Felipe Neto gera polêmica ao criticar Machado de Assis

O influenciador digital Felipe Neto causou burburinho nas redes sociais ao criticar autores como Álvares de Azevedo e Machado de Assis. Estes, em sua opinião, não são adequados para os adolescentes e forçar a leitura de suas obras “gera jovens que acham literatura um saco”. A declaração polêmica gerou revolta de escritores e anônimos.

“Parabéns, em vez de criticar o sistema educacional brasileiro, você só conseguiu colocar um monte de adolescente contra seus professores, que muitas vezes tem que fazer das tripas coração, pra conseguir montar uma aula decente para seus alunos”, criticou a escritora Milena Placido.

A jornalista, escritora e produtora cultural Eliana Alves Cruz, por outro lado, destacou que “Machado é para estudantes desde que haja mediação competente para esta leitura”. “A sua crítica não deveria ser dirigida à escrita ou à incapacidade de entendimento do adolescente, mas a um sistema educacional que não sabe apresentar o livros aos jovens”, disse, em resposta ao tweet de Felipe Neto.

A postura do youtuber também foi criticada por Emmanuel Santiago: “Todo mundo acha que entende de Educação e Felipe Neto acha que entende de tudo”. Eduardo Lacerda repostou a fala de Emmanuel e acrescentou que há alguns anos Felipe Neto deu opiniões políticas das quais ele mesmo se arrependeu.

“Agora quer dar opiniões sobre educação e literatura. Não discordo totalmente dele, acho que a escola pode e deve incluir outras culturas e outros conhecimentos, mas excluir Machado de Assis e Álvares de Azevedo ou qualquer outro escritor chamando-os de elite ou difíceis é uma bobagem”, opinou Lacerda.

A escritora Thalita Rebouças, por outro lado, repostou o comentário de Neto e disse concordar com o que foi dito pelo youtuber. “Concordo. Primeiro eles tem que gostar de ler. Só assim eles vão conseguir apreciar esse tipo de leitura”, disse a escritora best-seller.

O empreendedor Daniel Orlean também aprovou a fala de Neto. “Concordo muito que a estratégia deve estar errada. Pros meus filhos apresentei, primeiro, coisas bacanas e divertidas de ler.  Primeiro eles desenvolveram o prazer da leitura, depois a curiosidade e agora estão aprendendo a respeitar o que a leitura pode trazer para eles”, afirmou.

A criadora de conteúdo Mil Moretto elogiou o debate e disse que “o problema do desinteresse é pq a literatura é introduzida muito tarde”. “Se a literatura começasse no ciclo básico, desde os 7/8, com obras divertidas, atuais, aos 16 a pessoa ja teria musculatura pra leituras dos clássicos”, defendeu.

Até o perfil oficial da Turma da Mônica entrou no debate. “Estamos acompanhando na timeline um debate interessante sobre literatura infanto-juvenil. A importância dos quadrinhos na formação de novos leitores já foi mencionada? Ou algo sobre como os gibis estimulam a criação de histórias? Fica aqui a reflexão”, provocou.

Leia o comentário de Felipe Neto: