Microcefalia: Conheça a doença que tem tirado o sono das gestantes em todo o Brasil

A edição nº 87 da revista Nossa Metrópole já está circulando. Nela, você vai poder conferir muitas matérias sobre saúde, educação, tecnologia, entre outros temas. Confira abaixo um trecho da reportagem sobre a Microcefalia, uma doença que tem tirado o sono de muitas mães em todo o país. A matéria completa você pode conferir em um dos nossos exemplares, distribuídos nos principais pontos comerciais da cidade.

Waiting for a baby.

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A gravidez é um momento muito importante na vida da mulher. Quando descobre que está grávida, ela sonha e traça planos para receber o presente tão aguardado que é o seu filho. Mas como reagir a notícia de que o bebê pode nascer com um problema de saúde? A administradora de empresas Ana Carolina Cordeiro, moradora de Camaçari, sabe bem o que é isso. Aos 23 anos, ela recebeu, com 30 semanas de gravidez, a informação que seu bebê nasceria com microcefalia. No início, um susto, mas depois Ana Carolina, que já havia trabalhado com crianças portadoras de necessidades especiais, se tranquilizou. “Minha reação foi a melhor possível, se comparada ao desespero de muitas pessoas. Eu já trabalhei com crianças especiais, elas são amáveis, inteligentes e super carinhosas. Tudo é questão de ponto de vista. Acredito que Deus só te dá aquilo que você é capaz de lidar”, disse.

MICROCEFALIA 3
Ana Carolina Cordeiro com seus dois filhos

A administradora de empresas teve Zika entre a 8ª e 12ª semana de gestação. Até a 22ª semana, todos os exames apresentaram normalidade, sem alteração. “Na 30ª semana, fiz uma ultrassonografia porque eu havia caído e estava com fortes cólicas. Neste exame, foi constatada uma dilatação no ventrículo lateral do cérebro. Orientada pelo médico, fiz uma morfológica para ter informações mais detalhadas do caso”. Foi neste exame que Ana Carolina recebeu o diagnóstico de microcefalia. Ela, então, passou a investigar o que teria motivado a anomalia. “Comecei a pesquisar entre os meus familiares e os dos pais dos meus filhos se algum deles tinha doenças cromossômicas. A resposta foi negativa”, explicou. “Fiz o exame do líquido amniótico para constatar a infecção do zika, então, deu positivo”, completou. Quanto à suspeita de que a microcefalia possa ter relação à vacina supostamente vencida contra a rubéola, Ana Carolina é enfática: “Eu não tomei vacina contra a rubéola e nem tive a doença na primeira e nem na segunda gravidez. Acho um absurdo afirmarem que a microcefalia tenha relação com a vacina”, comentou Ana, que também é mãe de Rafael Benjamin, um bebê de 11 meses. Carlos Bernardo nasceu no último dia 16 de dezembro, em um hospital particular de Salvador. A equipe médica coletou todo sangue do cordão umbilical e da placenta para análise, além da urina do recém-nascido. A única infecção encontrada, tanto nos exames da mãe quanto nos do bebê, foi do Zika Vírus, sendo descartada qualquer outra que causasse a microcefalia, como rubéola, toxoplasmose ou citomegalovírus. O bebê de Ana Carolina, apesar de ter nascido prematuro, com 35 semanas, e com microcefalia, não apresenta problema mais grave de saúde. “Agora, é começar um acompanhamento com fisioterapeuta, neurologista e fonoaudiólogo para que Carlos Bernardo não desenvolva complicações”, enfatizou a mamãe.

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Entenda o que é microcefalia

A microcefalia é uma doença em que a cabeça e o cérebro das crianças são menores que o normal para a sua idade, influenciando o desenvolvimento mental. Isso ocorre porque os ossos da cabeça, que ao nascimento estão separados, se unem muito cedo, impedindo que o cérebro cresça normalmente. É uma doença grave, que não tem cura. A criança pode precisar de cuidados por toda a vida. Isso depende da gravidade da microcefalia e se ela possui outras síndromes além da microcefalia.
O que pode causar microcefalia?

• Consumo de cigarro, álcool ou drogas como cocaína e heroína durante a gravidez;
• Síndrome de Rett;
• Envenenamento por mercúrio ou cobre;
• Meningite;
• Desnutrição;
• HIV materno;
• Doenças metabólicas na mãe como fenilcetonúria;
• Exposição à radiação durante a gestação;
• Uso de medicamentos contra epilepsia, hepatite ou câncer, nos primeiros 3 meses de gravidez.
As crianças com microcefalia podem ter
graves consequências como:

• Atraso mental;
• Déficit intelectual;
• Paralisia;
• Convulsões;
• Epilepsia;
• Autismo;
• Rigidez dos músculos.

Infecções como rubéola, citomegalovírus e toxoplasmose durante a gravidez também aumentam o risco do bebê ter microcefalia. Além destas, existe suspeita da dengue, zika vírus e a chikungunya.

 

 

Fernanda Melo / Redação Nossa Metrópole