Funcionários dos Correios iniciam greve por tempo indeterminado

Após assembleia realizada na Praça da Inglaterra, no bairro do Comércio, os funcionários da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Correios), decidiram entrar em greve por tempo indeterminado. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos no Estado da Bahia (Sincotelba), a paralisação foi motivada principalmente pela suposta ameaça de privatização da empresa, pela redução de direitos dos funcionários, assim como a precarização dos serviços prestados.

Na manhã de ontem, 18, usuários já começaram a sentir os efeitos da paralisação, na sede da empresa, no Comércio. Por conta do menor número de funcionários, apenas 30% trabalhando, o atendimento foi afetado causando a demora para quase todos os serviços. “Vim fazer um vale postal. É um serviço que, normalmente demoro apenas 15 minutos dentro da empresa. Hoje, chegou a 40”, relatou a bacharel em administração, Daniela Freitas.

A estudante de arquivologia, Caroline Moura, também sofreu para ser atendida com a entrega de carta da empresa da qual é estagiária. “Foi mais de uma hora na fila! Nunca cheguei a ficar esse tempo todo dentro da agência”, relatou. Já o documentalista Antônio Carlos Dias explica que escapou da demora apenas porque iria enviar uma carta simples. “Fiquei apenas alguns minutos, mas quem vai fazer outro serviço lá dentro tem que pegar senha e ter muita paciência”, afirmou.

Com a greve deflagrada o sindicato espera que a empresa se posicione, e aguarda uma convocação para discutir as reivindicações. Entre os motivos que geraram a insatisfação, segundo explica o diretor de relações públicas do Sincotelba, Alex Damasceno, há a aprovação de uma medida que seria valida a partir do mês de abril deste ano, na qual o desconto salarial referente ao fundo de pensão sobe de 3,94% para 25,98%. Segundo ele, os Correios está penalizando seus funcionários, como forma de tentar se recuperar de um rombo no fundo da empresa.

A categoria também está insatisfeita com o atual Portal Saúde, implantado em substituição ao antigo plano médico, Correios Saúde, no início do ano passado. De acordo com Damasceno, os funcionários vivem sofrendo com a falta de pagamento do plano, e com a demora de autorização para procedimentos cirúrgicos. “Além desses fatores, não se investe na empresa e as más condições de trabalho só tornam a atividade mais difícil”, avaliou o diretor de relações públicas do Sincotelba. Na Bahia, seis mil pessoas trabalham na empresa, sendo que aproximadamente três mil estão em Salvador.

Empresa afirma não ter planos de privatização
Os Correios afirmam que não existem planos de privatização da empresa, e que atualmente estão em andamento projetos para criação de empresas para atuar nos segmentos financeiro, de comunicação digital, e de logística integrada. Essas instituições, segundo explica a nota da empresa, serão administradas pela CorreiosPar – subsidiária de capital 100% estatal.

A entidade também afirma que o impacto da medida referente ao fundo de pensão dos funcionários é válida para 86,94% dos participantes do plano BD Saldado, e que o impacto médio sobre os salários será de 3,88%. Além disso, apenas 139 participantes sofrerão impacto superior a 15%.
A assessoria também explica que o Postalis – o fundo de pensão dos Correios – tem dois planos, o BD Saldado e PostalPrev. A contribuição extraordinária é válida apenas para empregados do plano BD Saldado, enquanto que empregados admitidos após 2005 estão no plano PostalPrev e não têm qualquer alteração em seu plano. Pela lei de previdência complementar, os fundos de pensão são obrigados a promover o equacionamento de déficit do plano BD Saldado, que decorre de uma série de fatores, dentre eles o resultado dos investimentos abaixo do esperado e mudanças atuariais.

Apesar da greve, os Correios afirmam que os serviços não deverão ser afetados, visto que o Tribunal Superior do Trabalho (TST) deferiu na última terça-feira, 17, uma liminar em favor dos Correios, determinando que a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios, Telégrafos e Similares (Fentect) e a Federação Interestadual de Sindicato de Trabalhadores dos Correios (Findect) que representam os trabalhadores mantenham efetivo mínimo de 80% em cada uma das unidades localizadas nas bases de atuação, bem como se abstenham de impedir o livre trânsito de bens, pessoas e carga postal em todas as unidades localizadas nas suas bases territoriais.

A decisão da ministra Maria de Assis Calsing prevê multa diária de R$ 100 mil em caso de descumprimento pelas federações. O objetivo é garantir a continuidade da prestação dos serviços, considerados “inequivocamente essenciais”, segundo despacho da magistrada.

De acordo com os Correios, 15 dentre os 36 sindicatos da empresa localizados em 12 estados, anunciaram a realização de assembleias para deflagrar paralisações com base em assuntos que não afetam os interesses dos trabalhadores. “A empresa considera o movimento injustificado, já que todas as reivindicações estão sendo negociadas com representantes dos trabalhadores em reuniões mensais do Sistema Nacional de Negociação Permanente dos Correios e, em alguns casos, até mesmo com mediação do TST”, defendeu os Correios, por meio de nota.

Os Correios estão operando com normalidade em todo o Brasil. Toda a rede de atendimento está aberta e todos os serviços, inclusive a entrega de Sedex e o Banco Postal, estão disponíveis. O movimento de paralisação está restrito a algumas regiões de oito estados: Bahia, Ceará, Minas Gerais, Mato Grosso, Paraíba, Paraná, Santa Catarina e interior de São Paulo (regiões de Campinas e Vale do Paraíba). Levantamento parcial realizado nesta quarta-feira (18) mostra que 98,66% do efetivo total dos Correios no Brasil está presente e trabalhando — o que corresponde a 118.695 empregados; na Bahia, de 5.673 empregados, 91,66% estão trabalhando, o que corresponde a 5.200 empregados, número apurado por meio de sistema eletrônico de presença. Nos locais em que há paralisação, o movimento está concentrado na área de distribuição — do total de 11.219 carteiros que deveriam trabalhar nos oito estados.

Fonte: Tribuna da Bahia