“Achei que iria morrer”, disse um dos reféns em Riachão do Jacuípe

“Achei que iria morrer, foi a pior sensação que tive em minha vida”. As palavras são do funcionário público Ivan Fonseca, 55 anos, que juntamente com a esposa Leila Regina Almeida Fonseca, 33 anos, grávida de sete meses e a filha de apenas 10 anos, permaneceram cerca de 10 horas como reféns de quatro homens que tentavam assaltar uma joalheria no centro comercial da cidade de Riachão do Jacuípe (a 197 km de Salvador). A ação teve inicio na madrugada desta quarta-feria, 18, quando a casa do casal foi invadida pelos assaltantes. No total cinco assaltantes participaram da ação, mas um conseguiu fugir antes da chegada da polícia.

Ivan Fonseca e Leila Regina Almeida Fonseca permaneceram cerca de 10 horas como reféns
Ivan Fonseca e Leila Regina Almeida Fonseca permaneceram cerca de 10 horas como reféns

“Eu estava dormindo acordei com os gritos de minha esposa pedindo calma para eles. Foi um susto. Levei três coronhadas na cabeça e tentei a todo momento proteger minha filha e minha esposa. Quando a polícia chegou achei que seriamos mortos, já que a todo tempo eles nos ameaçava”, contou a vítima.

Os homens, sendo um adolescente de 16 anos, invadiram a casa do casal por volta da meia noite e após várias ameaçadas três deles, foram com Leila, que é gerente da Joalheria Mascarenhas, até o estabelecimento, onde a forçaram a abrir o cofre. Leila contou que todo o tempo os assaltantes recebiam as instruções por telefone de um homem, que chegou a falar com ela. “Ele pediu para que eu tivesse calma e abrisse o cofre, pois eles só queriam as peças da loja e que eu e minha família não sofreríamos nada de violento”, disse.

A ação foi frustrada após uma equipe da Cipe-Litoral Norte desconfiar de um veiculo estacionado em frente a loja com as portas abertas. “Fizemos a abordagem ao homem que estava no carro e este entregou o jogo, ao abrirmos a porta da joalheria encontramos os dois assaltantes e um deles com a gerente segura pelo pescoço e com uma arma apontada para a cabeça dela. Dai iniciamos a negociação”, informou o sargento Monteiro.

Além da PM, as negociações foram feitas pelo coordenador da 15ª Coorpin em Serrinha, delegado Mozart Cavalcanti. Aldeir Pereira do Nascimento, 25 anos foi o primeiro a ser preso. Após exigir a presença de familiares e da imprensa, além de coletes a prova de balas, por volta das 8h30 Diego dos Santos Bonfim, 18 anos, que mantinha o esposo e a enteada da gerente como reféns na casa do casal se entregou.
Na loja, Danilo Chagas de Carvalho, 24, e o adolescente permaneceram negociando e só se entregaram por volta das 10h com a chegada da mãe do adolescente identificada apenas como Tainara.

Necessidades
Os reféns foram conduzidos para o Hospital Municipal de Riachão do Jacuípe onde passaram por exames e foram medicados. Os quatro criminosos foram encaminhados para a delegacia da cidade. Lá Danilo confessou o crime e apontou dois homens, que segundo ele moram em São Sebastião do Passé de terem encomendado o assalto. “Eles nos passou tudo através de um mapa, chegamos aqui na segunda e ontem (quarta) entramos em ação. Fiz isto por que estou precisando de dinheiro sou de família pobre e estou desempregado”, alegou.

Com o grupo a policia apreendeu um veiculo Corsa, placa JMO 9948 que foi roubado em Salvador e três armas sendo dois revolveres calibre 38 e uma espingarda calibre 12. O delegado Mozart Cavalcanti informou que outras pessoas participaram da ação e que já foram identificados e estão sendo procurados. “Já temos informações de que este grupo participou de ações em outras cidades, boa parte é reincidente. É uma questão de tempo prendemos os outros envolvidos”, afirmou.

Após o fim do sequestro o que se viu na joalheria foram peças espalhadas em todos os locais e dentro de sacolas, malas e até baldes. Todo o local estava revirado. A peritos do Departamento de Polícia Técnica de Serrinha fizeram a pericia da loja e da casa do casal.
Os três homens foram autuamos por sequestro e o encaminhados para o Presidio de Segurança Máxima de Serrinha. O adolescente foi encaminhado para a Vara da Infância e Juventude onde deverá seguir para uma instituição para cumprimento de medida sócio educativa.

Fonte: A Tarde