Artista trabalha na preservação da cultura nordestina

Edy Xote. Foto: Divulgação

 

Os sertanejos dominam o mercado musical há anos e, agora, estão comandando também as festas de São João, costumeiro reduto do forró. Diante desse cenário, preservar o sentido de uma festa tão tradicional e importante para a cultura nordestina tem sido quase como uma missão para diversos artistas forrozeiros, uma vez que, a cada dia que passa, novos estilos são inseridos. Isso, sem falar nos ritmos que em nada têm a ver com a época mas que ocupam lugar de grande destaque nos palcos das festas de São João. Assim, o autêntico forró, aquele de raiz, vai ficando bem distante, levando consigo, o verdadeiro sentido da tradição de uma festa tão conhecida por nos fazer entrar em contato com nossas memórias afetivas.

Em Camaçari, um artista que defende essa bandeira é o cantor Edy Xote. Movido pela paixão que sente pelos festejos juninos, ele conta que só de ouvir a música “Caboclo Sonhador”, já sente o coração arder feito fogueira de São João, por isso, ela tem espaço garantido em seu repertório. “É uma música que não só representa o período de São João, como a minha vida, a minha infância”, conta o artista com saudade da época em que, ainda pequenino, já cantarolava músicas de forró e ficava encantado ao ouvir o som da zabumba e do triângulo embalando as festas juninas que freqüentava com sua mãe. Uma sensação que ele deseja transmitir para as crianças de hoje em dia, tão seduzidas pelas músicas eletrônicas atuais. “Tenho muitos projetos para desenvolver no sentido de resgatar a cultura junina para as nossas crianças e fazer com que a meninada, mesmo sendo “enfeitiçada” pelos estilos musicais do momento, como funk e arrocha, possam conhecer e tomar gosto pelo ritmo que, de fato, representa a cultura nordestina”, completa.

Inspirado pelo cantor e compositor Flávio Leandro, o artista revela que resgatar as raízes da cultura nordestina é sua grande motivação. Ao longo de dez anos de carreira, Edy Xote confessa que jamais abriria mão de levar o forró autêntico para os quatro cantos do mundo. “Prefiro parar de cantar do que ser mais um artista que segue o bonde, pra me ‘enquadrar’ nesse novo padrão. São dez anos focado em fazer música com a cara do nordeste, em honrar o forró de raiz e é assim que sempre vai ser”, afirma.

Natural de Santa Luz, interior da Bahia, ele está radicado em Camaçari há 28 anos. E, apesar de estar envolvido com a música desde criança, foi aqui, em um shopping da cidade, que o artista se profissionalizou. Hoje, ele lamenta que o forró tradicional esteja sendo “engolido” por tantas variáveis do ritmo que foram surgindo ao longo do caminho. O artista fala que em lugares do sudeste como São Paulo, por exemplo, o ritmo original acaba tendo maior visibilidade do que no estado de origem. “Infelizmente, o São João está perdendo a verdadeira essência no nordeste, a cultura se perdeu muito. As pessoas acham que botar um trio pra tocar ou uma sambadeira pra dançar já é o suficiente para alimentar a cultura. Mas isso não basta”, lamenta.

Por isso, além dos planos de alcançar a criançada, Edy Xote também sonha alto, quer romper as fronteiras brasileiras levando o som da sanfona e da zabumba para a Europa. Uma porta que ele pretende abrir após o lançamento do CD que está acabando de produzir. “Se tivermos um bom desempenho no São João, já teremos meio caminho andado para finalizar o CD e buscar o apoio necessário de patrocinadores para fazer o som da nossa cultura ecoar pela terras européias”, espera.

 

Por: Elba Coelho