Etanol pode ficar mais caro ainda este ano

Após tantos reajustes, principalmente no preço dos combustíveis, o consumidor baiano pode ter um presente de fim de ano nada agradável. Desta vez, o aumento seria no valor do litro do etanol (álcool etílico hidratado combustível, o AEHC) – o quarto em 2015. O acréscimo seria de até 3% sobre o preço do produto cujo valor médio está, atualmente, em R$ 2,89, de acordo com pesquisa feita no site da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

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Desde o final do mês de novembro, tramita na Assembleia Legislativa da Bahia, em regime de urgência, o Projeto de Lei 21.621/2015, do Governo do Estado, que eleva em um ponto percentual a alíquota do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) – de 17% para 18%. A esse valor seia somado mais 2% que é utilizado para a arrecadação do Fundo Estadual de Combate e Erradicação da Pobreza.

Após passar por várias comissões e ter sido incluída na Ordem do Dia na última segunda-feira, o PL deve ser votado pelos deputados estaduais nesta quarta-feira. Caso tenha aprovação, a norma – que altera pontos de outras quatro Leis – segue para sanção do governador, Rui Costa, o que pode acontecer ainda este ano. Além do combustível, também seriam afetados outros produtos como cosméticos, cervejas e refrigerantes.

Temendo mais prejuízos por conta dessa medida, uma vez que as vendas de gasolina e óleo diesel vem caindo (-7,5% e 9%, respectivamente), o presidente do Sindicato dos Comerciantes de Combustíveis da Bahia (Sindicombustíveis), José Augusto Costa, convocou os revendedores a comparecerem a Assembleia Legislativa, na tarde desta quarta-feira, para sensibilizar os deputados com relação à votação.

“Nós vamos pedir que eles façam uma contenção do projeto, uma vez que a medida vai impactar na sociedade como um todo. Além de nós, outros setores estão revoltados com essa possibilidade que vem em um momento inoportuno”, reclamou. Apesar disso, Costa garantiu que o possível reajuste não impactaria no preço da gasolina, uma vez que o produto utiliza álcool anidro na composição, diferentemente do AEHC. “O aumento também não significaria o repasse ao consumidor por parte dos postos. Isso poderia afetar os clientes”, salientou.

Três reajustes consecutivos são registrados nos preços em 2015
Só esse ano, outros três reajustes já haviam acontecido no etanol. O primeiro, de 8%, foi no mês de janeiro. O segundo ocorreu entre os meses de maio e junho e foi de 5%. O último, o mais alto, foi de 12% e aconteceu no mês de setembro. Contudo, o presidente do Sindicombustíveis alertou que pode haver, em breve, um novo aumento do álcool – tanto o anidro como o AEHC – e que poderia impactar até no preço da gasolina. “Como a safra do álcool já acabou e temos a disponibilidade do produto até o final de fevereiro do ano que vem, estamos em uma situação de risco, já que teríamos da possibilidade de importar o produto para atender a demanda”, comentou.

Para os motoristas, a notícia de um possível aumento não foi bem recebida. “Já não é mais novidade para ninguém quando isso acontece. Agora, cabe a nós correr para verificar onde há o produto mais barato”, disse o taxista, José Morais, enquanto abastecia o carro da sobrinha. No carro que usa para trabalhar, ele utiliza o gás natural. “Eu gasto pouco mais de R$ 30 por dia. Se fosse rodar com álcool, esse valor ficaria entre R$ 70 e R$ 80. Nem penso em voltar a usar, não apenas esse combustível, como também gasolina”, acrescentou.

O instalador, Vinícius Ferreira, gasta cerca de R$ 150 por semana para abastecer o carro e também se queixou. “Se agora já está complicado. Agora vai ficar mais para todo mundo. O jeito será botar o carro a gás ou pegar ônibus”. Já o marceneiro, Eneildo Cordeiro, questionou mais esse possível reajuste. “Acredito que o álcool era pra ser mais baixo. Não sei por que sobe tanto o preço. No meu caso, mesmo mais cara, prefiro botar gasolina na maioria das vezes, já que não consome tão rápido”, contou ele que colocou cerca de R$ 30 de etanol em um posto na Rua Djalma Dutra.

Fonte: Tribuna da Bahia