Imóveis do Minha Casa Minha Vida em Feira estão sem energia

Moradores dos conjuntos residenciais Solar da Princesa 3 e 4, no bairro Gabriela, em Feira de Santana (a 109 km de Salvador), estão sem energia elétrica desde o último dia 25 de fevereiro, quando a presidenta Dilma Rousseff entregou 920 imóveis através do Programa Minha Casa Minha Vida. Segundo a Companhia Elétrica do Estado da Bahia (Coelba), duas equipes foram destinadas para o local desde a quarta-feira, 4, para agilizar as instalações. Mas, apenas 14 casas tinham energia.

Em nota, o governo do Estado esclareceu que a responsabilidade das ligações elétricas dos empreendimentos do Minha Casa Minha, Vida é da Coelba. A Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur), responsável pelo programa na Bahia, entrou em contato com a empresa de energia que garantiu a regularização do problema o mais breve possível.

Irlandia Rodrigues mora à luz de velas e geledeira desligada
Irlandia Rodrigues mora à luz de velas e geledeira desligada

Até o final da tarde desta quinta-feria, 5, a reportagem do A TARDE verificou que a maioria das casas ainda estava sem energia. Os moradores do local, beneficiários do Minha Casa Minha Vida, reclamaram da situação e cobraram a ligação da energia elétrica em todos os imóveis, pois a ocupação das residências era evidente.

A dona de casa Roseni de Jesus Santos pretendida se mudar nesta quinta. “Sem energia não posso”, lamentou. Já Islândia Rebouças foi morar no conjunto desde sábado, 28. “Estou com a geladeira desligada e com três crianças em casa. Mas o aluguel venceu dia 20 e tive que vir assim mesmo. Nesse calor e sem energia está difícil”, disse. A moradora garantiu que procurou a Coelba duas vezes. “Tenho o protocolo para provar”, afirmou.

Na rua em que José Carlos Ribeiro Lima mora, segundo ele, mais de 20 famílias estão no escuro. “Todo mundo está à luz de velas”, lamentou. A dona de casa Edilma Matos de Oliveira está numa situação delicada. Com um neto de nove meses e sem energia em casa. “Não posso ficar na casa às escuras, tenho um neto recém -nascido e mais três crianças. Desde quarta-feira vou à Coelba e nada resolve”, contou.

Conforme a gerente de atendimento da Coelba em Feira de Santana, Adriana Teodorio, a entrega de imóveis sem energia elétrica é padrão, e cabe aos novos proprietários o pedido de ligamento. “A maioria dos moradores não solicitou o serviço à Coelba, por isso muitos aguardam ainda a ligação. A maioria se mudou para o conjunto sem fazer o pedido formal, com documentação e protocolo”, informou.

Para agilizar a ligação e a comunicação com os moradores, a Coelba instalou, desde quarta-feira, 4, uma Agência Móvel de Atendimento no local. “Diante disso, enviamos uma unidade móvel para fazer o cadastro dos moradores. Já estamos efetuando as ligações gradualmente. A previsão é que todas as demais unidades sejam ligadas até esta sexta-feira”, garantiu a gerente da unidade. Além da falta de energia, a moradora Margarete Alves relatou problemas na infraestrutura das casas. “Na minha há rachaduras nas paredes e falta trocar pisos, janelas e portas que estão com defeitos”, lamentou.

Sandro Ricardo, secretário municipal de Habitação, explicou que a energia existe, mas a ligação individual depende de cada proprietário, “A equipe da Coelba estava insuficiente para atender a demanda, por isso cobramos um maior número de agentes. Solicitamos que priorizasse as casas já habitadas. Outro fator determinante para esse problema é que existe um prazo de 30 dias após entrega para o imóvel ser ocupado, mas, o pessoal antecipou, por outro lado, evita as invasões”, afirmou.

Cerca de 3.600 pessoas foram beneficiadas com a entrega dos dois conjuntos residenciais no bairro de Gabriela, em Feira de Santana, no âmbito da segunda fase do programa Minha Casa, Minha Vida. Cerca de 38 mil moradias foram entregues em Feira pelo Minha Casa Minha Vida, beneficiando cerca de 152 mil pessoas.

Localizados a cerca de quatro quilômetros do Centro, emuma área de grande expansão urbana, os dois conjuntos abrigam um total de 920 unidades habitacionais, com área privativa de 47,07 m² e valor de R$ 57 mil. Constituídas por casas sobrepostas, as unidades habitacionais são compostas de dois quartos, circulação, sala, cozinha, banheiro e área de serviço, com piso cerâmico em todos os ambientes das unidades.

Fonte: A Tarde