Com casa cheia, Sandra de Sá agita noite camaçariense no Teatro Cidade do Saber

O astral lá em cima, repertório recheado de clássicos e o público com as canções na ponta da língua. Foi desse jeito que o Teatro Cidade do Saber (TCS), em Camaçari, se transformou num verdadeiro baile black com o Baculêju da de Sá na noite desta sexta-feira (18).

No projeto, a cantora Sandra de Sá faz um passeio pelos seus mais de 30 anos de carreira, sem esquecer de novas canções, trazendo arranjos diferenciados, poesia e a participação de artistas da atual cena musical como o rapper Denegrindo e as cantoras Simone Floresta, Nanda Fellyx e a camaçariense Jamily Diwlay.  A ideia é revelar o que de novo é produzido no país dentro de um grande sarau e “provar aí que a gente está batendo bem de frente com a indústria da anticultura”.

“Isso também coloca a gente em evidência, porque é muito importante pra um artista da terra participar de um momento como esse e provar que a gente tem qualidade pra participar de momentos como esse e também realizar momentos como esse, estando com um artista de renome ou não”, destacou Jamily.

O projeto teve início há cerca de 10 anos na Fundição Progresso no Rio de Janeiro e depois as rodas musicais passaram a ser na casa dos amigos, até resultar no Baculêju, que tem a identidade registrada de Sandra de Sá e traz no repertório Olhos Coloridos, Bye Bye Tristeza, Retratos e Canções, Demônio Colorido e Enredo do Meu Samba. “Cara, tudo o que eu faço é a minha essência como artista. Tudo que eu faço vem da alma, coisas que eu estou mesmo com tesão, querendo fazer”, declarou Sandra de Sá.

Para o público esse foi o momento de poder cantar junto grandes hits da carioca. “Algumas [músicas] antigas que tocaram aqui me fizeram ir no passado”, pontuou a psicóloga, Clademira Falcão, 33 anos.

Pela primeira vez em um show de Sandra de Sá, a professora de inglês, Bárbara Suelem, 28, lembra que olhos coloridos, foi a primeira música da artista que cantou quando participava do coral ali mesmo na Cidade do Saber e afirmou que a admiração pelo trabalho da cantora vai muito além da arte. “Eu acho que por mais que ela seja artista, ela continua sendo uma pessoa maravilhosa, humilde”.

Na avaliação do padre Valmir, que também esteve no evento, o show foi um espaço de empoderamento e valorização da cultura e do povo negro. “Essa cantora negra traz para gente animação e um olhar sobre a cidade”, disse, além de representar a “presença de nós, enquanto negros, nesse espaço”.

“O show foi fantástico. Eu vi nos olhos das pessoas, as pessoas sorrindo e eu acho que a missão do artista, a nossa missão é essa, é recarregar a bateria da galera porque a gente sabe que o mundo lá fora está esquisito”, concluiu Sandra de Sá.

“O público participou, dançou. Acho que o mais importante para quem faz produção é isso. É ver os olhos, é ver as pessoas cantando na alegria e a artista sair feliz”, complementou a produtora do show em Camaçari, Elisângela Sena.

 

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