Corpos de vítimas de acidente com a Chapecoense são recebidos em cerimônia fúnebre

Os últimos dias na cidade de Chapecó foram de muito sol e calor. Mas, neste sábado, 3, chegou a chuva e o frio e o clima fez com que a melancolia fosse ainda mais intensa no adeus aos ídolos da Chapecoense. Mesmo assim, não faltaram apoio e demonstração de amor dos torcedores, que não mediram esforços para saudar aqueles que viraram heróis na cidade.

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Os corpos das vítimas começaram a chegar às 8h30 deste sábado para um velório coletivo na Arena Condá, estádio da Chapecoense. Jogadores, equipe técnica, convidados, jornalistas e tripulantes morreram na queda do avião na Colômbia. Acidente matou 71 pessoas e deixou seis feridos.

A cerimônia fúnebre tem a presença do presidente da República Michel Temer. Depois, haverá um cortejo pelas ruas da cidade catarinense que deve durar cerca de uma hora e meia. Três caminhões decorados com a bandeira e as cores do time vão desfilar com os caixões. Eles já estão posicionados no pátio do aeroporto.

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Após o cortejo, os corpos serão levados para a Arena Condá, onde acontece o velório coletivo. Durante a primeira hora, a cerimônia será fechada, apenas com a presença da família e dos amigos das vítimas. Depois, os portões do estádio serão abertos para o público em geral.

Apesar de serem esperadas mais de 50 mil pessoas no velório coletivo, apenas 19 mil poderão entrar no estádio para não exceder a capacidade máxima do local. Na área externa da Arena Condá, foram instalados telões e banheiros químicos para as pessoas que não conseguirem ingressar na cerimônia.

Cerimônia de adeus

Os portões da Arena Condá abriram às 7h30, mas bem antes já havia torcedores na fila para entrar no estádio. Sarita Maria Lopes, de 51 anos, e sua filha, Pamela Lopes, 29, foram as primeiras a chegar. “Estamos aí desde às 22h de ontem (sexta-feira)”, contou a mãe,com a camisa da Chapecoense e uma capa de chuva, já que havia chovido a noite toda e garoou pela manhã.
Frio, chuva e fome não foram suficientes para impedir que elas dessem o último adeus aos ídolos. “A gente andava na rua e encontrava eles. Eram pessoas muito do bem e farão muita falta”, conta Pamela.

Solidariedade foi a palavra-chave nos últimos dias em Chapecó e na noite de sexta-feira não foi diferente. Vizinhos do estádio levaram café e biscoitos para as duas fanáticas torcedoras, que prometeram não abandonar o local. “Agora vamos vir mais nos jogos para ajudar na reconstrução desse clube maravilhoso. A gente vinha antes mesmo da Chape ganhar tanto destaque”, assegura Sarita.

As filas para entrar nos dois portões que foram reservados para os torcedores davam voltas no estádio. As camisas da Chapecoense predominavam, mas também tinham pessoas com uniforme do Flamengo, Santa Cruz e Internacional. Todos unidos.

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Este é o número de mortos na tragédia com o avião que transportava a equipe da Chapecoense, jornalistas e convidados, no último dia 29, na Colômbia. Seis pessoas, entre eles três jogadores, sobreviveram e estão hospitalizadas

Entre o verde e branco das camisas, a mãe Franciele tomava conta dos pequenos Erik, de 9 anos, Luiz Otávio, 3, e Emanuele, 2. “Tentamos ir ao aeroporto, mas a polícia não deixava chegar perto. Viemos para a arena e chegamos na fila às 4 horas.”

Dentro do estádio, torcedores não paravam de gritar e cantar músicas que tanto apoiaram o time durante os jogos e neste sábado viraram homenagens. Torcedores de outros clubes levaram bandeiras de seus respectivos clubes, como Atlético-PR, Santa Cruz, Cruzeiro, São Paulo, Palmeiras, Coritiba, Bahia dentre outros. Sem violência, nem cânticos agressivos. A Chapecoense conseguiu até isso.

Fonte:  A Tarde