Conheça a nova escola pós-pandemia; conselho começa a montar o protocolo de retorno

Maria Beatriz Furiatt, 15 anos, é aluna do 1º ano do Ensino Médio de uma escola da rede pública, localizada no subúrbio de Salvador. Na sala de Bia, são 32 alunos. Sua avó é diabética, a mãe é hipertensa e o irmão, recém-nascido. “Bia não volta mais para a escola este ano. Falei que se ela voltasse, teria que usar máscara, proteção transparente, luva e passar álcool na carteira e ela disse que eu estava ficando louca. Se surgir uma vacina, possa ser que ela volte”, afirma Mariele Furiatt, mãe de Bia.

Após quase três meses sem aula, muitos pais compartilham do mesmo receio de Mariele e da dúvida sobre quando as escolas vão retornar. Apesar de não ter nenhuma previsão de data para a reabertura efetiva, o Conselho Estadual de Educação (CEE) iniciou a elaboração de um documento que irá direcionar como será o retorno das aulas presenciais em todas as instituições de ensino público e privado, instaladas na Bahia.

O protocolo deve ficar pronto até o final do mês de junho, como explica o líder do grupo que está organizando a resolução do CEE, Nildon Pitombo. “As variáveis epidemiológicas serão as definidoras das dinâmicas de retorno para orientar as redes e as escolas”, pontua.

Entre as principais medidas para o pós-pandemia previstas no documento estão as questões relacionadas à não-reprovação do estudante, adoção do ciclo 2020/ 2021, que poderá valer para a conclusão de duas séries no período do retorno às aulas presenciais até o final do ano que vem. Entra na minuta, a reorganização do calendário escolar com a definição dos conteúdos essenciais, a reorganização das salas em turmas menores, o escalonamento do fluxo de estudantes, mais a qualificação, do porteiro ao professor (veja abaixo).

A Secretaria de Educação do Estado e Secretaria Municipal de Educação de Salvador confirmaram em nota a definição destes protocolos. “Estamos considerando o que o mundo está dizendo que dá para fazer. Não pode ter aglomeração sob nenhuma hipótese”, reforça Pitombo.

Novo ‘normal
Mesmo com o protocolo em fase de elaboração, as escolas particulares de Salvador já começaram a se planejar. No Colégio Marizia Maior, em Stella Maris, a direção investiu em uma higienização geral como as que são feitas em hospitais e adquiriu totens de álcool em gel. As turmas que antes eram formadas por 30 alunos passam a ter, no máximo, 15 estudantes por sala.

“Vamos capacitar todos os funcionários e elaborar um plano de assistência psicológica. Não é só cuidar do contágio via ouvido, boca e nariz, mas tem que olhar o lado emocional neste retorno”, diz o diretor  da instituição, Carlos Maior.

O Colégio Antônio Vieira, no Garcia, criou um grupo de trabalho (GT) para tratar das adaptações que a escola precisa fazer. “O GT já deu passos concretos, como a contratação da consultoria do infectologista, Claudilson Bastos, que está nos assessorando na elaboração do protocolo de saúde e segurança”, adianta o diretor de Gestão de Pessoas do colégio, Sérgio Silveira.

Mudanças também estão acontecendo no Colégio Montessoriano, na Boca do Rio, que deve manter as aulas online por mais um mês, após a reabertura. “Além de todas as medidas de segurança sanitária estamos investindo em tecnologia de gravação para ofertar a transmissão online das aulas que acontecem em sala nesta retomada”, ressalta a diretora, Lúcia Matos.

Representante do coletivo que reúne 61 escolas, Wilson Abdon, do Grupo de Valorização pela Educação (GVE), chama a atenção para a elaboração de um protocolo viável, tanto para a rede pública como para a privada. “Não estávamos preparados para a pandemia. Agora estamos mais atentos e num movimento constante de mudanças” diz.

Cautela
Ainda que as escolas adotem estas medidas, o empresário Climério Júnior não está totalmente seguro de que a filha Geovanna, de 2 anos, vá retornar este ano. “A escola já até comentou algo sobre o protocolo de retorno, porém o nosso medo de contaminação é grande, principalmente pela a idade dela”.

Fonte – Correio

tramontina