Condomínios da orla de Camaçari viram refúgio para quem não quer viver o isolamento social

Para quem vive na orla de Camaçari a quarentena tem sido sinônimo de preocupação. Em muitos condomínios o número de moradores aumentou durante o isolamento social. Isso porque pessoas que moram em outras cidades estão passando o período nessas localidades e acabam entrando em um clima de férias, não respeitando as regras para evitar a proliferação do novo coronavírus (covid-19).

Morador da costa, o empresário Leonardo Pesil relata que desde o início do isolamento novos inquilinos passaram a frequentar o condomínio e estão quebrando recomendações do governo municipal, Ministério da Saúde e Organização Mundial da Saúde (OMS) para evitar o avanço da doença.

“Esse pessoal chega, e não é só jovenzinho não, como se tivesse saído de um país onde tivesse a quarentena e vindo para um país onde não tem a quarentena. Ninguém de máscara, dezenas de carros na mesma casa indicando uma superlotação. Claramente são pessoas de vários lugares diferentes, talvez bairros diferentes de Salvador. Ficam circulando pelo condomínio de carro, de scooter, quadriciclo, som alto”.

Áreas comuns do condomínio foram isoladas e lidar com novos moradores que chegam para quebrar as regras do isolamento tem sido um desafio. “É ofensivo esse pessoal chegar no condomínio desrespeitando o nosso silêncio, o nosso isolamento, nossa preocupação. É muito chato isso”.

Em outro ponto da orla, em Vila de Abrantes, a autônoma Rita de Cássia relata que nos feriados mais recentes o condomínio onde mora ficou cheio. Casas que são utilizadas, normalmente, para veraneio estavam lotadas e em clima de festa. “É um absurdo as pessoas saírem de onde moram para vir para cá e desrespeitar o isolamento, fazendo festas, juntando várias pessoas em casa e convidando dezenas de amigos. Sem falar que não há o controle de entrada desse pessoal, a gente não sabe se estão infectados ou não. A gente acaba ficando ainda mais preso dentro de casa”.

Também no seu condomínio, áreas comuns foram bloqueadas a exemplo dos campos, quadra poliesportiva, parques infantis e salão de festas. Segundo Rita, os moradores chegaram a ser informados que deveriam evitar aglomerações.

Outra moradora da costa, que prefere não se identificar, afirma que no condomínio onde vive vizinhos têm recebidos muitas pessoas em casa. “Observo que durante a pandemia não tem havido muita gente consciente do que quer dizer distanciamento social. Está acontecendo no condomínio aglomeração, temos caso de condôminos que estão reunindo amigos para exercícios físicos. Ainda existe reformas, que implicam em acesso a muitas pessoas”.

Porém, infelizmente, a situação tem se repetido na sede, como conta a dona de casa Nivânia Oliveira, que mora na Lama Preta. Seguindo as orientações das entidades de saúde, ela comenta que só tem saído de casa duas vezes por semana para um banho de sol com a filha.”Aqui no condomínio boa parte está em isolamento, mas não está mais como era antes”.

Apesar de atividades físicas e recreativas terem sido suspensas e algumas áreas bloqueadas, Oliveira relata que moradores continuam levando os filhos ao parquinho, fazendo confraternizações com amigos e utilizando a máscara de maneira errada, no queixo. “Final de semana sempre tem churrasco, o pessoal bebe e geralmente tem cinco, dez pessoas. O pessoal continua curtindo aqui, é bem complicado”.