Emergência obstétrica do Santo Amaro vai fechar no dia 1º de novembro

A emergência obstétrica do Hospital Santo Amaro vai fechar no dia 1º de novembro, segundo afirmou o presidente da Associação de Obstetrícia e Ginecologia da Bahia (Sogiba), Carlos Lino, em coletiva nesta terça-feira, 13. Os serviços não emergenciais continuarão funcionando.

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A Sogiba, junto com outras entidades da área, denunciou que as instituições privadas de saúde fecham esses leitos para ampliar serviços da área que sejam mais lucrativos. Eles afirmam, ainda, que o fechamento das emergências obstétricas nessas maternidades vai sobrecarregar o serviço público.

“Existe uma peregrinação na cidade de gestantes procurando vagas em emergências sem conseguir. O médico recebe a ligação, coloca essa mulher dentro do carro, e não tem vaga em nenhum lugar”, declarou Francisco Magalhães, presidente do Sindimed. “Isso pode significar o colapso do atendimento obstétrico na Bahia, que já vive no limite”, declarou a instituição, em nota.

Segundo o Sindicato dos Médicos do Estado da Bahia (Sindimed), a maternidade do hospital “se utiliza de práticas preocupantes”. Segundo ele, no Santo Amaro, o plantonista de obstetrícia precisa atuar também como Médico de Guarda. Dessa forma, o profissional é responsável por todo o movimento pós-cirúrgico do hospital, procedimentos que não têm relação com a área de ginecologia e obstetrícia.

A reportagem do Portal A Tarde entrou em contato com o Hospital Santo Amaro nesta terça-feira, 13, para saber os motivos do fechamento e quais as alternativas para a população. A instituição ficou de enviar posicionamento sobre o assunto nesta quarta-feira, 14.

O governo do Estado se pronunciou sobre o assunto, por meio de nota da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), e disse que não há indicativo de redução de leitos na rede própria. Segundo a nota, atualmente, de acordo com o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), a Bahia possui 1.539 leitos de obstetrícia cirúrgica (SUS) e 2.525 leitos obstetrícia clínica (SUS). “No primeiro semestre, foram abertos 265 leitos em geral (clínicos, obstétricos, pediátricos e UTIs), distribuídos entre hospitais da rede própria e através de contratualização”. Leia íntegra da nota abaixo.

Sobrecarga
Segundo o Sogiba, com o fechamento, haverá uma sobrecarga nas maternidades públicas como a Tsylla Balbino e a Climério de Oliveira, cujos atendimentos se comparam ao do Santo Amaro. Além desse, os hospitais que possuem a emergência são: Português, Jorge Valente, Sagrada Família.

O hospital Tereza de Lisieux não receberá as pacientes que deixarão de ser assistidas no hospital porque atua como unidade de rede própria de um único plano de saúde.

Perdas
O hospital Santo Amaro é responsável por boa parte dos partos realizados na rede de saúde suplementar em Salvador, com 27 leitos. A instituição realiza cerca de 300 partos por mês, maior número de partos realizados entre as instituições privadas em Salvador.

O fato gera sérias consequências também para os médicos, uma vez que 60% da composição salarial é decorrente de produtividade.

Alertas anteriores
O comunicado oficial aos médicos da instituição e ao Sindicato dos Médicos foi dado no dia 30 de setembro pela diretoria do hospital. Além disso, o assunto já havia sido tratado pelo Sindimed com os médicos no dia 27 de setembro, com a presença de dirigentes Sogiba e do Conselho Regional de Medicina (Cremeb).

O problema também foi comunicado à Assembleia Legislativa, à Câmara Municipal de Salvador, à OAB e aos Ministérios Públicos do Estado e do Trabalho.

Nota de Esclarecimento – Maternidades

A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) informa que não há indicativo de redução de leitos na rede própria. Pelo contrário, a atual gestão vem fazendo vários esforços no sentido de ampliar a oferta de leitos em Salvador e no interior. No primeiro semestre de gestão, foram abertos 265 leitos em geral (clínicos, obstétricos, pediátricos e UTIs), distribuídos entre hospitais da rede própria e através de contratualização.

Para o segundo semestre, estão sendo feitos remanejamentos para, sem construção e/ou ampliação das unidades de saúde, conseguir 560 vagas de enfermaria e 70 de UTI, a partir da implantação de uma gestão de leitos eficiente em todos os hospitais da rede. Estes leitos vão contemplar não apenas a área obstétrica.

Hoje, de acordo com o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), o estado possui 1.539 leitos de obstetrícia cirúrgica (SUS) e 2.525 leitos obstetrícia clínica (SUS).

Fonte: A Tarde