Confira dicas de como cuidar do carro durante a quarentena

Com a recomendação do isolamento a fim de conter a pandemia da Covid-19, os automóveis estão em sua maioria parados na garagem. Muitos motoristas têm deixado de usar o carro e sempre que possível caminham até um comércio próximo. O que acontece com o veículo guardado na garagem sem funcionar?

“Primeiramente, é interessante sabermos quanto tempo o veículo ficará parado. Até três semanas não tem problema algum”, afirma Elielton Ribeiro, supervisor do Centro Automotivo da Ferreira Costa, em Salvador. Nesse período, ele recomenda apenas a verificação interna e externa, retirando sujeiras do estofado para prevenir a proliferação de fungos, bactérias e insetos, além do local onde o carro está guardado, evitando possíveis sujeiras e arranhões na pintura.

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De acordo com Ribeiro, não existe um tempo-limite para o carro ficar parado, porém é indicado colocá-lo para funcionar, e se possível rodar por aproximadamente 15 minutos a cada duas a três semanas. “Isso ajuda a manter o motor lubrificado e protegê-lo da oxidação”.

Entre os componentes, o supervisor do Centro Automotivo da Ferreira Costa recomenda desconectar a bateria, para evitar fuga de corrente e substituir o lubrificante, apenas a cada seis meses ou 10 mil quilômetros.

O ar-condicionado deve ser ligado por aproximadamente 40 minutos, a cada 20 dias, para lubrificar o sistema de vedação do gás e mangueiras. E quanto ao combustível, aponta Ribeiro, é indicado deixar o veículo sem combustível. “Apesar de a gasolina proteger contra oxidação e ferrugem, com o tempo, o combustível se deteriora e perde suas propriedades. Indico a retirada do combustível ou a utilização de gasolina premium, como a Podium, de maior octanagem”.

Detalhes

Andrey Brito de Amorim, gerente do Centro Automotivo Monobloco, de Salvador, explica que a gasolina parada por muito tempo cria uma gosma que pode obstruir os bicos injetores e levar à falha do motor. Atenção também aos lubrificantes e fluidos. “Fique atento para trocar óleos e filtros pelo tempo (e não quilometragem). O lubrificante se degrada pela oxidação, então é preciso trocá-lo com 10 mil km e, se rodar pouco, substituir após seis meses. Já o fluido de freio, vence em dois anos ou 20 mil km”, lembra.

Se o carro ficar parado por mais de duas semanas, Amorim sugere a limpeza interna e que o veículo fique em uma garagem ventilada, mas longe do sol. Os pneus muito tempo parados, na mesma posição, tendem a deformar. “Lembre-se de calibrá-los frios. Se for ficar parado por de mais de 30 dias, desconecte a bateria, já que relógio, alarme, rádio consomem carga da bateria”.

O gerente do Monobloco ainda recomenda levantar as palhetas do para-brisa com frequência, para evitar que a borracha grude e deforme. Outro item geralmente esquecido é o reservatório de partida a frio em carros flex. “A gasolina ali fica velha e pode entupir os dutos e ressecar as juntas do sistema. Aqui em Salvador e Lauro de Freitas não precisa usar o reservatório de gasolina de partida a frio, porque é uma região quente. Mas os proprietários abastecem e aquela gasolina fica ali por muito tempo, o que pode gerar problemas”, avalia Amorim.

Pneus e etanol

Pedro Alves, analista técnico do Centro de Experimentação e Segurança Viária (Cesvi), também chama a atenção para os pneus: “Se você sabe que vai deixar o veículo parado na garagem por alguns dias, calibre o pneu cerca de 20% a 30% a mais do que costuma calibrar. Se for 30 libras, passe a colocar de 35 a 40 libras. Com isso, o pneu irá demorar mais para murchar e não danificará a sua estrutura interna com o peso do veículo”, explica o técnico.

Combustível também deve seguir alguns critérios. Se a gasolina ficar muito tempo parada no tanque do veículo pode perder a sua proporção, principalmente se ficar exposto ao sol. “O etanol tem uma durabilidade de resistência na sua octanagem um pouco maior se comparado com a gasolina. Assim, o recomendável é deixar o veículo na reserva e ir completando o necessário para dirigir quando preciso”, recomenda.

Fonte: A Tarde