Escolas particulares pressionam para o retorno das aulas presenciais

Escolas particulares da Bahia estão mobilizadas em defesa do retorno das aulas presenciais ainda no mês de fevereiro. De acordo com associações representativas do segmento, conversas têm sido mantidas com o governo do Estado e prefeitura de Salvador para se definir uma data de retomada do ano letivo.

Em live realizada nesta quinta-feira, 14, organizada pelo Sindicato das Escolas Particulares da Bahia (Sinepe-BA) e o Grupo de Valorização da Educação (GVE), representantes da rede privada se mostraram preocupados com a “situação da educação” no estado e cobraram uma postura do poder público.

Segundo o diretor financeiro do Sinepe-Ba, Jorge Tadeu Coelho, o maior preocupação do setor, hoje, são as escolas de educação infantil, que registraram, desde o início da pandemia do novo coronavírus, uma queda expressiva no número de matrículas. Pra ele, o público, crianças de 0 a 6 anos, “não se adapta bem ao ensino remoto”, com prejuízos “graves” no processo educativo infantil.

“Escolas de educação infantil, em todo o estado, não têm tido matrículas, e nós creditamos isso ao fato da não autorização de retorno (das aulas) pelo poder público”, explicou ele. “Se permanecer tudo como antes (não retorno das aulas), a educação infantil sofrerá uma perda enorme, e isso não é uma perda apenas para as escolas, é uma perda para as crianças, de ficarem em casa sem um acompanhamento profissional. É uma perda para o próprio cuidado com a infância”.

De acordo com o diretor, associações de pais pressionam as escolas para o retorno das aulas e avisaram que só confirmam a matrícula dos alunos para 2021 quando as autoridades liberarem as aulas presenciais.

Jorge afirmou que as escolas particulares estão “prontas para receber os alunos já há algum tempo”, com todos os protocolos de segurança contra propagação do novo coronavírus preparados, e que o setor espera, “em pouco tempo”, uma decisão conjunta do governador Rui Costa (PT) e o prefeito Bruno Reis (DEM) para o retorno das aulas.

“Eu creio que é uma questão de pouco tempo para que o governador e o prefeito tomem uma decisão conjunta de anunciar que as escolas vão voltar a funcionar no mês de fevereiro. As escolas particulares estão prontas já há alguns meses para voltar a funcionar normalmente a partir do dia 03 de fevereiro, para que cumpramos com a quantidade de dias letivos de maneira organizada.”, destacou.

O setor aposta em um modelo de ensino híbrido, em um sistema de rodízio, em que, em um dia, metade das turmas iriam para escolas, enquanto que a outra metade ficaria em casa, acompanhando a aula remotamente, de maneira sincrônica. Seria facultado às famílias o retorno presencial das crianças.

Fator Econômico

Um dos diretores da GVE, Francisco Antonio de Mendonça destaca que o fator econômico é importante e fundamenta as reivindicações do setor.

“A questão econômica é um pilar da escola (privada). Se a escola não tem seus alunos matriculados, os professores não terão turma e não terão como receber salário porque a fonte de renda não existe. Então vamos ter a situação de professores esperando as turmas serem formadas e exigindo seus salários, sendo que a fonte dessas receitas, para o pagamento desses salários, não vai existir”, afirmou.

De acordo com o diretor, se as aulas não retornarem em fevereiro, e, por conseguinte, não houver matrículas nas escolas, o setor privado de ensino entrará em colapso.

“As escolas estão preparadas e prontas, e oferecem um ambiente de conforto mais propício do que essas crianças encontram em outro ambiente que não o escolar. O fator econômico é gritante. Em fevereiro, se não tiver matrículas, as escolas não sobrevivem e teremos um caos nesse segmento”, avaliou.

Para Jorge, o setor não pode esperar que os alunos do ensino infantil sejam vacinados para retomar as atividades, uma vez que, segundo ele, “não há previsão” para as crianças tomarem o imunizante, já que não fazem parte dos grupos de risco.

“A vacina, até chegar em nossos braços, deve levar alguns meses, e crianças não têm nem previsão para tomar vacina. Existe um contexto tecnológico e de cuidado, de cumprimento dos protocolos, nas escolas da rede particular, que favorece o retorno das aulas. Nossa expectativa é essa.”, completou.

Retorno só com a vacina

A diretora da Associação dos Professores Licenciados do Brasil – Secção da Bahia (APLB-BA), Elza Melo, discorda do posicionamento das escolas particulares e defende que as aulas na rede pública e privada só retornem quando a população for imunizada.

“Nós discordamos, peremptoriamente, da retomada das aulas presenciais ainda neste início do período, por diversas razões. Uma delas é que a taxa de contaminação do vírus está muito alta neste momento e a defesa da APLB é de que o retorno das aulas presenciais seja com a vacina, com todos imunizados, e não são apenas os professores, mas coordenadores pedagógicos, os funcionários, os alunos e suas famílias.”, sublinhou.

Segundo Elza , as escolas da rede municipal e estadual de ensino não estão preparadas para o retorno das aulas.

“Nós temos diversas escolas, da rede municipal e estadual, que não estão preparadas. Não dá para fazer arranjos e dizer que os protocolos estão bem desenhados. Se vocês forem nas escolas da rede municipal, não há cumprimento do protocolo de biossegurança”, disse.

“A APLB já enviou uma carta para o prefeito e ao governador, informando, sendo muito claro, de como nós queremos, como deve ser, a retomada das aulas. É necessário que os professores sejam escutados para que os alunos voltem a estudar com segurança, com vacina, e possamos discutir como será o calendário letivo.”, finalizou.

Fonte – A Tarde

comfiaço