Desempregado sustenta família tapando buracos na Estrada da Cetrel

Desempregado há três meses, há aproximadamente 30 dias o porteiro Reginaldo Gomes, 34 anos, tem se ocupado de jogar terra nos buracos da Estrada da Cetrel, no Polo Industrial de Camaçari, em troca da gorjeta de quem passa por lá. Ele conta que consegue aproximadamente R$ 50 por dia, utilizados no sustento da família – vive com a mulher e dois filhos pequenos. “Com este trabalho acabo beneficiando a todos”, acredita. O problema é que a situação – de degradação nas vias internas do principal centro industrial da região Nordeste – está longe de ser coisa boa.

A Rotatória da Via Frontal
A Rotatória da Via Frontal

Na área que concentra empresas que somam um faturamento anual de US$ 15 bilhões, que rende ao governo do estado R$ 1 bilhão por ano em arrecadação, os buracos crescem em ritmo chinês. Além de provocar engarrafamentos quase diariamente nas portas de grandes fábricas na região, o lento zigue-zague dos veículos em busca do trajeto menos irregular funciona como um desestímulo na atração de novos investimentos e mesmo na manutenção dos que já estão na região.

As condições das vias foram um dos assuntos tratados ontem no seminário Ciclo de Desenvolvimento Regional – Edição Camaçari, promovido pela Câmara Americana de Comércio (Amcham). Um dos presentes, o secretário de Desenvolvimento Econômico de Camaçari, Djalma Machado, reconhece que a situação das pistas por onde passam em média 5 mil veículos pesados por dia é “muito ruim”.

Ele diz que o município de Camaçari tem interesse em investir em melhorias nas vias do centro industrial, que é responsável por 90% da arrecadação do município, porém, esbarra em entraves legais. “Existe um interesse do prefeitura em investir, porque sabemos da importância do Polo, mas se colocarmos um caminhão de areia lá, podemos ter problemas legais porque a área pertence ao estado”, explica Machado.

O presidente da Associação das Empresas do Centro Industrial de Aratu (Procia), Marconi Oliveira, acredita que a situação atual funciona como um desestímulo a investimentos na região. “Ninguém vai investir sem ter como escoar adequadamente a produção”, afirma. “O governo tem dialogado conosco e sinaliza com um projeto interessante a ser apresentado em breve. Se a solução não for de emergência, ela não serve”, destaca.

Em relação às melhorias que devem ser apresentadas nos próximos dias, a esperança dos usuários recai para um material de melhor qualidade a ser utilizado na recuperação das vias.

Após a superação da situação de emergência, a expectativa do setor produtivo é em relação à implantação do condomínio industrial que o governo do estado pretende criar no Polo, para cuidar da gestão e da manutenção da área.

Ronaldo Gomes vive das gorjetas do tapa- buracos na Estrada da Cetrel
Ronaldo Gomes vive das gorjetas do tapa- buracos na Estrada da Cetrel

O superintendente do Comitê de Fomento Industrial de Camaçari (Cofic), Mauro Pereira, destaca a “vontade política” em relação à criação do condomínio. “A viabilidade do projeto passa por diversas questões, entre elas, a da segurança legal. Há vontade política de todos, o que é importante, mas só se poderá falar em consenso quando a questão legal estiver solucionada”, diz. A assessoria de imprensa da Superintendência de Desenvolvimento Industrial e Comercial (Sudic) disse que o orgão levanta a necessidade de recursos para as obras emergenciais. O órgão informa que ainda não tem um projeto final para os condomínios industriais, mas garante que os mesmos são discutidos “como estratégia de governo”.

Fonte: Correio 24 Horas