25 de Julho: Camaçarienses falam sobre empoderamento e o combate ao preconceito

 

 

25 de julho é um marco histórico no calendário, pois a data celebra o Dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha. Em Camaçari, várias mulheres audaciosas, resistentes e militantes são referências pelos trabalhos que desenvolvem no combate ao racismo, o sexismo e a discriminação de classe.

Uma delas é a empreendedora  Kaká da Flor, que há quatro anos influencia o público feminino, por meio do trabalho voltado ao empoderamento da mulher negra, através de vestidos, acessórios e o turbante – peça que resgata a identidade e ancestralidade da cultura afro.

 

No Ateliê, situado na Rua do Telégrafo, no bairro da Gleba B, Kaká da Flor recebe a visita de várias mulheres que vão a procura de adereços que transmitam o sentimento de pertencimento a cultura africana. “Posso dizer que hoje conquistei um espaço no coração das camaçarienses, principalmente das mulheres negras que encontram aqui a representatividade, a ancestralidade e a ideia de pertencimento cultural. Nós sabemos que a mulher negra sofre preconceito e nós conseguimos brigar contra ele, se posicionando e nos empoderando. Essa é a essência do Ateliê. Trabalhar com o empoderamento e autoestima da mulher negra”, ressalta Kaká.

 

 

É através da dança do ventre, que a bailarina Ângela Cheirosa desenvolve um diálogo sobre a consciência e empoderamento feminino. “Hoje tenho o reconhecimento do trabalho voltado para dança do ventre, mas não é só um trabalho sobre a prática da dança, é também uma forma de conscientizar e o empoderar as mulheres, prioritariamente é um exercício de consciência e inserção da mulher negra na dança, no mercado de trabalho e na vida.  25 de julho é uma data especial, pois é um marco histórico, uma alerta para as mulheres negras e não negras e para sociedade dá conta de como as diferenças não são respeitadas em nossa cidade”, dispara Ângela Cheirosa, também fundadora do Projeto Flor de Lótus, em Camaçari.

 

Para a Mestranda em gênero, mulheres e feminismos, Shirlei Silva, a data merece uma reflexão sobre a luta diária da mulher negra por espaço de destaque numa sociedade ainda preconceituosa. “Reconhecer que sistemas discriminatórios intersecionais nos atravessam é o primeiro ponto. A Mulher Negra Latino Americana e Caribenha não sofre preconceito, ela é discriminada por ser negra e mulher, além dos outros marcadores sociais, e, portanto é inferiorizada desde a colonização das Américas.  Portanto a denúncia, o enfrentamento e avanço vem a partir do reconhecimento de que o lugar imposto pela sociedade para nós não é o nosso destino, mas fruto de uma estrutura que podemos desmantelar. Sigamos firmes e em movimento!”, observa.

O Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-americana e Caribenha é também o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. Foi sancionado no Brasil, em 2014, por meio da Lei 12.987/2014. Tereza de Benguela foi líder quilombola e símbolo da resistência contra a escravização.

Comemoração – A data em Camaçari será celebrada com uma roda de conversa e um pocket show de dança do ventre. O 1º Sarau 25 de julho acontece às 17h, no Shopping Riviera, Centro de Camaçari.

Como convidadas especiais, o encontro reúne figuras importantes da cultura e educação do município como a educadora Edicleia Pereira, a cantora Elly Nascimento, a professora e bailarina Angela Cheirosa e a empreendedora Kaká da Flor.

A iniciativa é uma ação da Cia de dança Angela Cheirosa e Projeto Flor de Lótus com o apoio do Shopping Riviera.

Serviço:

Sarau 25 de julho
Onde: Shopping Riviera
Quando: Quinta, 25 de julho, 2019
Quando: Evento Gratuito