e as  campanhas presidenciais do tucano Fernando Henrique Cardoso no Brasil (1998) e de José Eduardo dos Santos em Angola (2008), o publicitário Fernando Barros arrisca um palpite para as “eleições inflacionadas” deste ano.

“A cada dia se trabalha menos com valores em off (não revelados), é tudo por dentro (às claras). Trabalhar com caixa dois está impossível”, diz  o publicitário, que não participará diretamente de nenhuma campanha este ano.

Barros lembra que em época de transparência e fiscalização acirrada da Justiça Eleitoral, do Ministério Público e da imprensa, os candidatos não querem arriscar.

“Os coordenadores das campanhas preferem subir o teto dos gastos. Se arrecadarem o que previam, tudo bem. Se não, ajustam os gastos de campanha”, diz ele, calculando que, por esta lógica, os custos das campanha em 2014 tenham sido inflacionados em algo em torno de 20%.

Outro fator que certamente contribui para puxar para o alto os custos das campanhas é o grande número de candidatos na disputa, o que faz com que o voto, no “mercado eleitoral”, fique mais caro.
Uma ideia dessa valorização na cotação do voto foi dada pelo candidato Rui Costa. Em recente almoço com jornalistas, ele revelou que lideranças do interior, para ajudar a eleger deputado federal, estão pedindo R$ 50 mil em material de campanha para conseguir 500 votos.

Na Bahia, os candidatos à Câmara dos Deputados estimam gastar de R$ 2 milhões a R$ 4 milhões para se eleger. Os estaduais de R$ 1 milhão a R$ 2 milhões.

Fonte – A TARDE

comfiaço