‘Não consigo viver em paz’, diz mãe de Emanuel e Emanuelle após laudo

Mãe dos irmãos Emanuel e Emanuelle Gomes, a enfermeira Marinúbia Gomes recebeu com satisfação o resultado do laudo pericial da reconstituição divulgado nesta terça-feira (2), que concluiu que a médica Kátia Vargas perseguia os irmãos em alta velocidade, antes de eles serem projetados contra o poste, no bairro de Ondina, em 2013. Para ela, o resultado pode acelerar a marcação da data do julgamento da médica Kátia Vargas.

 

“Não era novidade para mim, nem pra o Ministério Público, nem para a população, mas não deixa de ser uma satisfação e uma vitória e mais uma esperança, que essa espera angustiante da data (do julgamento) acabe. Estou confiante que a justiça dê seu parecer. Essas coisas mexem muito com a gente, revive muito, não consigo viver em paz com isso”, disse a enfermeira.

 

Para Marinúbia, as imagens das câmeras de segurança divulgadas ainda em 2013 já mostravam claramente o que tinha acontecido. “As imagens são óbvias e são claras. A população que me para na rua diz que acha um absurdo a morosidade da justiça em relação a isso”, contou.

 

Doente também por causa do desgaste emocional, a enfermeira afirmou ainda que o julgamento deve aliviar um pouco do sofrimento dos últimos anos, por ter que reviver sempre a situação e a perda dos filhos de maneira trágica. Apesar de saber que nunca vai esquecer os filhos.

 

“Vai dar um descanso na minha mente em relação a justiça ser feita. Esquecer que perdi meus filhos eu não vou esquecer nunca. Viver em paz eu não sei se viverei. Eu perdi tudo em minha vida”, lamentou.

 

A expectativa dela é de que o júri popular seja marcado com brevidade e que o caso seja exemplo para a sociedade. “Eu tomarei isso pra mim como exemplo que as pessoas não podem sair por aí discutindo, que isso sirva de exemplo, não somente de violência de trânsito, que a justiça mostre que tem sua vez, nem Kátia Vargas, nem ninguém pode agir daquela forma”.

A defesa da médica Kátia Vargas, em São Paulo, que emitiu uma nota afirmando que não houve perseguição entre ela e os irmãos e que o laudo é ‘falho’.

 

Reconstituição
A reconstituição foi realizada em dezembro do ano passado, pelo Departamento de Polícia Técnica (DPT), no bairro de Ondina. Cinco testemunhas foram ouvidas e relataram no local o que viram, ajudando a perícia a simular o que aconteceu.

A reconstituição do caso contou com a presença de peritos do Departamento de Polícia Técnica (DPT), policiais, fotógrafos e professores da Universidade Federal da Bahia. Foram utilizados veículos do mesmo modelo que a médica e os irmãos utilizavam.

A perícia usou ainda equipamentos de GPS e tecnológicos para medir com precisão o deslocamento e velocidade dos veículos. A reconstituição foi feita sob o comando do perito criminal Paulo Botelho e acompanhada pelo diretor do Departamento de Polícia Técnica, Elson Jéferson Neris Silva. Também estavam presentes o advogado da médica Kátia Vargas e um perito contratado por ela.

 

 

Kátia Vargas negou em vídeo
A médica Kátia Vargas disse pela primeira vez, em vídeo gravado pela defesa e divulgado à imprensa em dezembro de 2013, que não jogou o carro que dirigia contra a moto onde estavam os irmãos Emanuel e Emanuelle Gomes.

“Não posso assumir algo que não fiz. Acredito na Justiça dos homens e na divina. Se perdermos a fé na Justiça, acho que perderemos a fé na vida. A verdade existe e tem que aparecer”, disse Kátia Vargas.

A oftalmologista ficou dois meses presa e foi liberada no dia 16 de dezembro. Denunciada pelo Ministério Público da Bahia por duplo homicídio qualificado, a oftalmologista estava presa desde o dia 17 de outubro.

“O acidente é trágico mais para ela (mãe de Emanuel e Emanuelle) do que para mim. Apesar do sofrimento, eu estou viva, mas sei que esta dor não tem preço, não tem tamanho, não tem tempo pra passar. Não sei nem se passa”.

Fonte: Correio