Com vacinação, infectologista acredita que Salvador pode ter imunidade comunitária no 2º semestre

Salvador deve iniciar a campanha de vacinação contra a Covid-19 em um prazo de 72 horas, assim que o imunizante estiver disponível na capital baiana. Ao menos, é o que consta no plano de imunização lançado pelo prefeito Bruno Reis (DEM). A expectativa é a de aplicar 570 mil doses em 4 grupos considerados prioritários, que incluem trabalhadores de saúde, idosos, indígenas, portadores de doenças crônicas, entre outros.

O médico infectologista Claudilson Bastos acredita que, para garantir uma imunização de rebanho, será necessário imunizar ao menos 70% da população da capital baiana. “Quando existe uma campanha vacinal, como contra sarampo, poliomielite e febre amarela, o objetivo é atingir mais de 80% de cobertura, para que haja segurança. No caso da Covid-19, atingindo 70% da população a gente tem a garantia da segurança da imunidade comunitária”, afirmou em entrevista ao programa Isso é Bahia, da rádio A TARDE FM, na manhã desta quarta-feira, 13.

De acordo com o infectologista, mesmo com a aplicação da dose da vacina contra o coronavírus, a população ainda deve permanecer por um bom tempo com os mesmos hábitos durante a pandemia, como o uso de máscaras de proteção facial, higienização das mãos, uso de álcool em líquido 70% e distanciamento social.

“Neste primeiro semestre a gente vai ter as mesmas condutas e precauções. Isso vai continuar. A partir do próximo semestre é que a gente vai perceber os efeitos. Então, é possível que, no segundo semestre, a gente tenha a medida de segurança”, sugeriu.

Campanha antivacina

De acordo com um artigo publicado no jornal The New York Times, em dezembro de 2020, o Brasil vive um estado de “caos” e que “brinca com vidas”, como resultado do programa de imunização. Ainda segundo a publicação, entre os problemas apontados, estão brigas políticas, a falta de um melhor planejamento e o aumento de um movimento antivacina no país.

Para explicar estes crescentes movimentos, Claudilson citou como exemplo grupos de pessoas naturalistas que acreditam que sua imunidade pessoal é algo que não precisa de recursos, como as vacinas. “Todas as pessoas têm o direito de pensar o que quiser, mas não podem considerar que sua posição seja a posição que todos devem seguir. Nós tivemos, na questão do sarampo, algumas epidemias em determinados estados, Ceará e Pará, devido a estas posições. A gente tem que ter o bom senso. A vacina, dentre as situações revolucionárias, mudou a situação do mundo”, esclareceu.

Segundo a mais recente pesquisa PoderData, pelo menos 75% da população pretende tomar a vacina contra o coronavírus, sendo que, deste total, 77% são homens e 88% pessoas com idade entre 16 e 24 anos. Já 16% dos entrevistados rejeitam o imunizante.

Fonte – A Tarde