Preços de produtos da Semana Santa estão em alta na Bahia

Em menos de um mês já terá início a Semana Santa, e a alta de alguns ingredientes já preocupa comerciantes e consumidores. Especiaria muito utilizada no caruru e no vatapá, que compõem a ceia pascoal, o gengibre tem variado de preço com muita intensidade nas últimas semanas dentro das feiras e dos mercados de Salvador, e pode ser o grande vilão das ceias do período no estado . O produto, que há três meses poderia ser encontrado por uma média de R$ 8 a R$ 10/kg, agora chega a expressivos R$ 25/kg, tornando-se mais caro, inclusive, do que o camarão seco – que, a depender do estabelecimento, pode ser encontrado por R$ 14/kg.

De acordo com o presidente de Sindicato dos Feirantes e Ambulantes de Salvador (SindFeira), Marcílio Costa, este recente aumento ocorre por uma oferta cada vez menor do produto nos centros de compra. “Semanalmente as feiras recebem um carregamento de seus fornecedores, e o gengibre tem sido um dos produtos que têm chegado a nós em uma quantidade cada vez menor, o que tem influenciado diretamente no preço final”. Dessa forma, a especiaria tem oscilado em valores de R$ 20 a R$ 25/kg na Feira de São Joaquim, no Comércio.

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Já em outros lugares, como a Feira das Sete Portas, esse montante pode variar um período menor de tempo, inclusive, de um dia para o outro. Na Barraca Realce, a raiz utilizada na culinária típica baiana amanheceu neste último domingo, 8, custando R$ 20/kg em seu stand. Porém, de acordo com um dos vendedores do local, o mesmo produto estava sendo ofertado a R$ 35/kg no dia anterior. A imprevisibilidade, segundo ele, torna impossível dizer qual será o preço da especiaria nesta segunda-feira.

Aumentos preocupam consumidores
O aumento de preço do gengibre tem preocupado alguns consumidores, como é o caso do documentalista Carlos Matos. “Nas últimas vezes que comprei gengibre, há mais ou menos um mês, ele estava saindo por R$ 8/kg. Estou impressionado que tenha havido um aumento tão grande. O que resta agora é diminuir a quantidade que usaria nos pratos da ceia do feriado”, comentou, enquanto pesquisava o preço de alguns alimentos da feira.

Para Carlos, a pouca oferta no comércio popular pode ter ocorrido porque o gengibre, além de ser um tempero da culinária local, é uma planta muita utilizada pela medicina. “O que a gente mais ouve falar sobre o gengibre é que ele faz bem a saúde, por isso, podem estar utilizando-o mais para essa função”, opinou. O produto traz benefícios terapêuticos, sendo capaz de acelerar o metabolismo, melhorando o desempenho dos sistemas digestivo, respiratório e circulatório.

Contudo, o presidente da SindiFeira, explica que a oferta reduzida tem sido resultante de uma safra mais modesta dos últimos meses. E por esta mesma razão, será difícil saber qual será o valor da especiaria dentro das próximas semanas – quando as compras da Semana Santa deverão trazer um fluxo maior de consumidores às regiões comerciais, e ocasionando a procura maior pelos ingredientes e alimentos que fazem parte da celebração religiosa.

“Isso também nos preocupa, pois com o preço alto, o consumidor tende a comprar menos para economizar, e isso vai impactar na receita do feirante, pois pode acontecer de não conseguirmos vender o volume esperado do produto, a acumular prejuízos”, avaliou Marcílio Costa.

Enquanto isso, a servidora pública Iana Nunes explica que o gengibre não chega a preocupar tanto quanto o camarão seco, mas admite que seus familiares tenham se queixado da alta de preço. “Não faz muito tempo que minha mãe fez compras e nos falou que tomou um susto quando viu o preço mais recente do gengibre”, comentou. Em alguns mercados de médio porte da capital, a especiaria está sendo vendida em valores entre R$ 29 e R$ 42.

Diferente do gengibre, outros produtos que servem bastante ao caruru e ao vatapá estão com preços mais estáveis nas feiras livres, a exemplo do amendoim seco e descascado, que pode ser encontrado por R$ 6/kg, ou mesmo a castanha ofertada inteira ou quebrada, que está custando em média de R$ 25, a R$ 30,00. Já o camarão seco graúdo continua a liderar a lista dos ingredientes, com um valor médio de R$ 32,00.

Fonte: Tribuna da Bahia