“Reconciliação pelo Brasil”, por Rogaciano Medeiros

Foi por pouco. A vitória aconteceu nos minutos finais. Não da apuração, mas sim da campanha eleitoral. A virada se deu a partir do momento em que o ex-presidente Lula assumiu o controle, a poucos dias do segundo turno. Ele conseguiu, com a liderança que exerce, colocar nas ruas, para salientar as conquistas alcançadas pela sociedade nos últimos 12 anos, não apenas a militância do PT, mas de todas as forças populares que compõem o governo. E aí o movimento social, em particular o sindical, jogou papel decisivo e escreveu o nome na mais disputada, suja e desleal eleição desde a redemocratização do país.

Dilma Rousseff também tem os seus méritos. E como tem. A postura séria e responsável da presidenta não permitiu que colasse nela a pecha de corrupta, principal argumento falso moralista da aliança demo-tucana para desconstruí-la e seduzir o eleitorado indeciso. Na real, é possível afirmar que Dilma venceu, apesar da mídia e, com todo o respeito, do PT, que precisa urgentemente revê alguns conceitos, para não abreviar o ciclo de liderança no conjunto das forças que detêm o macro poder da República.

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As pesquisas mostraram que a grande maioria do eleitorado de Aécio Neves assim votou em protesto ao PT. O partido está “entre o inseto e a inseticida”.  Hoje, é uma legenda mobilizada de dentro e precisa, urgentemente, voltar a ser mobilizada para fora. Foi assim que chegou ao poder.

Agora, a principal tarefa da presidenta, em caráter de urgência urgentíssima, é promover a reconciliação. A nação sai das urnas partidas praticamente ao meio. A diferença foi muito pequena e a campanha das oposições, com o reforço irresponsável da mídia, de promover a discriminação, o preconceito e o ódio de classe, produziu feridas na sociedade que o governo não pode deixá-las infeccionar.

A reconciliação não significa atrair para a base governista os oportunistas do PMDB e de legendas de aluguel que não aguentam ficar de fora do poder. Nada disso, a reconciliação tem de se materializar, e logo, em projetos como a reforma política, com prioridade para o financiamento público de campanha eleitoral, critérios mais rigorosos para as coligações e, acima de tudo, limites claros e bem definidos para a atuação da mídia nas eleições.

É inadmissível o que a imprensa fez nestas eleições, particularmente no segundo turno. Os meios de comunicação agiram como partidos políticos. De oposição, é óbvio. Desafiaram a Justiça, degeneraram a democracia, agrediram o Estado de Direito e violentaram a cidadania.

É necessário também que o governo reforme a Previdência e acabe, imediatamente, com o famigerado fator previdenciário, criado pelos tucanos na época de FHC. A mesma urgência para a revisão nas alíquotas do imposto de renda. É inconcebível que o trabalhador seja taxado no mesmo percentual do milionário.

São proposições que, somadas a outras que inevitavelmente aparecerão, podem vencer o ódio, curar as feridas, restabelecer o respeito à diversidade político-ideológica e garantir a unidade nacional em torno de um Brasil mais justo, próspero e fraterno.

Por Rogaciano Medeiros, jornalista