Rui Costa nega transferência da fábrica da JAC para o RJ

O candidato do PT à sucessão estadual, Rui Costa, negou que o grupo chinês Jac Motors esteja avaliando transferir a fábrica que é construída em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador (RMS) para o Rio de Janeiro, conforme foi anunciado pelo jornal Estadão nesta quinta-feira, 31.

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“Não é uma posição nossa. A montadora tem compromisso com a Bahia e débito fiscal com a Bahia. Qualquer outra decisão, em primeiro lugar teria que quitar a dívida com o Estado e a União. Isso por si só já inviabilizaria qualquer pensamento de troca”, disse o petista, explicando que a JAC Motors se beneficiou de isenção fiscal de tributos estaduais e federais desde que iniciou as obras da fábrica em Camaçari há um ano e oito meses. Caso desistisse da implantação na Bahia, teria que restituir o valor que não foi pago em impostos.

A explicação foi dada durante Encontro de Setores Produtivos e Candidatos ao Governo do Estado, organizado por Fieb, Faeb e Fecomércio, que também tem a participação dos candidatos ao governo estadual, Lídice da Mata (PSB) e Paulo Souto (DEM).

Isenção fiscal

Benefício fornecido a JAC Motors e outras empresas que se instalaram na Bahia no passado, a isenção fiscal é condenada por Rui Costa e Paulo Souto. Os dois concordam que esse modelo é antiquado, já que a maioria dos estados usam a mesma estratégia, deixando de ser um diferencial. Para eles, a Bahia tem que usar outros recursos para atrair investimentos.

O petista defendeu uma política de investimento em infra-estrutura e logística para tornar a Bahia competitiva. “Há um esgotamento da política de benefícios fiscais. Não podemos reviver o passado, porque ele não vira mais. Temos que consolidar a Bahia como competitiva pelo crescente mercado no Nordeste, como pela sua infra-estrutura, que deve ser capaz de oferecer um custo menor para a produção de investimentos industriais e agro-industriais”.

Já o democrata argumentou que o crescimento da competitividade da Bahia não depende apenas de aspectos econômicos. “Precisamos de mais investimentos, mas para isso precisamos ter um ambiente saudável. As pessoas precisam ter mais confiança no governo e nos seus projetos. Isso que pretendemos implantar”, disse, completando que a isenção fiscal por si só não garante a captação de recursos para a Bahia.

Paulo Souto acusa o governo de Jaques Wagner (PT) de perder investimentos para o estado. De acordo com ele, o último ranking publicado por organismos internacionais mostrou que a Bahia caiu de nono para 13ª posição em relação ao índice de competitividade da Bahia. Ele alegou que essa queda é reflexo do ambiente econômico e político do estado.

O democrata também defendeu a interiorização da indústria na Bahia, como ele disse ter feito durante seus governos em 1994 e 2002. A senadora Lídice da Mata (PSB) também é a favor da interiorização da indústria, além do aumento dos investimentos nos polos de desenvolvimento regional, “que estão em situação precária”, segundo Lídice.

A socialista citou ainda a participação do PSB no governo do estado, cuidando da Secretaria de Turismo. De acordo com Lídice, o setor será prioritário num eventual governo da sigla na Bahia.

Outra bandeira da senadora é o fim da antecipação do ICMS para micro e pequenos empresas como forma de dinamizar a economia baiana.