Aumenta a procura por kits contra o ebola na Bahia

Na Bahia, apesar do baixo risco de circulação do vírus, hospitais e autoridades já se preparam para lidar com pacientes suspeitos de estarem contagiados com o ebola.  E uma das primeiras medidas é a compra de kits de segurança pessoal para médicos e enfermeiros que atendem aos doentes e que, por isso, estão mais expostos ao ebola.

O kit, que custa, em média, R$ 66,86 e  vem com capuz, máscara, macacão, luvas e botas, tem sido procurado em fornecedores especializados. O preço “baixo” engana, já que cada item é descartável e só pode ser usado uma única vez, o que geraria um grande investimento do governo para suprir as demandas das equipes de unidades de saúde do estado.

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Roupas usadas por médicos no Rio de Janeiro são descartadas após contato com paciente com suspeita (Foto: AFP)
Roupas usadas por médicos no Rio de Janeiro são descartadas após
contato com paciente com suspeita (Foto: AFP)

De acordo com o coordenador estadual de emergência em saúde pública da Sesab, Juarez Dias, a licitação para compra dos kits está em andamento e deverá ser acompanhada por aquisições das secretarias municipais. Em Salvador, as equipes do Hospital Couto Maia e do Samu já receberam os primeiros equipamentos. No período da Copa do Mundo, o Ministério da Saúde entregou 20 kits aos hospitais para ameaças químicas ou radiológicas, que podem ser utilizados caso alguma suspeita apareça.

Juarez Dias lembra que prevenção e combate ao vírus não é responsabilidade apenas da esfera estadual. “Os municípios do interior devem comprar os kits e ter estrutura mínima para tratar um paciente com suspeita do vírus até que possa ser transferido para um centro de referência”, explicou Juarez.

Em Salvador, caso algum paciente apresente um quadro forte de sintomas, ele deve ser transferido ao Hospital Evandro Chagas, no Rio de Janeiro, antes mesmo do retorno dos resultados. O material colhido nos exames será avaliado no instituto que leva o mesmo nome do hospital carioca, no Pará.

Suspeita descartada
Mesmo não sendo transmitido pelo ar, podemos respirar aliviados: o primeiro caso de suspeita de ebola no Brasil foi descartado, ontem, pelo Ministério da Saúde após o segundo exame feito pelo africano internado no Rio de Janeiro ter sido negativo.

Souleymane Bah, 47 anos, veio de Guiné, um dos países mais afetados pela epidemia, e chegou no Brasil em 19 de setembro. No dia 9 de outubro, deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município de  Cascavel, no Paraná, relatando febre, tosse e dor de garganta. Desde que foi isolado na UPA, porém, o paciente não apresentou nenhum sintoma característico do ebola –como febre, hemorragia e vômitos.

Ontem, Bah saiu da área de isolamento do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), na Zona Norte do Rio de Janeiro, e transferido para um quarto comum, onde continuará internado, ainda sem previsão de alta.

Segundo Arthur Chioro, ministro da Saúde, a equipe do hospital ainda fará alguns exames em Bah para tentar identificar se ele está com alguma outra doença transmissível. Já foram feitos testes rápidos de dengue, HIV e Malária – todos foram descartados. Apesar de descartado o primeiro caso, Chioro garante que o alerta será mantido. “A vigilância permanece, apesar do baixo risco de que o ebola chegue ao país”, disse.

Atenção
Hoje, foram feitas reuniões com a Secretaria de Portos e os ministérios da Defesa e do Turismo para intensificar as medidas de atenção no país. Entre elas estão uma reunião com práticos dos portos, que têm contato direto com as tripulações de navios, e um alerta para ser distribuído em portos e aeroportos, em forma de panfleto ou cartilha, explicando riscos e sintomas.

A expectativa mais recente da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que a epidemia ainda leve pelo menos mais  seis meses  para ser controlada, o que justifica a manutenção do alerta.

Nos últimos dias, o avanço no número de casos e a falta de pessoal e de recursos financeiros fizeram com que a organização dobrasse o período de tempo esperado para controlar a expansão do ebola na África Ocidental.

Chioro garante que os riscos de contágio no Brasil são pequenos. “Nós não temos nenhum voo direto ou com escala de nenhum dos três países (Guiné, Serra Leoa e Libéria)”, argumenta.
racismo Chioro reagiu com indignação às informações, publicadas pelo jornal O Estado de S.Paulo, mostrando que imigrantes africanos e haitianos estão sofrendo discriminação pela suspeita de que um deles poderia ter o vírus ebola. “Não podemos concordar com qualquer postura discriminatória e tomaremos todas as medidas necessárias para inibir essa postura”, afirmou o ministro.

Chioro lembrou ainda que Bah está legalmente no país, tem visto de refugiado e direito a trabalhar. “Pedimos a todos que não manifestem qualquer tipo de reação racista”, disse.

Fonte: Correio 24 Horas