Aumento de preços faz consumidor trocar a carne pelo frango e ovos

Uma nova alta da inflação no mês passado culminou no aumento de preço das carnes no país, em 3,17%, e obrigou ao consumidor brasileiro a fazer uma revisão em seu orçamento para adequar as refeições ao encarecimento dos alimentos. Pressionado pelos novos preços, o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland, havia sugerido que a população substitua a carne bovina por outros produtos como o frango, e demais aves, além de ovos, cujos valores de mercado estão mais em conta.

Após uma visita aos mercados de grande e médio porte da capital – além de açougues e feiras populares – nossa equipe constatou que o frango está realmente mais em conta que as carnes vermelhas, em alguns casos tendo o quilo saindo por quase a metade do valor da carne que tem origem no gado bovino. Contudo, os ovos de galinha apresentam uma variação modesta de preço, mas, que se tornam significativas quando comparado o preço destes nas feiras e nos supermercados.

Para o aposentado José Gomes dos Passos, substituir a carne bovina é uma tarefa difícil, embora ele reconheça que o produto originário da ave seja mais saudável, e também mais barato atualmente. “O problema é que, ao menos lá em casa, há mais pessoas que comem a carne do boi, mas não a de frango. Para agradar a todos é preciso pôr à mesa algo que todo mundo goste de comer. Fora o fato de que a carne de frango não enche a barriga como a carne de boi”, justificou o aposentado, ao fazer a compra.

Nos açougues, o quilço do frango pode ser encontrado de R$ 4,99 a R$ 5,99. Já as carnes circulam entre preços de R$ 15,99 – no caso das carnes de primeira –, e R$ 9,99 – carnes de segunda. Mesmo com a notável diferença, o funcionário do estabelecimento explica que o aumento ainda não foi repassado ao preço final do consumidor. “O açougue tem comprado mais caro já há dois meses, mas ainda não repassamos este preço para o consumidor”, explica ele, ainda sem uma previsão de quando as carnes aumentarão.

Já nas feiras livres o frango pode ser encontrado por R$ 7,50, enquanto a carne bovina de segunda está sendo vendida por R$ 11,00, e a de primeira por R$ 17,00. Em supermercados de grande porte, a variação de preço consegue ser ainda maior: enquanto o quilo do frango pode ser encontrado em R$ 4,95, os tipos de carne de primeira alcançam R$ 23,90.

“Eu já costumo comprar mais frango do que a carne bovina, pois é mais leve e saudável. Contudo, substituir o ovo pela carne, para mim, pelo menos, é impensável. São dois alimentos completamente diferentes”, afirmou a técnica em enfermagem Margarida Casas, colocando sua opinião sobre a declaração do secretário de Política Econômica.

Numa visita aos armazéns (os famosos mercadinhos de bairro), é possível perceber que são nestes estabelecimentos onde os preços estão mais salgados. Embora o frango não tenha um valor tão diferente dos outros comércios – variando o preço do quilo entre R$ 5,20 e R$ 5,50 –, as carnes bovinas ficam entre R$ 14,49 e R$ 25,90, para as carnes de primeira, e entre R$ 8,90 e R$ 11,99, no caso das carnes de segunda. Os valores diversificam de acordo com os cortes da carne bovina.

Enquanto isso, os ovos, que são fontes pré-embaladas de carboidratos, proteínas, gorduras e micronutrientes, têm variação menor em seu valor de mercado. Nas feiras, é possível encontrá-lo nos tamanhos jumbo e extra, a dúzia está custando R$ 3,20 e 2,80. Nos armazéns, o ovo de granja é o mais fácil de ser encontrado em valores que vão de R$ 3,19 a R$ 3,85. Enquanto isso, os supermercados vendem o mesmo produto em faixa de preço de R$ 3,95 a R$ 4,15.

A declaração do secretário de Políticas Econômicas do Ministério da Fazenda foi dada no último dia 9. Holland disse que a alta dos preços em setembro se deve, em parte, ao aumento sazonal de alimentos como a carne bovina em função de um período de entressafra, agravado por uma seca e pelo aumento da demanda internacional do produto. “Há uma série de outros produtos substitutos (para a carne) como frango, ovos e aves (…) que vêm apresentando comportamento benigno neste ano”, colocou o secretário na oportunidade.

Fonte: Tribuna da Bahia