Rui Costa revela quais serão suas primeiras ações

Com a lógica de melhorar o que já está em desenvolvimento, o recém-eleito governador da Bahia, Rui Costa (PT), em coletiva no Comitê Central na tarde de ontem, garantiu que focará em ações de melhoria da saúde e da educação do estado e confirmou que priorizará melhorias ao servidor público, principalmente a classe de professores.

“Asseguro que nos primeiros dias vamos tomar decisões, primeiro, de imediato, para iniciar a construção de hospitais e iniciar um processo de mobilização na área da educação. Eu quero em quatro anos fazer uma grande revolução na melhoria na qualidade da nossa educação”, disse.

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“Eu vou fazer um investimento maior do que o mínimo exigido pela lei. Esta é uma área [saúde] que, já em 2015, vocês verão o início da construção de novos hospitais no estado”, repetiu.

O economista, no evento, esteve acompanhado do vice, João Leão (PP); o senador Otto Alencar (PSD), de deputados, além de integrantes da coordenação da campanha. Ele aproveitou para enfatizar suas ações na área de regionalização da economia.

“Vou consolidar os polos regionais a partir de uma infraestrutura logística: Feira de Santana, Vitória da Conquista, Juazeiro e etc. A partir desses polos, quero gerar um efeito dinamizador da economia dessas regiões, gerar emprego e criar um processo de inclusão social”, afirmou.

Sobre a segurança, tido como “Calcanhar de Aquiles” do seu padrinho político, questionado dos futuros investimentos na área, o petista definiu a questão como uma nova prioridade. Fortalecer a corregedoria e a Polícia Civil foi um dos tópicos destacados, ao elencar a necessidade de separar os bons e maus policiais.  “O trabalho será separar o joio do trigo, punir os maus policiais e dar condições de trabalhos para aqueles que trabalham com responsabilidade de bravura. Considero segurança uma moeda: lado repressivo e o lado social”, afirmou.

Diferente do domingo, que preferiu não se manifestar sobre as pesquisas eleitorais que mais uma vez erram o resultado das urnas, o eleito lembrou que o resultado não foi surpresa, pois sempre contou com sua eleição. Lembrou da passagem por cidades do interior e quantidade de público presente na comparação com os adversários.

“Não foi inesperado. Eu nunca acreditei nos números divulgados. Não por questão de fé, mas pelo que a gente viu e sentiu das pessoas durante a campanha. Eu estou tranquilo e tenho a segurança de que o que aconteceu nas urnas já vinha acontecendo há mais de 30 dias. Espero que os institutos corrijam seus métodos para que não informem errado à população”, explicou.

Rui voltou a tratar da sua relação com o prefeito ACM Neto (DEM). O democrata foi o principal avalista do seu adversário, Paulo Souto (DEM), e protagonizou momentos de provocações com os correligionários petistas e o próprio governador Wagner.

“Eu pretendo trabalhar muito e espero que ele também. Que deixemos a disputa partidária de lado. Eu achava que ele devia separar o conceito de gestor com o de líder do DEM, mas ele misturou. Acho que as pessoas devem ter maturidade para separar isso”, discorreu.

O político também afirmou que a capital baiana continuará em ritmo acelerado, com investimentos de infraestrutura, habitação e desenvolvimento social. Até 2017, garantiu,  o metrô terá 41 quilômetros, chegando até a cidade de Lauro de Freitas e ao bairro de Cajazeiras.

A cidade, conforme suas proposições, será interligada através de corredores transversais do Subúrbio até a Orla Marítima e o sistema de trens do Subúrbio será substituído pelo moderno Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT), que vai chegar até a estação da Lapa e à região Metropolitana, através da integração dos sistemas modais de transporte ônibus-metrô-VLT. “Vamos entrar em campo pedindo o voto pra Dilma no segundo turno para que ela possa nos ajudar a construir uma Bahia moderna e com oportunidades para os baianos”, finalizou.

O até então desconhecido Rui Costa entrou para a história política da Bahia, assim como seu padrinho, governador Jaques Wagner, dono de uma virada que será lembrada nos próximos anos no estado.  Casado, pai de três filhos, o novo cacique, mandatário do Palácio de Ondina, será o dono da caneta a partir de 2015. O início da carreira que o levaria ao alto posto do Executivo baiano veio após assumir a diretoria do Sindicato dos Químicos e Petroleiros da Bahia, entre 1984 e 2000, e da Confederação Nacional dos Químicos, entre 1992 e 1998.

Nascido no bairro da Liberdade, Rui é filho do metalúrgico Clovis dos Santos e da dona de casa Maria Luiza Costa dos Santos, já falecida.  O novo governador, quando mais novo, cursou o ginásio na escola Luiz Tarquínio, no bairro da Boa Viagem, na cidade baixa. Após concluir o curso de instrumentação da Escola Técnica Federal (atual IFBA), Rui ingressou no curso de Ciências Sociais da Universidade Federal da Bahia (UFBA), onde teve o primeiro contato com as teorias políticas e econômicas que embasariam a sua luta social.

É um militante histórico do PT, desde 1982. Sua carreira com mandato eletivo iniciou na Câmara de Salvador, quando foi eleito vereador por duas vezes: em 2000 e 2004. Mais tarde, no ano de 2006, tentou alçar voos à Câmara Federal, porém não foi eleito, mas os frutos o petista colheria no futuro. Com a vitória do governador Jaques Wagner (PT) ao governo, em 2007 Rui se tornou secretário de Relações Institucionais e foi o responsável pela interlocução do executivo em diversos setores. Doravante, ganhou a confiança do seu chefe.

A gestão de Rui Costa à frente da Serin foi responsável pela criação de iniciativas voltadas para a juventude, como o Programa Trilha, que capacita jovens trabalhadores para o mercado. Ele também criou o Conselho Estadual da Juventude e o Plano Estadual da Juventude.

Quatro anos mais tarde, em 2010, foi eleito deputado federal, um dos mais votados da sua coligação. Exerceu o mandato por pouco mais de um ano e em 2012 retornou ao quadro de secretariado de Wagner, desta vez para ser eu braço direito com a Casa Civil e chefiou projetos importantes da gestão petista.

O próprio Rui se define como um “cobrador de resultados”. “Quem trabalhar comigo sabe que gosto de focar em metas e cobrar resultados. Acho que só assim podemos dar prosseguimento de forma organizada”, afirmou o político que ganhou as graças da presidente

Partiu do desafio do desconhecimento que  Wagner o indicou como candidato ao governo do Estado para sua sucessão. Enfrentou forte resistência interna, principalmente com os nomes de José Sérgio Gabrielli e do senador Walter Pinheiro.

No fim das contas, foi o escolhido e ao lado de João Leão (PP) e Otto Alencar (PSD), postulante ao Senado, formaram o trio que percorreu os quatro cantos da Bahia com o objetivo de reverter os índices de intenção de votos.

As pesquisas, que no início o colocou na terceira colocação com pouco mais de 8%, agora, foram desafiadas, mais uma vez, pelas urnas, que lhe deram a vitória em primeiro turno com 54,53% contra 37,39% do seu adversário Paulo Souto (DEM).

Agora, Rui terá pela frente a administração do maior estado do nordeste brasileiro e quarto estado em população do Brasil, cuja possibilidade de orçamento para gestão em 2015 é de R$ 40 bilhões, volume 8,3% superior ao deste ano. Serão 417 municípios e mais de 15 milhões de habitantes para dar conta.

Passado os momentos de comemorações da vitória na corrida pelo governo do Estado, petistas e aliados agora focam na campanha que visa reeleger a presidente Dilma Rousseff (PT). O fato foi confirmado por Rui Costa na coletiva de ontem. Quando questionado pelos jornalistas sobre a construção do seu secretariado, o deputado federal lembrou das atividades que serão desenvolvidas neste mês.

“Ainda não tive cabeça para pensar nisso. Nós precisamos nos esforçar na reeleição da presidente Dilma neste mês de outubro. Ela obteve 61% dos votos dos eleitores baianos e acredito que podemos aumentar essa margem”, informou.

Ele ressaltou a importância de um alinhamento com o governo federal como forma de facilitar o desenvolvimento de projetos estruturantes para o estado. “Aí, o que interessa nessa questão, do ponto de vista do investimento público é quanto o seu estado arrecada para os cofres. A Bahia é a 22ª ou 23ª em arrecadação per capita do país. E, por isso, eu defendo que essa parceria é fundamental para continuar em um ritmo de crescimento e oferta de melhor qualidade de vida para a população”, avaliou.

Segundo Rui, Dilma entrou em contato com ele na noite de ontem para parabenizar a eleição. O petista também afirmou que acompanhará Wagner nas articulações do segundo turno e estará em Brasília ainda esta semana. A presidente deve vir à Salvador na próxima quinta ou sexta-feira.

Fonte: Tribuna da Bahia