Aleitamento Materno: Conheça as dificuldades das mamães de primeira viagem

Desde a confirmação da gravidez, nenhum episódio é capaz de chamar mais atenção do que a saúde do bebê prestes a chegar. Os cuidados necessários para o desenvolvimento da criança despertam o interesse como nenhum outro assunto e a mãe faz de tudo para garantir que o bebê passe os dias longe de infecções e alergias.

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No próximo mês, entre os dias 1 e 7 de agosto, acontece a semana mundial do aleitamento materno em mais de 170 países. O objetivo é estimular a amamentação e melhorar a saúde de crianças ao redor do mundo.
Para falar sobre o tema, a nossa reportagem conversou com Maria Elaine Valadão, doula, consultora de amamentação, coord. do Prosa Gestante e Fórum de Humanização de Camaçari.

Nossa Metrópole – Em alguns casos, principalmente quando o parto ocorre por meio de uma cirurgia cesariana, o leite materno demora a chegar. Por que isso acontece, o fato vai impedir a mãe de amamentar?
Elaine Valadão – No caso das cesarianas agendadas (fora do trabalho de parto), esse processo se deve pois o corpo não ativou a produção dos hormônios responsáveis pela produção e ejeção do leite, mas não significa que mesmo o nascimento do bebê sendo via cesariana a amamentação não deva ser estimulada.

É importantíssimo e, inclusive, prática indicada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que o bebê tenha acesso ao peito na primeira hora de vida, o que chamamos de hora dourada, independente da via de parto.

Nossa Metrópole – Por não ter experiência, muitas mães acabam desistindo logo nas primeiras dificuldades?

Elaine Valadão – Com certeza. É importante que a recém chegada mamãe saiba que o primeiro alimento do bebê será o colostro, líquido claro e viscoso que antecede o leite materno e supre as demandas de glicose do bebê, além de ser um importante antibiótico. Entre 48 a 72h após o parto, o leite geralmente aparece, chamamos esse fato de apojadura. O fenômeno é natural e por isso os pediatras afirmam que é normal que o bebê perca até 10% do seu peso de nascimento até a descida do leite.

Nossa Metrópole – Algumas mamães ingerem um suplemento nutricional logo no primeiro mês de vida, por acreditar que seu leite é fraco. Trata-se de um mito?

Elaine Valadão – Vou responder essa pergunta com um dado científico. Existe um estudo feito com mulheres do mundo todo onde a composição do Leite Materno foi analisada e acreditem: a composição do Leite Materno de uma mãe desnutrida da África é a mesma de uma mãe bem nutrida dos Estados Unidos. Toda a reserva de nutrientes, gordura, proteínas que a mãe tem, passa pelo leite para criança. A natureza prioriza sempre a vida que está chegando, por isso não existe leite fraco.

O que se confunde muito é quando o bebê que só amamenta passa mais tempo se alimentando que um bebê que toma suplemento. O leite materno é muito melhor digerido que o leite artificial e o peito vai muito além de somente alimentar. Imagine a diferença entre um adulto que come um filé de peixe grelhado e um adulto que come uma picanha gordurosa. Quem fica mais ativo durante a digestão?

Nossa Metrópole – O leite materno oferece muitos benefícios para vida. Quais são eles?

Elaine Valadão – Além de toda riqueza nutricional do Leite Materno (alimento mais completo do mundo), temos:
– Proteção contra doenças infecto-contagiosas ao longo de toda a vida da criança e redução das alergias e refluxo;
– Vínculo mãe-bebê, onde a mãe passa a conhecer bem aquele bebê pela observação e se reconhecer enquanto mãe e nutriz;
– Praticidade em ter o leite pronto em qualquer local na temperatura e quantidade certas;
– Segurança alimentar, evitando contaminação por conta de recipientes mal higienizados;
– Segurança e acolhimento do recém-nascido para um desenvolvimento fisiológico e cognitivo mais completo;
– Redução de custo com a alimentação infantil (uma consultoria não custa mais que 7 latas de leite artificial);
Nossa Metrópole – Quais são as dificuldades que as mães enfrentam nos primeiros dias da amamentação?
Elaine Valadão – Dificuldades na pega, mama ingurgitada (empedrada), baixa produção por diversos motivos e confusão dos bicos (do peito e artificial).

Essas dificuldades são encaradas como incompetência da nova mãe em nutrir, acalmar e cuidar do seu bebê. Todos ao redor, especialmente familiares e até alguns pediatras, sempre oferecem caminhos alternativos para solução mais fácil para o choro do bebê. É claro que a complementação é um recurso muito importante para as exceções e problemas específicos, mas não deveria ser utilizada com tanta arbitrariedade e frequência.

Nossa Metrópole – Você oferece o serviço de consultoria em amamentação. Como funciona?
Elaine Valadão – Podemos ajudar a mulher, ainda gestante a se preparar para a amamentação, passando as informações com evidência científica e todas as técnicas a serem usadas assim que o bebê nasce, mas geralmente somos solicitadas por mães que tem dúvidas e/ou dificuldades no início e ao longo da amamentação.

De um modo geral, faço duas visitas domiciliares, que duram em torno de 2h cada. É quando eu apresento material e informação, avalio junto com a mãe quais técnicas podem ser utilizadas para melhorar a experiência de amamentação e faço a verificação da eficácia da utilização das técnicas.

Por Fabiana Monte