Confira relato da família baiana após conviver com o novo coronavírus

O apoio dos familiares e amigos foi essencial para Olívia Magalhães, seu marido Filipe e suas duas filhas, Clarisse, de 2 anos, e Laura, 4 anos, ao descobrir que todos foram infectados pelo novo coronavírus. A baiana, de Feira de Santana, conta que foi um susto quando o teste do seu companheiro deu positivo para a Covid-19.

De acordo com a jovem, a família tomava “todos os cuidados recomendados pelo Ministério da Saúde, como isolamento social, uso de máscara, lavagem frequente das mãos com água e sabão, distanciamento social de no mínimo 2 metros quando ia ao mercado, por exemplo, e não receber visitas em casa”.

Apesar de estar em isolamento social na maior parte do tempo, Filipe, que é administrador, ainda precisava ir ao trabalho diariamente. Após ter os primeiros sintomas, ele teve a confirmação que uma pessoa próxima estaria com a doença. “Assim como meu esposo, a pessoa infectada também usava máscara em todos os contatos que tiveram”, destaca Olívia.

Os sintomas variaram em cada membro da família. “Laura, nos dias 18 e 19 de maio, teve febre e moleza no corpo, como havia tratado uma infecção urinária recente, acreditamos ser decorrente dela, até então, nada de suspeita da Covid-19. Filipe, a partir do dia 20, passou a apresentar tosse seca, dores de musculares, perda do olfato e paladar, desconforto respiratório e dor no peito. Os sintomas apareceram de modo gradativo no decorrer dos dias”, relata Olívia.

“Eu, a partir do dia 22, já comecei a ter dores na garganta, mas só a partir do dia 25, tive outros sintomas como, desconforto respiratório, tosse seca e febre. E Clarisse, no dia 25, apresentou febre e vômito, somente uma vez”, completou.  Olívia acrescentou ainda que se ela e o esposo não tivessem tido sintomas mais característicos da doença, nem desconfiaria que as crianças estavam com Covid-19 também.

Ela relata que, inicialmente, o atendimento foi feito por telefone através do canal 155, em que o médico orientou que fossem a um hospital para que o desconforto respiratório fosse verificado de perto. “A tarde resolvi ir à UPA, minha saturação [de oxigênio] estava boa, suficiente para “diagnosticar” que estava tudo bem comigo e, como clinicamente não apresentava nenhuma anormalidade, estaria liberada. Questionei se fariam o Raio X do tórax, informaram que não, pois o protocolo do hospital indica que o paciente deve passar o menor tempo possível na unidade e, diante ao meu quadro clínico, deveria usar apenas nebulização com medicamento”, informou.

Olívia também conta que a rotina da família mudou bastante. A alimentação foi reforçada com ingredientes mais saudáveis e que ajudam na imunidade e a busca para manter a saúde mental equilibrada também foi intensificada. “Passamos a ficar mais temerosos, tentando sempre manter a saúde mental equilibrada, evitando assistir noticiários, ler quantitativo de mortes, passando a assistir filmes alegres e brincar com as meninas”, explica ela.

As compras estão sendo feita por familiares, que se oferecem para ajudar a todo momento, e deixam os itens na porta da casa deles. “Tivemos muito apoio. Colegas, familiares e vizinhos sempre prestaram solidariedade a todos nós. Nos sentimos abraçados por cada um, por cada oração recebida”, frisa.

Apesar de todo amparo, Olívia finaliza falando sobre como os familiares de pacientes com Covid-19 podem ficar sobrecarregados emocionalmente. “Sofrem bastante, com inquietações acerca da cura, receio do parente vir à óbito ou ter uma piora. É tudo muito incerto”, diz ela.

A família segue tomando todos os cuidados. “Até a pizza que compramos, foi pago por boleto para o entregador não ter risco de contaminação usando a maquineta de cartão. Em todas as entregas realizadas nesse período não tivemos contato com ninguém, liberávamos na portaria, batiam na porta, deixavam e saíam… alguns correndo”, brincou Olívia.

Fonte – A Tarde

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