Novas concessões de rodovias devem ter preço de pedágio mais alto

Vitrine do primeiro mandato de Dilma Rousseff, a era de concessões em infraestrutura com tarifas baixas ficou definitivamente para trás. O governo, pressionado pelas empresas e pela piora no cenário econômico, concordou em elevar a rentabilidade das propostas para os concessionários e, consequentemente, os preços que essas poderão cobrar na exploração comercial de suas concessões.

Na terça-feira, 14, foi anunciado o teto do pedágio, que poderá ser cobrado na primeira rodovia que o governo pretende leiloar. A chamada Rodovia do Frango, entre Lapa (PR) e Chapecó (SC), poderá ter uma tarifa de até R$ 13,41 para cada 100 km percorridos. É quase o dobro do que se viu na primeira edição do Programa de Investimentos em Logística (PIL), quando os tetos estipulados pelo governo ficaram em R$ 7,60, em média.

A mudança de rumo atende uma antiga reivindicação do setor de concessão. Foi interpretada como um sinal de que o governo tenta mudar os ânimos dos empresários, que não querem colocar dinheiro em novos projetos justamente no momento em que o Brasil precisa de investimentos para reaquecer a economia. Para especialistas em infraestrutura, trata-se de uma tendência que se repetirá nas demais concessões.

Neste momento, porém, a decisão pode ter um efeito colateral indesejável: todas as estradas e ferrovias do plano de concessões são eixos centrais para o escoamento de carga do País. Se os leilões confirmarem um pedágio mais elevado, esse custo tende a ser repassado para os produtos. “O valor pode atrair o mercado, mas é algo assustador para a população em um momento em que a inflação já passa de 9%. Não há dúvida de que vai se traduzir em repasse no preço dos produtos e insumos transportados”, diz Carlos Campos, pesquisador de Infraestrutura do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Fonte: Tribuna da Bahia