Chegada do Verão eleva temperatura e os preços nas praias de Salvador

A cerveja e a água de coco são geladas, mas o preço esquenta com a chegada do Verão. E isso sem contar o acarajé, quente por natureza. Pouco mais de uma semana após a chegada da estação, os preços estão fervendo no Porto da Barra e vão aumentar em breve nas outras praias. O CORREIO percorreu a orla de Jaguaribe, Piatã, Farol de Itapuã, Porto da Barra e Ribeira. Na Barra, o latão de cerveja chegou aos R$ 8. Os preços nas alturas têm levado os banhistas a buscar alternativas, como a adoção de coolers com bebidas e comidas entre os acessórios indispensáveis na praias da capital baiana.

No Porto da Barra, a água de coco que custava R$ 4 passou para R$ 5, o que representa 25% de aumento. “Cobrar R$ 5 num coco é absurdo. Na orla de Ondina, compra-se por R$ 2”, conta o cozinheiro Marcelo Alves dos Santos, 39. Os banhistas que adotaram o cooler reclamam. “Os preços nessas praias são sempre um assalto, uma falta de respeito. Só quem paga são os desavisados. Por causa disso, tem uns seis anos que trago as coisas de casa”, alerta o técnico Ronival Santos, 30.

O acarajé também já aumentou em um real na Barraca da Érica. Há duas semanas, o preço era R$ 8, sem camarão, e agora custa R$ 9. No Acarajé da Rita ainda não houve alteração, mas ela avisa que o preço vai subir por conta dos aumentos no preço do botijão de gás e do camarão.

O que já aumentou no Porto da Barra foi a cerveja. A gelada, que agora sai por R$ 8, era encontrada até pouco mais de uma semana entre R$ 5 e R$ 6. A vendedora Elenice Nele, 43, conta que, às vezes, nos finais de semana, chega a cobrar

R$ 8 pela cerveja. “Só faço isso quando tenho que pagar o ajudante e quando o movimento tá grande”, afirma. Além disso, explica, o preço do gelo subiu de R$ 8 para R$ 10.

‘Gringos’ espertos
Os irmãos Lourdes Franciscon, 57, e Elias Franciscon, 55, vindos de Chapecó, Santa Catarina, foram alertados sobre os preços. Adquiriram um cooler e passaram a comprar cerveja em um depósito próximo à praia. Por lá, o latão sai por R$ 2,50. “Temos uma irmã que mora aqui e ela nos aconselhou a fazer isso porque vale mais a pena”, indica Elias. “Até os ‘gringos’ estão chorando”, brinca o ambulante Sidney Lemos, 43.

As turistas Maria Pia, 65, e Maria Helena Martins, 62, de São José do Rio Preto, São Paulo, pagaram R$ 7 na cerveja ontem. “Não choramos o preço, viemos desprevenidas. Para o turista, é meio complicado trazer cooler. Pagamos caro, mas só estou comprando porque vou embora hoje (ontem)”, contou Pia, que veio à Bahia pela primeira vez. As paulistas ainda pagaram R$ 20 pelo sombreiro pequeno com duas cadeiras.

Kit praia
Para economizar, a esteticista Ana Carolina Perone, 27, e o pai, João Perone, 54, decidiram que era mais vantajoso adquirir as próprias cadeiras de praia. “Como vamos passar um mês por aqui, achamos melhor comprar. Vale mais a pena a longo prazo”, conta ela, que é de São Carlos, São Paulo. Eles pagaram R$ 35 numa cadeira pequena e R$ 54 na maior. A família alugou apenas o sombreiro médio, por R$ 7. Os valores do equipamento vão de R$ 4 a R$ 30 na Barra. Já as cadeiras custam entre R$ 3 e R$ 5 cada.

Os preços variam no local. O cozinheiro Marcelo Alves, 39, desembolsou R$ 20 no sombreiro médio com três cadeiras. Já as amigas Roseane Caetano, 49, Luma da Mata, 29, e Dora Rosa, 41, pagaram R$ 10 pelo mesmo tipo de sombreiro pequeno, acompanhado de duas cadeiras. “Mas a gente só conseguiu esse precinho porque frequentamos muito aqui e o barraqueiro já nos conhece”, revela Luma.

Na Barraca de Nice, comandada por dona Eunice Pereira, 59, quem está com “mercadoria” (produtos não comprados com a vendedora) tem que pagar R$ 5 em cada cadeira. Isso quando ela resolve alugar.

O casal Chaiane Fernandes, 27, e Agnaldo Júnior, 29, pagou 10 reais pelo kit de sombreiro e um par de cadeiras. Eles levaram o próprio isopor, mas quando a cerveja acabou compraram a R$ 6 a Skol em Piatã. Para Chaiane, os barraqueiros deveriam cobrar metade do valor do kit para o cliente que consumisse.

“Eu trago meu cooler, pago a cadeira e o sombreiro. Só compro o que não tem jeito”, conta Agnaldo. “Também costumo chorar o preço se o movimento estiver fraco. Geralmente, o vendedor abaixa o valor”, dá a dica.

Pechinchar é a alternativa
Na opinião do educador financeiro Reinaldo Domingos, a praia é um excelente lugar para barganhar e as pessoas devem arriscar mais a prática. “Essa é uma coisa que o brasileiro aprendeu, mas tem vergonha de fazer”, comenta. Para o especialista, esses preços são fruto da velha lei da oferta e da procura. “Os vendedores veem que há pessoas procurando e vão cobrar mais porque há quem pague. As pessoas não fazem preparo prévio para as viagens e ficam à mercê disso. O certo é levar a cervejinha de casa mesmo, usar alternativas econômicas e não exagerar no consumo”, alerta ele.

O educador acrescenta ainda que diversão não é sinônimo de consumo e que o mais correto é conversar com os amigos/família para aproveitar sem precisar “consumir tudo o que vê pela frente”. Ele aconselha também que é preciso estabelecer os limites dos gastos. “Se uma pessoa tem dois filhos, antes de sair casa deve dizer a eles quanto podem gastar e deixar que eles decidam o querem. Isso também é uma forma de educação financeira”, diz.

Domingos acredita ainda que os próprios vendedores não têm o planejamento adequado. “É natural que eles ganhem mais nesse período, mas eles devem pensar melhor como conquistar o cliente”, sugere.

Fonte: Correio 24 Horas