Novembro Negro: tranças afro afirmam beleza e história do povo negro

Tranças feitas pelo Studio Afra Style, que há quatro anos atua em Camaçari. Fotos: Herbert Loiola e Divulgação

Cada vez mais cresce o número de adeptos às tranças afro, sejam homens ou mulheres. Existem aqueles que recorrem às tranças para passar pelo processo de transição capilar e assumir o cabelo natural, por gosto e vaidade, ou por moda. O penteado fez e faz sucesso entre artistas negros e hoje ‘bomba’ com as influenciadoras digitais e tem tomado conta da cabeça de muitos camaçarienses.

Porém, as tranças representam muito mais do que estética. Elas são carregadas de simbologia, história e resistência. Na África, cada tipo de trança poderia representar alguma coisa: estado civil, status, religião, etnia, classe social ou até mesmo para atrair uma pessoa do outro sexo.

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No período da escravidão no Brasil, os negros escravos utilizavam as tranças para fazerem mapas, a exemplo das tranças nagô em que as divisões e reconhecimento de cada um era feito a partir do penteado, que continha sempre um mapa para auxiliar nas fugas e encontro dos quilombos mais próximos. As mulheres chegavam a esconder grãos (arroz, feijão, milho) para o plantio e garantia da suplementação alimentar de suas famílias.

Para Rozane Kelly, trancista, as tranças carregam a ancestralidade do povo negro. Foto: Hebert Loiola

O ato de trançar marca a história de muitas crianças e famílias negras. Esse era o momento em que as mães reuniam os filhos para trançar seus cabelos cuidadosamente e conversar. Ato transmitido de geração em geração, dando origem ao ofício de trancista.

“A trança carrega uma ancestralidade. Se eu for trançar o cabelo de uma mulher branca, eu vou explicar pra ela a origem, até para ela saber mesmo que não é só uma questão de estética”, fala a trancista Rozane Kelly Loiola Araújo, 22 anos, proprietária do Studio Afra Style, no Centro Comercial de Camaçari.

A jovem começou a trançar cabelos em 2015, por necessidade financeira, mas também como pela arte e “ato de resistência”. “Pra mim é liberdade, por trabalhar com algo que eu gosto e por não precisar me rotular, entrar nos padrões”, declara.

“Meu cabelo é um impulso de autoestima, porque o cabelo, não só o cabelo, a aparência ainda pesa muito”, comenta.

As tranças, em seus mais variados tipos, box brads, boxeadoras, nagô, crochet brad e entrelace, são instrumento de autoafirmação da estética e identidade negras. Elas podem ser feitas de fibra, cabelo natural ou lã.

Foto: Hebert Loiola

Cuidados

– cabelos com química ou quebradiços devem ser bastante hidratados antes de colocar as tranças;

– lavagem com shampoo anticaspa ou antiresíduo

– Não usar creme de pentear nem hidratação

– Usar secador apenas no jato frio

– Usar touca de cetim (diminui o frizz e ajuda na durabilidade)