Fabricantes de veículos confirmam investimentos no Brasil

Ao contrário da Ford, montadoras enxergam oportunidades e reforçam investimentos no mercado brasileiro. A General Motors do Brasil retoma em 2021 o pacote de R$ 10 bilhões em investimentos para o Estado de São Paulo. A Volkswagen mantém aporte de recursos para lançamento de novos produtos. Em 2017, a marca anunciou de R$ 7 bilhões, que deveriam ser investidos até 2020. A pandemia atrasou, mas não mudou os planos da fabricante alemã.

Na semana passada, foi concluída a fusão entre FCA e Peugeot SA, formando a Stellantis, quarto maior grupo automotivo do mundo, com a venda global de mais de 8 milhões de veículos. A união estratégica visa o avanço na eletrificação e muitos desafios, como o corte de custos da ordem de R$ 30 bilhões sem fechar fábricas.

A união entre Fiat Chrysler e Peugeot Citroën nasce com 14 marcas, em um portfólio reúne do lado da FCA, Fiat, Abarth, Alfa Romeo, Lancia, Maserati, Chrysler, Dodge, Jeep, Ram. E do outro lado, Peugeot, Citroën, DS, Opel e Vauxhall.

“É uma fusão de dois grupos empresariais que detêm várias marcas, que possuem seus nichos de mercado. Você não vai mudar o produto Peugeot para a Fiat na França. E não vai mudar de Fiat para Peugeot no Brasil, porque mercadologicamente não faria sentido. Mas a partir do momento que tiverem um produto ele poderá ser feito em Goiana, Betim ou em Porto Real. O logo que vai na grade do carro é uma questão de mercado. A Fiat Toro é produzida na fábrica da Jeep”, ressalta o consultor automotivo Francisco Mendes.

O fechamento de uma montadora centenária em um momento de crise poderia criar um ambiente pessimista, gerando a expectativa de que outras fábricas deixariam o Brasil. Mas, ao contrário da Ford, outras marcas anunciam e reforçam seus investimentos.

“Eu não acredito que outras fábricas saiam. Pode haver algum movimento de otimização. Por exemplo, o fenômeno da Stellantis pode provocar uma mudança na produção, mas vai depender do mercado. As oportunidades de investimentos no Brasil são muitas. Volkswagen, Fiat, Chevrolet, Renault e muitas outras têm produtos para lançar”, afirma Mendes.

“Por que tantas outras montadoras não foram embora? O que você vê é a situação de algumas marcas específicas, que podem estar vivendo no país um momento desfavorável. A saída do Brasil pode até ocorrer, mas não será por causa da pandemia, nem por tamanho de mercado. Mas talvez pela percepção de que não vale ter três marcas disputando o mesmo segmento. Marcas da PSA possuem menos de 1% do mercado e foram ultrapassadas pela Chery, que acabou de entrar”, cita Mendes.

Para ele, investimento não é escolha. “Faz parte do modelo de negócio, porque sempre se desenvolve um novo produto. O ciclo de vida é cada vez mais curto, porque o mercado é mais dinâmico, com mais necessidade de novidades, além dos avanços tecnológicos. Caso do antigo Fiat Mille, que vendia, mas não comportava air bags”, explica.

Outra marca que passa por reestruturação, a Renault lançou na semana passada na França seu novo o plano estratégico chamado de Renaulution, anunciando o lançamento de sete carros elétricos até 2025. Os primeiros a serem lançados, a partir de 2022, serão o Mégane elétrico e Kangoo ZE. Na sequência virão o Renault 5 Protoype, um SUV elétrico e depois mais dois comerciais elétricos. E ainda um SUV maior para fechar esse ciclo.

Líder no Brasil em vendas de autoveículos, a General Motors encerrou 2020 com 17,3% de market share. “Num ano em que a sustentabilidade do negócio foi o grande desafio, também pela forte desvalorização do real frente ao dólar, que está impactando no aumento generalizado dos preços dos carros, a liderança da Chevrolet é consequência de uma estratégia vencedora. Intensificamos o foco no varejo, onde a marca ampliou sua liderança”, informou por meio de nota o presidente da GM América do Sul, Carlos Zarlenga.

Com Onix e Onix Plus entre os modelos mais vendidos em suas categorias e o Tracker, lançado em meio à pandemia, como quarto SUV mais emplacado do país, a montadora anunciou que retomará este ano os investimentos planejados de R$ 10 bilhões no Estado de São Paulo, para desenvolvimento e produção de veículos inéditos, além da ampliação da oferta de equipamentos, entre eles o OnStar e o wi-fi nativo.

Nesse novo pacote virão renovações de S10, Trailblazer e Spin para 2022 ou 2023. A minivan será totalmente reformulada para se tornar um crossover, enquanto a picape ficará mais próxima de sua “prima” americana, a Colorado. Já a Montana deve dar lugar a uma picape média, que brigará com a Fiat Toro e a futura VW Tarok. Há ainda espaço para a produção de um novo SUV, abaixo do Tracker, e de outro intermediário, acima do Tracker, mirando o mercado do Jeep Compass.

Ao mesmo tempo em que retoma seus investimentos em São Paulo, a GM global reforçou que acelerará a adoção em massa de veículos elétricos, em uma campanha que inclui um novo logotipo e uma transformação que prevê um mundo com zero acidente, zero emissão e zero congestionamento. Para chegar a isso, só por meio da eletrificação.

Durante a abertura da CES, maior feira de tecnologia do mundo, a CEO Mary Barra quis deixar claro que o mundo está em transição. “Acreditamos que tudo está prestes a mudar. Este momento provará ser um ponto de inflexão. O momento em que a dependência de veículos movidos a gasolina e diesel começará a transição para um futuro totalmente elétrico. E a GM pretende liderar essa mudança. Temos a tecnologia, o talento e a ambição para cumprir esse compromisso”, afirmou.

No Brasil, a marca lançou em 2019 seu modelo elétrico Bolt, mas apenas em alguns mercados: a Bahia, por enquanto, está fora do radar. Mas talvez por pouco tempo: a nova geração do elétrico será revelada em fevereiro, com melhorias, entre outras, de autonomia.

A Volkswagen, que vem fazendo lançamentos expressivos de produtos mais modernos nos últimos anos, expandiu o segmento de SUVs com a chegada do Nivus. Um ciclo de investimentos que foi iniciado em 2017 de R$ 7 bilhões, deveria ter sido concluído em 2020, mas a epidemia protelou alguns lançamentos, entre 20 prometidos.

O próximo passo, informou o presidente da marca no Brasil, Pablo Di Si, será a eletrificação. Ainda com baixo volume que não justifica sua produção por aqui, o plano é lançar 5 novos eletrificados (entre elétricos e hídricos) até 2023.

Outros SUVs também estão na mira da marca para o mercado brasileiro, além do Taos, com fabricação na argentina, e da picape Tarok, para concorrer com a Toro. Do que já existe, são esperadas renovações de Polo e Virtus e daí podem vir mudanças para a linha Gol e Fox e, possivelmente, o fim de linha para o Up.

Fonte: A Tarde