FEBRE AMARELA: Brasil registra pior surto da história. Saiba como se proteger

Os casos de febre amarela já superaram o pior ano da doença e, em menos de um mês, bateram recorde histórico. O Ministério da Saúde atualizou os números e a situação pode ser ainda pior, porque as informações sobre o número de casos nos estados levam um dia para chegar ao Ministério.

O foco da transmissão está no Espírito Santo e também em Minas Gerais. A preocupação da Organização Mundial de Saúde é que a doença se espalhe para outros estados.

Em São Paulo, o número de mortes subiu de três para seis. A Secretaria de Saúde disse que duas pessoas foram infectadas no interior do estado e as outras quatro ficaram doentes em viagem a Minas.

No Espírito Santo, há 30 casos sendo investigados. Nas contas do Ministério da Saúde, o país já tem 107 casos confirmados da doença e 46 mortes. É o maior surto já registrado no país até hoje e o número pode ser ainda maior, porque o governo federal divulga os balanços com um dia de atraso em relação aos dados encaminhados pelos estados.

Na Bahia, que já registrou a primeira morte suspeita e existem outros cinco casos em alerta, a preocupação com a febre amarela aumentou, mesmo em Salvador, que não é considerada área de risco. Exatamente por causa das viagens e também por conta do movimento de macacos infectados, a Organização Mundial da Saúde informou que novos casos devem ser detectados em outros estados do país, em áreas que antes não estavam com risco de transmissão.

Macacos morrem infectados com Febre Amarela em Camaçari

Desde o último dia 3 de março, o Município recebe reforço de 30 mil doses de vacina contra febre amarela, enviadas pela Secretaria Estadual da Saúde (Sesab). A medida é uma ação preventiva, adotada por conta da confirmação da doença como causa-morte de quatro macacos encontrados nas localidades de Monte Gordo e Sucupira, ambas situadas na zona rural de Camaçari.

Apesar do registro, a coordenadora do Departamento de Vigilância à Saúde, Fátima Guirra, reforça que não precisa haver alarme. “Não há nenhuma notificação da doença em humano”, esclarece ao lembrar que quem possui o cartão de vacina deve apresentá-lo no ato que for receber a dose.

A imunização vai estar disponível para atualização do cartão de vacinação, tanto para quem está iniciando, quanto quem vai tomar a segunda dose. Nesse último caso, respeitando o intervalo de 10 anos, tanto para adultos, quanto para crianças que tenham recebido a primeira dose a partir dos cinco anos de idade. Os menores de cinco podem tomar o reforço com 30 dias.

A vacinação ocorre de forma descentralizada. As doses foram distribuídas em todas as Unidades Básicas de Saúde e de Saúde da Família. Na cobertura da vacina contra febre amarela, no período de 2009 a 2017, o Município tem 85,74% de crianças, com até quatro anos, vacinadas.

O que é a febre amarela?

A febre amarela é uma doença infecciosa febril aguda, causada por um vírus, que pode levar o indivíduo infectado à morte em cerca de uma semana se não for tratada rapidamente. De acordo com o Ministério da Saúde, a doença é transmitida por mosquitos e é comum em macacos, que são os principais hospedeiros do vírus.

Como a doença é transmitida?

O vírus é transmitido pela picada dos mosquitos transmissores infectados e não há transmissão direta de uma pessoa infectada para outra pessoa.

A doença possui dois ciclos epidemiológicos distintos de transmissão: silvestre e urbano. Nos dois casos, o vírus transmitido é o mesmo, assim como os sintomas da doença. O que difere um ciclo do outro é o mosquito transmissor.

No ciclo silvestre da febre amarela, os macacos são os principais hospedeiros do vírus, e os vetores são mosquitos com hábitos estritamente silvestres, sendo os gêneros Haemagogus e Sabethes os principais na América Latina. Quando o mosquito pica um macaco doente, torna-se capaz de transmitir o vírus a outros macacos e também ao homem.

No ciclo urbano, o homem é o único hospedeiro com importância epidemiológica e a transmissão ocorre pelo mosquito Aedes aegypti, comum nas cidades e que também transmite a dengue, o zika vírus e a Chikungunya.

O que está acontecendo no Brasil é um surto ou uma epidemia?

Um surto, pois, de acordo com o Ministério da Saúde, o aumento do número de casos da doença acima do normal ocorre em regiões específicas, sem espalhamento. Já a epidemia se caracteriza quando um surto acontece em diversas regiões.

Como é feita a prevenção contra a febre amarela?

De acordo com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), como a transmissão urbana da febre amarela só é possível por meio da picada de mosquitos Aedes aegypti, a prevenção da doença deve ser feita evitando sua disseminação. Os mosquitos criam-se na água e proliferam-se dentro dos domicílios.

Qualquer recipiente como caixas d’água, latas e pneus contendo água limpa são ambientes ideais para que a fêmea do mosquito ponha seus ovos, de onde nascerão larvas que, após desenvolverem-se na água, se tornarão novos mosquitos. Portanto, deve-se evitar o acúmulo de água parada em recipientes destampados.

Para eliminar o mosquito adulto, em caso de epidemia de dengue ou febre amarela, deve-se fazer a aplicação de inseticida por meio do “fumacê”.

Como posso me proteger contra a febre amarela?

A única forma de evitar a doença é por meio da vacinação.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que apenas uma dose da vacina já é suficiente para a proteção por toda a vida. No entanto, como medida adicional de proteção, o Brasil adota esquema de duas doses da vacina: uma aos noves meses de idade e um reforço aos quatro anos.

Outras medidas preventivas são o uso de repelente de insetos, mosquiteiros e roupas que cubram todo o corpo.

Quais são os sintomas da febre amarela?

Os sintomas iniciais incluem febre de início súbito, calafrios, dor de cabeça, dores nas costas, dores no corpo em geral, náuseas e vômitos, fadiga e fraqueza. Em casos graves, a pessoa pode desenvolver febre alta, icterícia (coloração amarelada da pele e do branco dos olhos), hemorragia e, eventualmente, insuficiência de órgãos. Entre 20% e 50% das pessoas que desenvolvem a doença grave podem morrer.

A febre amarela pode levar à morte em cerca de uma semana, se não for tratada rapidamente.

Por Fabiana Monte