Impasse no Fies trava negociação salarial dos professores

As incertezas sobre o Fies levaram as universidades particulares da Bahia a atrasar a negociação do reajuste salarial de professores, segundo o Sindicato dos Professores da Bahia (Sinpro-BA).

De acordo com o diretor do Sinpro-BA, Allysson Mustafa, na primeira reunião para negociação do reajuste anual da categoria, realizada nesta terça-feira, 17, os representantes das instituições de ensino afirmaram que estão em situação “complicada”, o que pode inviabilizar avanços no aumento deste ano.

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“Em virtude do Fies, eles afirmaram que não vão definir nesse momento qual é o reajuste. Estão protelando porque as faculdades estão usando o Fies como escudo. Estão se queixando e afirmando que a situação pode inviabilizar avanços nas negociações”, afirma Mustafa.

Procurado por A TARDE, o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino da Bahia (Sinepe-BA) não respondeu aos pedidos de solicitação de entrevista feito pela reportagem até o fechamento desta edição.

Alunos de todo o país relatam dificuldades para solicitar novos financiamentos ou renovar os contratos. O Ministério da Educação vai limitar a quantidade de financiamentos em cada curso e universidade, mas ainda não divulgou a portaria com as regras. Em 2014, o Fies chegou a 1,9 milhão de alunos inscritos.

Em entrevista esta semana, a presidente Dilma Rousseff afirmou que o governo cometeu um erro ao não controlar a distribuição dos financiamentos, que antes estava na mão das próprias universidades. Dilma também afirmou que a lentidão é causada por alterações no sistema.

Adaptação
Com o sistema instável e lentidão para renovar os contratos, as universidades de Salvador estão se adaptando ao momento. A Unijorge facilitou o acesso dos estudantes, mesmo aos novos alunos que ainda não têm o financiamento confirmado, além de oferecer outras opções de financiamento, segundo a gerente comercial da Unijorge, Ayla Noya.

“Existe uma indefinição porque a instituição não sabe como são as novas regras. O impacto mesmo dessas matrículas vamos ter com a finalização do prazo (para a inscrição), no dia 30 de abril. Os novos alunos assistem às aulas normalmente, conscientes de que estão no status de pré-matriculados e candidatos ao Fies”.

Em nota para a imprensa, a Unime lamentou a decisão do MEC, que considera “unilateral, e afirma que está avaliando alternativas”.
A Defensoria Pública da União (DPU) ajuizou ontem uma ação civil pública contra a União e o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, operador do programa, para garantir o aditamento (renovação) de todos os contratos já em vigor, mesmo de cursos com reajuste de mais de 6,41% nas mensalidades, teto estipulado no sistema para a renovação. A ação tem caráter nacional.

Fonte: A Tarde