“Acredito numa educação partida da vivência e do respeito”, afirma a professora Regina Célia

Camila São José

Professora há 34 anos, Regina Célia Souza é um exemplo para alunos e educadores de Camaçari.

 

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Transformar, conscientizar os alunos sobre seu lugar no mundo, torná-los protagonistas da sua história e habilitá-los a ler a realidade. Assim Paulo Freire já apontava os objetivos da educação. Movida também por esses estímulos e pelo amor à profissão que escolheu, Regina Célia Souza da Cruz, 53 anos, é exemplo de dedicação ao ofício de educar.

“Acredito numa educação partida da vivência, do respeito. Acredito no potencial dos meus alunos, tudo o que desenvolvo é porque acredito que eles são capazes”, defende.

Professora Regina atua há 34 anos na rede pública municipal de Camaçari, tendo deixado a marca do seu trabalho nas escolas Rural Boa União, São José, José Marques Teixeira, Marcus Ivo Bona, Centro Educacional Hidelbrando Lima Filho e atualmente na Escola Colônia Montenegro – onde hoje possui 37 alunos, do 3º ao 5º ano do Ensino Fundamental I. Além de ter passado pela coordenação pedagógica do Projeto Escola Ativa.

Dizem que filho de peixe, peixinho é. Com a educadora não foi diferente. Ela seguiu os passos da mãe, Lúcia Maria Andrade Souza, professora por 25 anos na rede pública do município. “Minha referência veio da minha mãe. Já era uma coisa que eu convivia com ela, nessa dinâmica de escola e me identifiquei”, conta. “Tudo o que eu sei fazer hoje eu tenho que agradecer a ela, porque vi e vivi a prática dela”, declara.

Técnica em magistério, a educadora concluiu a formação em 1984 e no ano seguinte já estava em sala de aula, cheia de planos e ideias, ensinando aos filhos de imigrantes que trabalhavam nas fazendas da região de Catu de Abrantes.

A profissão foi se tornando algo muito maior do que dar aula e cumprir atividades. Ser professora é, também, fazer pensar, se aproximar das famílias, comunidade, cultura, identidade, é saber nomes e histórias. Nessa linha, desenvolveu projetos de vivência de 2014 a 2018 no Marcus Ivo Bona, em Busca Vida. “Os meninos produziam, escreviam e aprendiam em cima de experiências que eles tinham”, relata. Dentro do projeto de leitura, os estudantes, de todas as séries, escreveram livros com diferentes linguagens textuais e temáticas, como causos, lendas, cordel, relatos, poesia e história em quadrinhos.

Entre os desafios, está a educação para além do saber de matérias como Português, Matemática e Ciências, mas a tarefa de ensinar princípios e lidar, muitas vezes, com a violência. “Hoje as famílias fazem da escola um depósito. Então, você tem que ensinar relacionamento, boas maneiras, como conviver em sociedade, porque eles já estão adentrando a escola sem isso. São pouquíssimas as comunidades que encontramos mais estruturadas, com famílias mais estruturadas e que se recebe o aluno para fazer o seu papel”, desabafa.

Para Regina, a educação está em constante movimento e além dos livros, é preciso acompanhar conciliar o mundo fora dos muros da escola com as salas de aula. Na jornada como professora, ressalta que o maior prêmio é o reconhecimento. “O mais gratificante para o professor é quando você entende que fez parte da vida daquele aluno, que você contribuiu”, diz.

Nessa profissão árdua, cada dia mais desvalorizada, é fundamental, além da vocação, a dedicação e amor pelo que faz. “Nós deixamos marcas na vida de cada criança que a gente passa”, finaliza. Assim como disse o patrono da educação brasileira, Paulo Freire: “A educação é um ato de amor, por isso, um ato de coragem. Não pode temer o debate. A análise da realidade. Não pode fugir à discussão criadora, sob pena de ser uma farsa”.