Quem trabalha com produto típico chega a lucrar 40% mais no São João

Falta pouco mais de 30 dias para o São João – época de comer milho assado, pular fogueira, dançar um arrasta-pé. Para quem é dono de um pequeno negócio, principalmente no interior do estado, é tempo também de dar uma esticada na produção, visando incrementar as vendas, lucrar com a festa – até 40% mais, segundo os especialistas.

A data tem um peso ainda maior para produtores artesanais de licor de Cachoeira e região, distante 116 km da capital: é a garantia de renda extra. Quase 100% de toda fabricação é comercializada no período.

Proprietário da mercearia A Gauchinha, Roque Amorim chega a produzir mil litros da bebida dentro de casa e diz que a receita com as vendas o ajuda a organizar as finanças. “A cada ano testo novas infusões. O de jenipapo ainda é o mais vendido, mas com o passar dos anos investi em mais sabores, como umbu e banana. O licor serve para equilibrar as contas”, afirma.

Em Cruz das Almas (a 153 km de Salvador) tem dono de hotel, pousada, imóvel, restaurante, lanchonete, mercearia, supermercado, todo mundo ansioso com a ideia de que atrações de peso, como Mastruz com Leite e Flávio José, entre outros, atraia turista de toda parte e injete dinheiro extra na economia local.

De acordo com o consultor empresarial do Sebrae Bahia, Wagner Santos, porém, do mesmo jeito que o licor precisa de seis meses em infusão para “apurar”, não dá para esperar só pelos santos João e Pedro. É preciso correr. Segundo ele, planejamento, olho no estoque e mão na massa são palavras-chave para quem é do comércio e quer fazer bonito ao som do forró.

“Seja um comércio de comida típica, de adereços, vestuário; do setor hoteleiro, que esteja alugando casa para a temporada; da área de eventos, decoração ou fogos de artifício, o segredo é um só: ficar atento ao mercado, à concorrência. Foco no preço, no produto, na promoção e na disponibilidade da oferta”, diz.

“Afinal, você precisa negociar com o fornecedor a entrega do insumo no prazo adequado, de forma que se possa armazenar, utilizar no tempo certo. Adotar uma política estratégica de logística para entrega ou transporte, se for o caso. Ter consciência da sua capacidade operacional, saber se vai precisar de mão de obra extra para dar conta da demanda. Até mesmo levar o seu negócio até determinada feira, quermesse”, afirma Santos.

Sócio da Licor de Roque Pinto, também em Cachoeira, Roseval Pinto conta que chega a dobrar o número de funcionários nesta época do ano. “Produzimos o ano todo, já que cada fruta tem sua época, mas é agora, um pouco antes do São João, que dobramos a equipe para que todos os 100, 120 mil litros que produzimos estejam prontos na hora”.

Esta semana a reportagem de A TARDE viajou ao Recôncavo baiano para conferir de perto como andam os preparativos e as expectativas de quem aposta na data como forma de recuperar o resultado do primeiro semestre. A região reúne cidades com tradição na festa, como Santo Antônio de Jesus, Amargosa, Santo Amaro e Maragojipe.

Em meio à crise que atinge a maioria, para muitos o São João ainda é o ponto alto do calendário comemorativo desses municípios. A equipe de reportagem solicitou à Secretaria de Turismo da Bahia e à Superintendência de Fomento ao Turismo (Bahiatursa) números a respeito da importância econômica do São João no estado, mas até o fechamento desta edição não havia obtido resposta.

Como forma de impulsionar o setor, o Ministério do Turismo divulgou que vai investir

R$ 4 milhões em festas juninas por todo o país e que já há 103 eventos cadastrados com esse perfil no Calendário Nacional de Eventos, de 15 estados de todas as regiões brasileiras.

Arraiá na capitá

Quem é da “capitá” também pode lucrar com o São João, “sim, sinhô”. Até mais do que os atuais 30%, em média, como diz a sócia, ao lado do marido, da Boutique dos Bolos, no Rio Vermelho, Raquel Bispo. Ela, que é especialista em doces e salgados, fornece para bufê, evento, enfim, já foi vencedora de um concurso culinário junino promovido por uma rede de televisão com um bolo de aipim simples com paçoca de amendoim.

Nesta época, ela diz que vende de tudo típico: do bolo de milho verde à pamonha. “Hoje meu faturamento aumenta 30% com o São João, mas podia ser bem melhor”.

Já para a educadora Márcia Santos, o que era hobby virou renda. Ela faz tiaras e laços, e a Belezinhas da Gabi chega a faturar 40% mais. “Fazemos durante o ano inteiro, tanto em datas festivas quanto para encomendas, mas no Carnaval e no São João o lucro chega a ser de 50% em cima das vendas, com os adereços custando de R$ 10 a R$ 30”, conta.

Fonte: A Tarde