Com greve dos servidores, algumas UPAs de Camaçari suspendem atendimento

Os servidores públicos municipais de Camaçari decretaram greve por tempo indeterminado, nesta segunda-feira (28). A decisão foi tomada após uma assembleia realizada no último dia 21 de março com a categoria.

Segundo o presidente do Sindsec (Sindicato dos Servidores Públicos de Camaçari), Silval Cerqueira, os trabalhadores reivindicam reajuste salarial de 18% e mais 26 itens, entre eles a implantação do Hospital Municipal, Concurso Público para Guarda Municipal e Reforma do PCCV (Plano de Carreiras, Cargos e Vencimentos).

Ficou decidido ainda que, conforme determina a Lei, serão mantidos 30% dos serviços essenciais, como STT, Samu, hemodiálise, Defesa Civil e coveiros. Das cinco UPAs existentes no município, apenas duas estarão funcionando, a da Gleba A/Gravatá e de Arembepe. As UPAs da Nova Aliança, Vila de Abrantes e Monte Gordo estarão de portas fechadas. De acordo com o sindicato, tanto a UPA da Gleba A/Gravatá quanto a de Arembepe estarão com 100% do quadro de funcionários em atendimento. Os funcionários do município que atendem no Hospital Geral de Camaçari (HGC) permanecem com suas atividades normalmente.

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Segundo sindicato, a UPA da Gleba A/Gravatá permanece aberta
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Não haverá atendimento na UPA da Nova Aliança

Na manhã desta terça-feira (29), os servidores participaram de uma passeata que partiu da Prefeitura até a Câmara de Vereadores, onde a categoria pretende se reunir com os parlamentares. “Esperamos que os vereadores se sensibilizem com os trabalhadores e participem conosco da negociação com o governo”, declarou Silval.

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Manifestação seguiu até a Câmara Municipal

Os professores da rede municipal de ensino também estão em greve. O movimento ocorre desde o dia 18 de março passado, prejudicando o ano letivo dos estudantes. No site do sindicato que representa a categoria, o Sispec (Sindicato dos Professores do Município de Camaçari), a diretoria esclareceu as razões que levaram os professores a paralisarem suas atividades, enfatizando o descaso da Administração em relação ao reajuste salarial para todos os níveis, a precariedade da educação pública de Camaçari, com escolas semiabandonadas, merenda escolar de péssima qualidade, carência de pessoal e falta de materiais básicos nas unidades de ensino. A categoria aprovou a próxima assembleia para dia 31/03, quinta-feira, às 9h da manhã, no Sindticcc.

Prefeitura de Camaçari sempre primou pelo diálogo com os trabalhadores (confira nota da Prefeitura):

É de conhecimento público que a Prefeitura de Camaçari, de modo semelhante à grande maioria dos municípios baianos e mesmo brasileiros, encontra-se em situação delicada em decorrência do momento econômico que o país atravessa e dos critérios impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal.
Em razão dessa situação, em março deste ano, a administração municipal encaminhou detalhada exposição de motivos ao TCM (Tribunal de Contas dos Municípios) solicitando uma análise sobre os fatos apresentados e a orientação devida para possibilitar a Prefeitura assegurar os reajustes salariais dos professores e demais servidores públicos efetivos.
Os sindicatos – Sispec (Sindicato dos Professores do Município de Camaçari) e Sindsec (Sindicato dos Servidores Públicos do Município de Camaçari) – foram comunicados através de ofício sobre o pedido de análise ao Tribunal de Contas dos Municípios. A administração municipal aguarda a orientação do TCM para proceder da melhor formar, garantindo os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.
A Prefeitura sempre primou pelo diálogo com os trabalhadores e se manterá assim, disposta a conversar e buscar o entendimento, reafirmando que a administração municipal tem a intenção de conceder o reajuste, uma vez resolvidos os impasses legais. E reforça a necessidade do bom senso dos servidores, para garantir a prestação dos serviços à população, que não pode, em hipótese alguma, ser prejudicada. *Ascom

Fernanda Melo / Redação Nossa Metrópole