Rui Costa descarta espaço para o PR no primeiro escalão

O encontro que o governador Rui Costa (PT) organizou com a imprensa, ontem à tarde, na Governadoria, não foi só para tratar de assuntos da gestão, mas das condições políticas dos 27 primeiros dias do mandato de sucessão do governador Jaques Wagner.

Um dos pontos postos à mesa foi o ajustamento do PR dentro do quadro governamental. A sigla, com a justificativa do seu tamanho e da campanha feita durante o período eleitoral, reivindicava uma cadeira no primeiro escalão. “Sou grato ao PR, eles foram importantes na composição do meu governo, agora eu estou no dia 27 de janeiro, já fiz a composição do meu governo. Como eu faço? Eu fiz várias reuniões, várias, e eu nem consigo traduzir para vocês quantas foram entre as partes do PR, inclusive pedindo que eles se entendessem”, afirmou o chefe do Palácio de Ondina.

O governador recebeu a Imprensa, na Governadoria, em Salvador
O governador recebeu a Imprensa, na Governadoria, em Salvador

Rui declarou que chegou a intermediar negociações que pudessem levar a um consenso da sigla, contudo a pacificação não aconteceu. “Eu, inclusive, cheguei a promover uma reunião entre eles, cheguei a acionar o secretário nacional do partido pedindo que promovessem uma reunião com eles, pois eu queria, antes do dia 31 de dezembro, chegar a um entendimento. Vocês [imprensa] foram testemunhas de que isso não aconteceu”, disse.

“Interessa que eles continuem apoiando o governo? Interessa. Interessa que eles participem do governo? Interessa, e quero a participação. Mas nesse primeiro momento vamos ter que compor com a situação atual do nosso governo. Eu não posso, com 27 dias, remontar o governo por uma não decisão no tempo de um partido político, aí seria inverter a ordem das coisas”, completou.

Questionado sobre a refundação do PL, se seria uma nova agremiação para compor sua base, visto que circula nos bastidores a ação como uma forma de conduzir opositores para a base do governo sem serem enquadrados pela Lei da Infidelidade Partidária, Rui confirmou. “Eu acho que sim”, soltou, para em seguida, despistar.

O petista entrou no mérito da reforma política como forma de destoar à criação da sigla no estado. “Eu sou defensor da reforma política. Fico imaginando como a presidente vai governar com 27, 28 partidos na base. Isso não é bom para o país. Enquanto não vier a reforma política, artifícios e o uso da margem eleitoral vão ser feitos para criação de mais um partido”, respondeu.

“Os políticos não se conformam com o atual quadro político a que são vinculados. Eu defendo que na reforma política tenha uma janela onde os parlamentares possam mudar de partido. Você não pode pressupor que a pessoa vire escravo a um partido. Ele tem que cumprir o mandato, mas em três anos e meio ele deve ganhar o acesso a outra sigla”, continuou.

A possível mudança do perfil político da gestão no desenrolar das atividades diárias foi amenizada por Rui. Questionado sobre eventuais atitudes mais “incisivas” do que do seu padrinho, o ex-governador e ministro da Defesa, Jaques Wagner (PT), o petista alegou que ninguém é parecido. “Isso é um bom ou ruim? (risos) As pessoas não são iguais, são diferentes. Então não tem fórmula perfeita. Às vezes, não é bom ser mais incisivo em determinadas circunstâncias. Em outras, é importante e bom que seja incisivo. Cada caso é um caso. Você pode acertar sendo mais incisivo como pode errar não sendo incisivo em determinadas circunstâncias”, considerou.

Sobre a recente contenda entre o prefeito de Camaçari, Ademar Delgado (PT) e seu antecessor e ex-padrinho político, Luiz Caetano (PT), Rui Costa (PT) discorreu que dialogou com ambas as partes e pediu entendimento. “A orientação é que eles se entendam. Não podemos permitir que diferenças pessoais e de vaidades atrapalhem o projeto importante em curso em Camaçari. Já conversei com os dois e acho que deve haver esse entendimento”, disse.

O desenrolar das tratativas políticas atuais, envolvendo negociações com o PTN e o PDT, creditada pelo prefeito ACM Neto (DEM) como uma antecipação pela disputa para o governo da Bahia em 2018, foi rechaçada pelo governador Rui Costa no “cafezinho com os jornalistas”.

Segundo ele, não existe essa idealização eleitoral. “Em hipótese nenhuma. Até porque, até agora, não tive nenhuma discordância com a prefeitura nem com o prefeito, nesses 27 dias, não tem nenhuma discordância concreta nem política. Todas as discussões estão transcorrendo naturalmente”, disse.

Entre os diálogos tratados pelo governador Rui Costa (PT) durante o cafezinho, o petista disse que existe a possibilidade de fechar uma posição antecipada com as empresas de ônibus metropolitanos e assim selar a integração do metrô de Salvador. “Sobre os valores das passagens, o importante é ter um entendimento de equilíbrio. Vamos abrir negociações com as empresas de transporte metropolitano para as últimas estações quando o metrô chegar lá, como Estação Pirajá e Mussurunga”, disse.

A atitude é vista como uma forma de pressionar o prefeito a unificar o discurso em torno da utilização do sistema metroviário e dos ônibus urbanos dentro da capital.

Fonte: Tribuna da Bahia