Quem disse que pesquisa eleitoral decide eleição?

Uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira (24), pelo Instituto Paraná, divulgou a corrida pela sucessão municipal de Camaçari. O levantamento apontou o candidato Antônio Elinaldo (DEM) com 26,2% das intenções de voto, logo após, vem Luiz Caetano (PT), com 13,4%. Tude (PMDB), candidato a vice-prefeito de Elinaldo, segue na terceira colocação com 0,5%, e Jailce Andrade (PCdoB) com 0,3%, de acordo com a pesquisa espontânea. Não souberam informar 52% dos entrevistados, 0,5% apontaram outros candidatos, e 7% não opinaram. O Instituto Paraná Pesquisa ouviu, entre os dias 18 e 22 de agosto, 610 pessoas. A margem de erro é de 4 pontos. Vale ressaltar que pesquisas como essas já foram realizadas por diversos institutos no decorrer de várias campanhas eleitorais. Entretanto, apesar dos índices apontarem tais intenções de votos, as urnas nem sempre confirmaram o resultado divulgado nessas pesquisas eleitorais.

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Nas eleições presidenciais de 2014, as pesquisas de intenções de voto de alguns institutos mostraram, com o tempo, a sua total falta de confiabilidade. O Instituto Paraná Pesquisa, por exemplo, no início da campanha do pleito em segundo turno, realizou uma pesquisa em que o candidato Aécio Neves (PSDB) aparecia com uma visível vantagem sobre Dilma Rousseff (PT). O tucano pontuava com 49% das intenções de voto, contra 41% da candidata petista. Em votos válidos, Aécio tinha 54%, e Dilma, 46%. Na pesquisa espontânea, em que não foram apresentados os candidatos, Aécio tinha 45%, e Dilma, 39%. O resultado nas urnas, com a vitória da petista, comprovou a falta de concisão do levantamento.

A experiência ao longo do tempo com as pesquisas eleitorais nem sempre tem sido aceitável. Como prova disso podemos citar uma das maiores e mais absurdas pesquisas divulgadas nas eleições para governador, em 2014, quando Paulo Souto (DEM) apresentava 44% das intenções de voto, seguido por Rui Costa (PT) com 15%. Na ocasião, o Ibope ouviu 1.008 eleitores em 59 municípios, entre os dias 23 e 25 de agosto. O que chama a atenção é que a referida pesquisa foi encomendada pela TV Bahia, de propriedade da família do falecido senador Antônio Carlos Magalhães e do prefeito de Salvador ACM Neto, do DEM. O nível de confiança da pesquisa seria de 95%, ou seja, o instituto tinha 95% de certeza de que os resultados obtidos estavam dentro da margem de erro. Tendenciosa, ou não, o povo provou nas urnas. Rui Costa foi eleito, no primeiro turno, com 54,53%, contra 37,39% de Paulo Souto, uma diferença de mais de um milhão de votos. O candidato derrotado Paulo Souto, em entrevista para os veículos de comunicação, disse que se surpreendeu com a vitória de Rui. “Claro que foi uma surpresa. Não sou capaz de dizer o que houve”, afirmou.

Contestar ou não as pesquisas de opinião, quando as mesmas já comprovaram por A + B que possuem falhas graves, é facultativo a cada cidadão, típico de um estado democrático. Não se trata de descredibilizar um instituto, e sim de sinalizar o perigo que uma pesquisa de opinião pode ou não influenciar na decisão do eleitorado. As discrepâncias desse tipo de pesquisa, com pouco menos de dez dias que iniciou-se a campanha eleitoral, podem até animar o candidato que se apresenta em primeira colocação no ranking, ou talvez tentar “desanimar” quem segue após, mas está longe de manipular ou até mesmo influenciar os que estão mais atentos à marcha eleitoral que está apenas começando.

Por Fernanda Melo