Preço do aluguel aumenta em 3,98% na Bahia

O Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) que serve de base de cálculo para a renovação dos contratos de aluguel, entre outros setores de mercado, iniciou o ano em alta com variação de 0,76%. Essa taxa é superior à registrada em dezembro último (0,62%) e também maior do que a de janeiro do ano passado (0,48%). No acumulado de 12 meses, o índice alcançou 3,98%.

O IGP-M é apurado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas ((Ibre-FGV) e a variação reflete o comportamento dos preços no período de 21 de dezembro de 2014 a 20 de janeiro de 2015. A elevação do índice foi influenciada por aumentos dos produtos e serviços no comércio varejista e também pelo avanço no custo da construção civil que em 12 meses ficou 6,74% mais cara.

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O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) teve alta de 1,35% ante 0,76%, em dezembro, puxado pelo grupo alimentação (de 0,85% para 1,66%) e em 12 meses acumula 7,27%. No mesmo período, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) subiu 6,74% e na virada mensal passou de 0,25% para 0,7%.
Já no segmento atacadista medido por meio do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), houve queda. A taxa passou de 0,63% para 0,56%. Entre os itens são destaques o milho em grão com queda de 0,49% ante 9,75%; a soja em grão que recuou de 0,74% para 1,69% e os bovinos cuja cotação perdeu força ao passar de uma alta de 3,59% para 1%.

Creci cobra soluções:

A propósito do reajuste dos aluguéis e venda de imóveis em Salvador, o presidente do Creci-Conselho Regional dos Corretores de Imóveis, Samuel Prado, cobrou da Prefeitura de Salvador “mais urgência na solução do PDDU-Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e no desbloqueio dos Transcons-Transferência do Direito de Construir”. Segundo Prado, o mercado “precisa conhecer quais os terrenos que estão disponíveis para construção”.

No que tange ao fato de a Bahia ser um grande exportador de mão de obra para outros centros, ele disse que isso “decorre da falta de grandes empreendimentos no estado”. Em detrimento da ausência de grandes obras na Bahia, em que pese a crise no Estaleiro Enseada, mencionou os casos do Porto de Pecém, no Ceará e a Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco como dinamizadores do mercado naqueles estados. “Em anos anteriores tivemos iniciativas como o Centro Industrial de Aratu, o Polo Petroquímico de Camaçari que geraram grande fluxos humanos e determinaram uma efervescência no mercado imobiliário, tanto para aluguéis quanto para aquisição de imóveis”, fez ver.

Para os inquilinos, valor do condomínio é o vilão:

O presidente do Cresci mencionou pesquisa recente da Ademi-Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário sinalizando que 64% das vendas de imóveis das empresas filiadas contemplaram apartamentos de dois quartos, “alterando a preferência anterior para os de três quartos, notadamente na Paralela e no Imbuí”. Disse, ainda, que “as áreas da Graça e da Vitória (com teleféricos e vista para o mar) permanecem com os maiores valores por m² em Salvador, exemplificando com a Mansão Clube Bahiano de Tênis, em torno dos R$ 10 mil/m² e a Morada dos Cardeais, em torno dos R$ 14 mil/m². Citou, também, o “Caminho das Árvores, apesar das limitações de verticalização, o Itaigara e o Alphaville, como áreas bastante valorizadas”.

Samuel Prado destacou o crescimento do mercado imobiliário em municípios do interior do estado garantindo que “vão muito bem”. Destacou Feira de Santana, Ilhéus, Vitória da Conquista, Teixeira de Freitas, Luiz Eduardo, Barreiras, Nazaré e Santo Antonio de Jesus – “todos com tendência predominante à abertura de loteamentos com ótima infra estrutura e em condomínios fechados”. Já em Salvador, destacou a tendência por buscas de moradias “próximas ao local de trabalho, de faculdades ou dentro do que o bolso comportar”.

Atualmente, segundo Prado, “o aluguel de imóveis tem apresentado pouca demanda”. Para ele, “o maior vilão dos aluguéis, hoje, é o preço dos condomínios, dada a pressão de insumos como direitos trabalhistas, tarifas de luz e água, além das dificuldades inerentes às gestões”. Ele disse haver “muitos casos de o condomínio ser maior ou equiparado ao valor do aluguel. Boa parte das pessoas tem optado pela aquisição de imóvel, sob financiamento da Caixa, dadas as facilidades dos juros. Com a reversão dessa baixa é possível que o mercado passe a apresentar um novo perfil”, estipulou.

Fonte: Tribuna da Bahia