“A ordem do capital”, por Rogaciano Medeiros

Muita gente deve estar se perguntando o motivo de a mídia comercial comprometida com a direita irracional, que nos últimos seis meses só têm feito pregar o golpe, apoiar a defesa da volta da ditadura militar, entre outros atentados ao Estado de Direito, de uma hora para outra mudar completamente de posição e chegar, inclusive, a fazer editoriais condenando a proposta de impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

Com certeza, a brusca mudança de opinião não significa que veículos de comunicação de orientação editorial ultraconservadora como Globo, Folha de São Paulo, Band, SBT e outros da mesma linha, tenham tomado consciência sobre a conduta nefasta que vinham adotando, responsável pela onda de intolerância, ódio de classe e a escalada da violência política de concepção nazifascista.

A senha para a radical transformação no cenário político e principalmente midiático foi dada na semana passada, quando o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, de fato o chefe do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, fez questão de convocar a imprensa para afirmar não haver a menor possibilidade deimpeachment, que a vontade das urnas será respeitada e que a crise financeira dura, no máximo, até o primeiro trimestre do próximo ano.

Pois é, o capital resolveu acabar com a brincadeira irresponsável das elites malcriadas que, inconformadas com a derrota na eleição presidencial do ano passado, insistiam no terceiro turno, uma pretensão insana que gestou uma perigosa instabilidade política e agravou, drasticamente, os efeitos da crise financeira internacional na economia brasileira. Estão todos sendo enquadrados, políticos e imprensa. Até o raivoso senador tucano Aécio Neves (MG) agora mudou de conversa e jura nunca ter conspirado a favor do golpe.

Os procuradores do Ministério Público Federal no Paraná e o juiz Sérgio Moro, da operação Lava Jato, também estão sendo chamados à responsabilidade, com a advertência de que o combate à corrupção deve continuar, mas não pode, de forma alguma, comprometer a economia. As empreiteiras, cujos diretores estão presos, devem muitas dezenas de bilhões de reais aos bancos, e o sistema financeiro quer receber o dinheiro, o mais rápido possível.

No capitalismo é assim. O lucro não combina com desordem. A política não pode, de jeito algum, atrofiar a economia. E nada ou ninguém sobrevive quando atrapalha os negócios. É da natureza do modo de produção.

*Rogaciano Medeiros é jornalista

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