Materiais escolares devem ficar até 10% mais caro este ano, afirma IBGE

Manter os filhos nas escolas particulares não tem sido uma tarefa fácil. Com os reajustes da mensalidade e o aumento no valor do material escolar, os pais precisam buscar estratégias para manter os gastos com a educação dos filhos dentro do orçamento e evitar dívidas.

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O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que os gastos com educação subiram 8,63% em Salvador e Região Metropolitana em 2016. Apesar do soteropolitanos terem gastado mais com a educação, o aumento ficou abaixo da média nacional, que foi de 8,86%. E quem mais sofreu com esse aumento foram os pais que possuem filhos no ensino fundamental (+ 12,32%) e no ensino médio (+ 12,33).

 

As expectativas são de que os gastos com a educação tenham um novo aumento este ano. De acordo com a Associação Brasileira dos Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares e de Escritório (Abfiae), é esperado um reajuste entre 5% e 10% no valor dos materiais escolares. O principal motivo, conforme explica o presidente da associação, Rubens Passos, é o valor de matérias-primas como o papel. “Os cadernos devem ficar, em média, 15% mais caros”, afirma.

 

 

Estratégias
Economizar tem sido o mantra de muitos pais no momento de ir comprar os itens do material escolar para os filhos. “Economizei no ano passado porque não comprei mochila e economizei em outros materiais também. Esse ano tenho mais gastos, mas mochila para mim é o pior”, reclama a enfermeira Alexsandra Mota, 34 anos. Contudo, a enfermeira tem uma estratégia para tentar gastar menos na hora de comprar a mochila da filha. “Vou comprar uma de qualidade boa e que no ano que vem eu possa reaproveitar”, conta.

 

O preço da mochila também é uma queixa de Manuela Silva, 33, líder de setor. “Esse ano a lista de material foi enorme. A mochila é um dos itens que mais pesa no bolso. Só a lancheira mesmo tá R$ 70. Esse ano vou comprar só a mochila e reaproveitar a lancheira do ano passado”, informa.

 

Reaproveitar o material escolar do ano anterior é uma boa dica para diminuir o custo na hora de comprar os itens pedidos pelas escolas. “Uma dica é tentar reaproveitar o material que teve pouca utilização no ano anterior. Sempre algum material fica remanescente”, sugere o mestre em Controladoria e Finanças e professor dos cursos de Administração e Ciências Contábeis da Estácio FIB, Alex Magalhães.

 

O educador financeiro lembra que uma boa relação entre os pais pode ser uma saída na hora de economizar na compra dos itens escolares. “Os pais precisam se organizar em grupos para fazerem compras coletivas, porque é mais fácil conseguir descontos comprando no atacado. Você pode também conseguir repassar os materiais escolares de um colega para o outro, que está entrando em um novo ano escolar. É possível fazer rodízio de livros, material didático e, até mesmo, da farda com um primo ou irmão”, diz Magalhães.

 

A dona de casa Claudia Marins, 37, conta que o que mais tem pesado no bolso são os livros didáticos. Precisando comprar o material escolar para os três filhos, ela tem buscado comprar também livros seminovos, que são vendidos a preços mais baratos. Porém, nem sempre tem sorte de encontrar o que busca em sebos e feiras e acaba recorrendo as próprias livrarias. “Os livros estão pesando, mas estou comprando livros usados também, quando encontro. Eu já gastei mais de R$ 1.000 e ainda tenho mais livros para comprar”, afirma.

 

Pesquisa
A pesquisa pode ser uma saída para encontrar itens da lista de materiais pedida pela escola por valores mais em conta. Em 2016, por exemplo, os artigos de papelaria tiveram um aumento de 6,72%. Assim, comparar os preços entre papelarias diferentes é uma alternativa para minimizar os gastos com esses materiais.

 

Uma outra dica é fazer o orçamento de toda a lista de materiais em uma mesma papelaria e buscar cotar os preços também em livrarias e papelarias de bairro. “Leve a lista em várias lojas e compare os preços e condições de pagamento. Lembrando de que o pagamento à vista pode ser negociado, com pedido de desconto”, diz o educador financeiro.

 

 

Esse é o ritual de Manuela Silva antes de comprar o material escolar dos filhos. “Para economizar a gente precisa pesquisar. Eu vou nas lojas, anoto todos os valores e depois volto no lugar onde o orçamento ficou mais barato”.

 

Fazer o orçamento pela Internet é uma saída para quem tem pouco tempo para ir às lojas e comparar o preço. “Em alguns casos você consegue encontrar preços mais em conta. Mas os pais precisam ficar de olho no prazo de entrega, para que o material chegue antes do retorno das aulas”, avisa Magalhães. É importante também se certificar de que o site é seguro, se há lojas físicas e os registros de reclamações de outros consumidores a respeito dele.

Fonte: Correio