Mortes no trânsito caem 16% em Salvador

Em Salvador, a população tem reclamado do aumento no número de multas e do maior rigor da fiscalização da Superintendência de Trânsito e Transporte do Salvador (Transalvador). Se para o bolso dos condutores infratores as medidas são negativas, para a segurança viária esta maior rigidez parece ter surtido efeito positivo.

Isto porque o número de acidentes no trânsito da capital baiana reduziu cerca de 47% entre janeiro e outubro deste ano em comparação com o mesmo período de 2013. No ano passado, a Transalvador registrou 30.783, enquanto em 2014 foram 16.333 ocorrências contabilizadas.

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Consequentemente, o número de mortes nas vias soteropolitanas também reduziu, ainda segundo dados do órgão municipal. Nos dez primeiros meses de 2013, foram 169 óbitos, contra 142 vítimas este ano – o que representa diminuição de cerca de 16%.

A redução na capital baiana segue tendência nacional, segundo dados do governo federal. Em todo o país, as mortes em acidentes caíram 10% no ano passado em comparação com 2012. A queda interrompeu a sequência de três anos de aumento de óbitos.

Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) apontam que foram 40,5 mil vítimas no ano passado contra 44,8 mil em 2012. Esta foi a maior redução no número de óbitos no trânsito desde 1998 – ano em que passou a vigorar o Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

Em Salvador, entre 2012 e 2013, houve redução de 13% no número de mortes no trânsito.

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Fiscalização
De acordo com o diretor de trânsito da Transalvador, Marcelo Corrêa, a ampliação da fiscalização é o principal fator que levou a esta redução na capital baiana.

“Não são frutos do acaso. Estamos trabalhando com maior fiscalização eletrônica em 2014. Começamos o ano com 80 equipamentos e vamos terminar com cerca de 130”, diz Corrêa, frisando que até o ano que vem serão 326 equipamentos instalados.

O diretor de trânsito ressalta que o excesso de velocidade é um dos principais causadores de acidentes e, consequentemente, de mortes no trânsito.
Outro fator preponderante é a maior rigidez da lei seca (12.760/2012, que alterou a Lei 11.705/ 2008), que dobrou o valor da multa para quem dirige alcoolizado. Na capital baiana, a Transalvador tem feito blitzes diariamente. Nacionalmente, a lei seca também é apontada como um dos principais fatores que levaram à redução dos óbitos.

Ampliação
Condutores ouvidos por A TARDE acreditam que o rigor da fiscalização da Transalvador tem contribuído para que os motoristas fiquem “intimidados” ao cometer infrações de trânsito.

O número de condutores flagrados dirigindo sob efeito de álcool em Salvador, por exemplo, aumentou 97% entre janeiro e agosto deste ano em comparação com o mesmo período de 2013.

“O que tem sido feito é cobrar o que está previsto em lei. A fiscalização tem que ser intensificada mesmo”, opina o estudante Marcus Vinicius Souza, 18.

“Tem muito motorista que deveria passar por reciclagem. Muitos não respeitam faixa de pedestre nem ciclistas, muito menos as sinalizações”, afirma o mecânico Joselito Conceição, 40.

Especialista diz que fiscalização precisa ser intensificada

A engenheira de tráfego Cristina Aragón acredita que a nova lei seca foi um avanço do ponto de vista da segurança viária. No entanto, para ela, os resultados de redução de acidentes e mortes ainda estão abaixo do esperado em relação à nova legislação.

A especialista defende que a fiscalização da lei seca e controle de velocidade seja ampliada. “É a única saída para reduzir estes índices. O álcool associado à velocidade é a principal causa de mortes e acidentes”, frisa.

Outro fator que, segundo Cristina Aragón, deve ser repensado é a velocidade máxima de algumas vias de Salvador, como a avenida Garibaldi e a rua Lucaia. Nestes pontos, o limite permitido é de 70 km/h. “São locais com sinaleira, travessia de pedestre. O limite deveria ser, no máximo, 50 km/h”, ressalta.

A engenheira afirma que as estatísticas de trânsito têm o sistema de coleta de dados deficiente. “Isso é um fenômeno nacional. Há casos, por exemplo, em que o ferido morre no hospital e o médico não coloca o acidente de trânsito como causa. A deficiência é tão grande que o Denatran tem um dado e o DPVAT tem outro”, acredita.

Marcelo Corrêa, por sua vez, diz que o serviço de coleta de dados de Salvador tem alto grau de confiabilidade. “Todos os dias vamos a hospitais e delegacias para colher e acompanhar estes dados. É uma atividade de rotina, que seguimos como o Denatran recomenda. É algo que já fazemos há alguns anos”, defende o diretor de trânsito.

Fonte: A Tarde