Luís Miranda volta a Salvador com sua peça 7 Conto

Na letra da canção Brinquedo Sério, Alice Ruiz defende: “Eu só brinco quando é muito sério/ é muito sério”. Os versos são bons de serem aplicados à peça 7 Conto, de Luís Miranda, que volta em cartaz neste sábado, na sala principal do Teatro Castro Alves.

Com bom humor e inteligência, Luis apresenta esquetes sobre questões atuais da realidade brasileira. Apesar do tema, o espetáculo passa longe da chatice, como também do riso fácil e vazio das comédias do tipo besteirol.

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A peça tem direção de Ingrid Guimarães e apresenta ao público alguns personagens inesquecíveis: da líder comunitária Dona Edite à socialite Sheila; da menina negra Caroline ao rapper MC Dollar. Tem ainda Vovó Arminda, Queixada (o guardador de carros que filosofa) e Detona.

Nas esquetes de 7 Conto, estão personagens que retratam a atual situação social e política do País
Nas esquetes de 7 Conto, estão personagens que retratam a atual situação social e política do País

Algumas das esquetes já são velhas conhecidas do grande público por conta do projeto humorístico Terça Insana, mas Luís Miranda sempre insere alguma novidade no texto. Geralmente, ele parte do cotidiano do País e dos assuntos mais comentados do noticiário nacional.

“A importância de discutir esses temas é que parece com aquela coisa que a avó da gente falava: o sertão vai virar mar, o mar vai virar sertão. Eu já falava dessa crise no Brasil há uns dez anos com a peça, mas ela agora vem à tona num momento importante do País. A gente está vendo cair por terra muito do que se pensava”, afirma Luís.

Assim, ele acredita que a arte e o humor podem estar a serviço das discussões políticas e sociais brasileiras. “Claro que tudo com muito humor e tranquilidade, falando das situações mas sem citar nomes”.

Para ele, tudo isso tem a ver com o tipo de artista que ele é. “É a maneira que gosto de discutir meu trabalho e minha arte, minhas indignações. Tô zangado com as falácias de um governo que fez todo mundo acreditar na mudança sabendo da crise, fez o povo de cabo eleitoral. Estamos vivendo um regime que tá falido”.

Fonte: Ibahia