Fiscais da Transalvador passam a multar através de smartphones

Ao sair para trabalhar, o supervisor de tráfego da Transalvador Divair Elói está sempre munido de papel e caneta, para autuar os condutores que andam fora da linha. Qualquer tecnologia que não seja um rádio portátil passa longe. “Infelizmente, é bem arcaico, especialmente se você comparar com a realidade de hoje”, comenta o agente de trânsito.

Mas, agora, parece que o futuro vai chegar: a partir de setembro, todo o sistema de multas vai ser informatizado. Até lá, a Transalvador já deve contar com os primeiros 200 smartphones com sistema de talonário eletrônico. Ao total, serão 600 smartphones ainda este ano. Ou seja, os agentes vão abandonar o modelo jurássico e todo o processo será digital – menos o papelzinho que chega em sua casa.

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“Hoje, usamos um equipamento manuscrito, mas vamos mudar para uma forma eletrônica que oferece mais segurança, agilidade e transparência ao processo”, explica o superintendente da Transalvador, Fabrizzio Muller. Segundo ele, “os agentes vão ter acesso ao banco de dados na hora, para saber se aquele carro que estão autuando realmente é aquele carro”.

Hoje em dia

Atualmente, funciona assim: um agente vê um condutor cometendo a infração e, prontamente, vai lá e anota os dados do veículo. De acordo com o superintendente, só nisso aí já é mais fácil ter um problema – se o profissional anotar um número com grafia dúbia, por exemplo. De qualquer forma, a notificação é encaminhada ao setor de processamento de multas. Lá, alguém ainda vai ter que digitar tudo e enviar ao banco de dados do órgão.

Daí, a multa finalmente vai para a gráfica e, de lá, para a casa do infrator. Esse processo leva entre 20 e 25 dias. “Pelo sistema eletrônico, a multa entra automaticamente no sistema e é encaminhada para a gráfica. Vamos conseguir agilizar esse processo em até metade do tempo”, aponta.

Ainda de acordo com Muller, Salvador é uma das últimas capitais brasileiras a implantar o sistema. De fato, o talão eletrônico já é uma realidade em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro – e também em municípios do interior do estado, a exemplo de Ilhéus e Alagoinhas.

Concorrência 

Desde o último dia 30 de junho, a Transalvador tem recebido propostas das três empresas que se candidataram à licitação. Enquanto uma das concorrentes é de Salvador, as outras duas são de outros estados: uma de Minas Gerais e outra do Rio de Janeiro, segundo Fabrizzio Muller, que preferiu não revelar o nome das empresas.

Quem vencer deverá oferecer o serviço por cinco anos e vai receber cerca de R$ 30 milhões ao longo do período. “Elas (as empresas) têm que incluir toda a parte do software, que é o programa, e do hardware, que são os equipamentos”, destaca.

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Todos os agentes que trabalham na rua – seja de trânsito ou na fiscalização de transportes públicos ou táxi – devem ter um smartphone. “Temos cerca de 800 agentes. Pela quantidade, não contemplaria todo mundo, mas ainda estamos definindo como vai ser. Eles podem pegar o equipamento e devolver quando acabar o turno, o que daria uma rotatividade”, cogita.

Além de deixar o processo mais rápido e prático, a nova tecnologia deve nortear as intervenções da Transalvador no trânsito, de acordo com Muller. “A partir do momento em que temos informações em tempo real, podemos otimizar a fiscalização”, explica. Ainda conforme o superintendente, com o novo recurso vai  dar “para ver  quais são as infrações que estão sendo mais cometidas em um determinado lugar, naquele momento, e orientar a fiscalização nesse sentido”.

Expectativa

Enquanto isso, o supervisor de tráfego Divair Elói mal pode esperar para largar o bloquinho e deixar a caneta em casa. “Estamos  aguardando, né? Todo mundo usa smartphone e, hoje, tudo é pelo celular. Vamos visualizar situações que não veríamos sem a tecnologia”, comenta.

O que mais o anima é a possibilidade de reduzir os erros, além da rapidez no processo. “A gente vai poder ver se uma placa é clonada, o modelo (do carro), o município… Até para as abordagens, pode ajudar a checar se está tudo certo com a licença do motorista”, diz.

E não é  só ele. Segundo o presidente da Associação dos |Servidores em Trânsito e Transporte do Município (Astram), Adenilton Júnior, os agentes estão ansiosos para a chegada dos equipamentos. “Vai trazer mais dinâmica para as nossas atividades, porque esse tipo de sistema facilita a identificação e no preenchimento da localização da infração”, declara.

Fonte: Correio

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