Petrobras quer vender fatia na Braskem

A Petrobras pretende vender a participação que detém na petroquímica Braskem, controlada pela estatal em conjunto com a Odebrecht, como parte do plano de desinvestimentos da ordem de US$ 13,7 bilhões, segundo apurou o Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado.

Unidade da Braskem no Polo Industrial de Camaçari: valor de mercado da petroquímica é de R$ 7,9 bi
Unidade da Braskem no Polo Industrial de Camaçari: valor de mercado da petroquímica é de R$ 7,9 bi

Caso encontre interessado, missão que, segundo fontes de mercado, não será fácil, pode obter cerca de R$ 2,8 bilhões, correspondentes à sua fatia de 36,1%. Esse valor pode ser acrescido de 30% por um prêmio de controle, o que elevaria o total a ser embolsado para R$ 3,6 bilhões.

A notícia, divulgada nesta segunda-feira, 13, fez com que as ações da estatal registrassem alta de mais de 10%. No final do pregão da Bovespa, acabaram perdendo força, mas, mesmo assim, fecharam com alta expressiva.

As ações ordinárias (ON, com direito a voto) subiram 4,99%, enquanto as preferenciais (PN, sem direito a voto) tiveram alta de 3,81%.Também influenciaram na valorização dos papéis as notícias sobre a proximidade da publicação do balanço da empresa e sobre o aumento do fluxo de capital estrangeiro na Bolsa, o que beneficiaria a estatal.

O valor de mercado da Braskem, de cerca de R$ 7,9 bilhões considerando o fechamento das ações de sexta-feira, está depreciado em torno de 30%, reflexo, conforme fontes, do fato de a empresa ter sido citada na Operação Lava Jato, que apura denúncias de cartel e corrupção na Petrobras. A petroquímica negou ter participação em qualquer ato de corrupção envolvendo a estatal.

Concorrente

Como não tem concorrente no Brasil, um possível interessado na fatia da Petrobras pode ser, conforme uma fonte, uma petroleira estrangeira. Outra fonte minimiza a dificuldade de se identificar um comprador para a fatia da Petrobras e diz que pode ocorrer tanto venda para um investidor estratégico como para o mercado.

Além de o nome da Braskem ter sido citado nas investigações da Polícia Federal no âmbito da operação Lava Jato, outro possível entrave à operação é o impasse comercial entre a petroquímica e a Petrobras. A estatal, além de sócia da Braskem, é também a principal fornecedora de insumos da companhia. Porém, desde 2013, as duas empresas ainda não conseguiram chegar a um consenso para a assinatura de um novo acordo de fornecimento de nafta no longo prazo. Procuradas, Petrobras, Braskem e Odebrecht não comentaram o assunto.

A venda de ativos pela Petrobras faz parte do plano da empresa de melhorar as suas finanças neste momento da crise. O plano é se desfazer de US$ 13,7 bilhões neste e no próximo ano, um programa lançado no início de março, já como marca das reformulações na estatal. Esse volume de venda de ativos é bem maior do que o previsto na gestão da ex-presidente Graça Foster, de US$ 5 bilhões a US$ 11 bilhões de 2014 a 2018.

Além dos entraves provocados pelas denúncias de desvios de recursos, como a dificuldade de ter o balanço financeiro do ano passado auditado pela PricewaterhouseCoopers e publicado, a Petrobras sofre ainda restrições financeiras por ter perdido o selo de garantia de boa pagadora da agência de classificação de risco Moody’s e por causa da queda do preço do petróleo.

Fonte: A Tarde