Camaçari dispõe de poucas unidades de acolhimento para dependentes químicos

Jovem, inteligente, vistosa e cheia de saúde. As características de Aline Aguiar, 23 anos, são de uma mulher com futuro promissor, não fosse a dependência à cocaína desde os 17. A família já tentou alguns tratamentos, porém o vício persiste. “O máximo que consegui ficar sem usar drogas foi 20 dias”, revela a mulher dominada pela substância.

 


Aline faz parte dos oito milhões de brasileiros que são dependentes de maconha, álcool, crack ou cocaína. De acordo com o Levantamento Nacional de Famílias dos Dependentes Químicos (Lenad Família), feito pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em 2013, pelo menos 28 milhões de pessoas no Brasil têm algum familiar com dependência química.

 

Segundo o delegado Leandro Acácio, da 18ª DT de Camaçari, a droga está entre os principais motivos de apreensão na cidade, pelo menos 80%. O fato se repete na Delegacia de Atendimento Especial à Mulher (Deam).

Não há como negar, esse é um dos principais problemas da sociedade atual e desencadeia vários outros.  A cada ano, o número de usuários sobe nas estatísticas. O mais agravante são as dificuldades do tratamento para dependentes.

De acordo com parâmetros da Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil oferece 0,34% dos leitos que seriam necessários para a população. Em Camaçari, o único meio disponível, sem custo, para dependentes químicos é o Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Outras Drogas ((CAPS AD), que apresenta uma série de limitações.

Ligado à Secretaria de Saúde, o Caps AD funciona há exatos dois anos na Rua Monte Gordo, nº 358, bairro do Inocoop. O local segue o formato ambulatorial, sem opção de internamento e funciona de segunda à sexta, com uma equipe multiprofissional composta por Assistentes Sociais, Psicólogos, Educadores físicos, Terapeutas ocupacionais, Musicoterapeuta, Enfermeira, Técnicos de enfermagem, Médico clínico e Acupunturista, Psiquiatra, Sociólogos, Artista plástico, Farmacêutica, Assistentes administrativos e Auxiliar de serviços gerais.

De acordo com a Assistente Social, coordenadora do Caps, Caroline Cavalcante, mais de 450 atendimentos são realizados por mês na unidade. “O fluxo é bem intenso e diariamente ocorrem atividades em grupos, individuais, depende muito do grau de dependência de cada indivíduo”, pontua. Caroline ainda acrescenta que 84% dos atendimentos são dependentes do sexo masculino, a maioria tem idades entre 31 e 36 anos.

As opções de reabilitação com internamento na cidade só está disponível na rede particular. É o caso da Cades – Barmenia, com capacidade para 40 dependentes químicos, apenas do sexo masculino. Funciona há 20 anos, na entrada de Jauá, orla de Camaçari.

De acordo com o médico Marcos Rodrigues, responsável pela clínica, 10 dependentes estão em processo de reabilitação. “Atendo pessoas entre 18 e 40 anos, a maioria, dependentes do crack. Infelizmente, muitos não conseguem concluir o tratamento e acabam abandonando a clínica por conta da abstinência”, explica.

Levando em consideração a escassez do serviço e profissionais capacitados na área, o Centro Profissionalizante de Camaçari (CPC), lançou, um curso técnico em Reabilitação de Dependentes Químicos, com o objetivo de fortalecer a conscientização do papel dos especialistas nesse tipo de tratamento, assim como qualificar profissionais para um segmento tão carente.

Alerta
No Brasil, são consideradas drogas os analgésicos, estimulantes, alucinógenos, tranquilizantes e barbitúricos, além do álcool e substâncias voláteis. As psicotrópicas são as drogas que têm tropismo e afetam o Sistema Nervoso Central, modificando as atividades psíquicas e o comportamento.

Por Marlene Ferreira