Preconceito com exame de toque atrapalha diagnóstico precoce do câncer de próstata

Por ter pedido o pai em decorrência de um linfoma, Adelson Conceição, 53 anos, sempre cuidou da saúde. Praticante regular do “baba” e da academia, o rodoviário foi surpreendido pelo diagnóstico de câncer na próstata – glândula do sistema reprodutor masculino, cuja principal função é produzir o esperma – após um exame de rotina. “Foi impactante, toda aquela saga que vivemos com meu pai passou pela minha cabeça. Mas os médicos me tranquilizaram pois o câncer foi diagnosticado ainda no princípio”, afirma.

Como o estágio da doença era inicial, o leque de opções de tratamento foi amplo, porém Adelson preferiu não correr riscos e optou pela cirurgia radical, procedimento que remove a próstata enquanto o câncer ainda está confinado na região. “Descobri que através dessa cirurgia eu nunca voltaria a ter a doença. No caso de outros tratamentos existia a possibilidade de o câncer voltar, daí não pensei duas vezes”, explica Adelson.

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Ele relata que já perdeu um colega de trabalho para a doença e não quis arriscar. “Vemos muitas pessoas perderem a vida por conta do preconceito com o exame de toque, outras pelo medo do tratamento. Desde o início, tive todo o apoio da minha família e pensei neles a cada decisão que tomei. É importante reconhecer as razões para lutar”, completa.

Novembro Azul
No mês de novembro, campanhas promovidas por entidades públicas e privadas buscam alertar a sociedade civil da importância de prevenir e combater o câncer de próstata. Um dos principais obstáculos é exatamente o preconceito como o exame de toque, forma mais efetiva de identificar anormalidades na próstata. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), diariamente, 42 homens morrem da doença e aproximadamente 3 milhões convivem com ela.

O diretor nacional de Oncologia do Sistema Hapvida, o médico Alexandre Gomes, aponta que, só este ano, são esperados quase 70 mil novos diagnósticos de câncer de próstata no Brasil, e a tendência é que esse número venha a crescer nos próximos anos em decorrência do envelhecimento da população.

“Apesar do investimento em campanhas de conscientização, os números continuam altos e com tendência de crescimento, pois se trata de uma neoplasia da terceira idade, a maior parte só é identificada a partir dos 60 anos, por isso a importância do teste anual a partir dos 45”, afirma o médico.

Fatores como histórico familiar e obesidade podem ser apontados como de risco, segundo o médico, por isso homens que se enquadram nestas características devem ter cuidado redobrado. “Estudos também apontam que o câncer de próstata costuma incidir com maior frequência em homens negros, por isso é importante estar atento e ter os exames em dia já que quanto mais cedo a doença for descoberta, maior é a probabilidade de cura”, diz.

Tratamento
Com o avanço da tecnologia e da ciência, as opções de tratamento para o combate do câncer de próstata também cresceram. O melhor será apontado pelo médico de acordo com o quadro do paciente. Na lista de possibilidades estão cirurgia, radioterapia, criocirurgia, hormonioterapia, imunoterapia, quimioterapia e tratamento da disseminação da doença para os ossos.

“Ao longo do tempo, a ciência vem procurando desenvolver medicamentos cada vez menos agressivos, que tenham a capacidade de reduzir os efeitos colaterais. Além disso, cuidados alternativos combinados com os tratamentos tradicionais podem ajudar a melhorar a experiência do paciente”, destaca o especialista. Entre as opções estão o uso de vitaminas, ervas e dietas especiais ou outros métodos, como acupuntura ou massagem.

Para que as possibilidades de tratamento para combater a doença sejam as mais amplas possíveis, o médico volta a ressaltar a importância da atenção constante, através da realização dos exames periodicamente. “Os de toque retal e de PSA são as principais ferramentas de diagnóstico precoce. A partir daí as chances de cura aumentam bastante e as opções de combate também. É importante se informar e deixar o preconceito de lado. Detecção e o tratamento precoces salvam vidas”, conclui.

Fatores de risco
Hereditariedade: histórico familiar de câncer de próstata.
Predisposição: homens negros sofrem maior incidência deste tipo de câncer.
Obesidade: excesso de peso pode influenciar no desenvolvimento da doença.

Sintomas
Ossos – dores ósseas
Bexiga – dores ao urinar e incontinência urinária
Sêmen – presença de sangue na urina e/ou no sêmen

Prevenção
Vida saudável – Manter hábitos saudáveis é a melhor forma de evitar a doença. Prática de atividades física, alimentação saudável e evitar bebidas alcoólicas e tabagismo.

Exame de toque retal – A partir dos 45 anos é recomendado realizar o exame de toque anualmente. Cerca de 20% dos casos são detectados apenas com esse procedimento.

Exame PSA – A frequência é variável, podendo também ser anual ou até a cada quatro anos. O urologista é responsável por determinar esta periodicidade.