Noite da Beleza Negra agita sede do Ilê Aiyê neste sábado

Uma noite para celebrar a beleza das mulheres negras, mas principalmente para reafirmar o papel delas na sociedade, além de reconhecer e valorizar as raízes afrodescendentes presentes na formação da sociedade baiana. Esta é a proposta do concurso Noite da Beleza Negra, promovido pela Associação Cultural Bloco Carnavalesco Ilê Aiyê com apoio do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Cultura (SecultBA), que será realizado no próximo sábado (16), na Senzala do Barro Preto, sede da entidade, localizada no bairro do Curuzu, em Salvador.

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Esta é a 37ª edição do concurso. Enquanto a equipe de produção do evento trabalha a todo vapor no local, as 15 finalistas na disputa participam de uma série de atividades, que inclui preparação física, aulas de dança e sessão de fotos. Uma delas foi a aula de dança afro ocorrida na tarde da última terça-feira (12), na Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), sob o comando da professora Vânia Oliveira, referência na modalidade no Brasil. Para ela, que já foi princesa do Ilê Aiyê por dois anos, um concurso que ressalta a beleza negra feminina eleva a autoestima e promove a dignidade das mulheres. “Esse concurso vai para além da estética, traz um conceito valorizado, onde a mulher negra pode ser vista como bela”.

A candidata Cecília Cadile foi enfática ao afirmar que tem sido uma experiência enriquecedora participar das atividades preparatórias para a grande noite. “Vânia [Oliveira] é muito experiente em dança afro, que é uma dança identitária, construtiva, que vai além dos movimentos. É uma dança de pertencimento cultural e racial. Este é o terceiro ano que participo. Então, estou tentando ir com mais tranquilidade e equilíbrio para fazer uma boa apresentação e representar bem o tema do Ilê para o Carnaval deste ano, que é o ‘Recôncavo Baiano [é Afrodescendente]’”.

Outras participantes também são veteranas no concurso, como Milena Sampaio, que concorre pela quarta vez ao título de Deusa do Ébano – Rainha do Ilê Aiyê. “A expectativa é grande. A gente tem uma preparação psicológica, porque mexe com toda a família, com os amigos, com as pessoas que estão próximas. Será uma noite muito emocionante, cheia de ancestralidade, cultura e manifestações. Estou ansiosa, mas estou confiante também”, afirmou.

Para participar, as candidatas precisam se reconhecer como mulheres negras, saber dançar ritmos como ijexá e samba, além de conhecer a história de luta do movimento negro em prol da igualdade de direitos e promoção da paz entre os povos.

A produtora do Ilê Aiyê, Val Benvindo, explicou que todas as candidatas participam, na Senzala do Barro Preto, de ensaios e aulas com as Deusas do Ébano que venceram outras edições. “Elas [as Rainhas do Ilê de anos anteriores] passam dicas para as meninas [atuais candidatas] e explicam como é a entrada [apresentação] coletiva, a individual. É bem bacana porque todas essas atividades contribuem para que elas se conheçam mais. É bom porque já vai fazendo este entrosamento”.

Para Arany Santana, diretora do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI), órgão vinculado à SecultBA, é fundamental que o poder público apoie eventos que valorizem as manifestações culturais baianas. “O Governo do Estado da Bahia sempre se fez presente, através da Secretaria da Cultura, apoiando os eventos de matriz africana, por entender que esta é a nossa identidade. Vale ressaltar que fomos o primeiro Estado do Brasil a assinar o decreto que oficializou a adesão da Bahia à Década Internacional Afrodescendente, instituída pela ONU em 2015”.

Fonte: Assessoria de Comunicação – Secretaria de Cultura do Estado da Bahia – SecultBA