Dia Mundial do Câncer alerta para conscientização da enfermidade que engloba mais de 100 tipos de doenças

Embora o câncer seja bastante lembrado nos meses de outubro e novembro, em razão das campanhas Outubro Rosa e Novembro Azul, responsáveis por alertar a população para a conscientização do câncer de mama e de próstata, respectivamente, o Dia Mundial do Câncer, em 4 de fevereiro, é uma data criada com o intuito de disseminar informações sobre a prevenção do tumor maligno, que abrange mais de 100 diferentes tipos de doenças.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a data em que é lembrado o Dia Mundial do Câncer visa educar a sociedade sobre a doença, causadora da morte de atualmente 7,6 milhões de pessoas no planeta a cada ano. Em que destas, 4 milhões possuem a faixa etária entre 30 e 69 anos. Além disso, tem como objetivo influenciar os governos a respeito do controle do câncer evitando, assim, milhões de óbitos anualmente.

Este tema ainda é debatido em outras datas, como no Dia Mundial do Combate ao Câncer, em 8 de abril, e no Dia Nacional de Combate ao Câncer, em 27 de novembro.

Para o radio-oncologista, Ramon Pithon Gatto, a data deve mobilizar e inspirar a população. “Essa data é interessante para divulgação. No qual, deveria ser sempre, contínuo, mas de qualquer forma serve como divulgação e disseminação da informação”, aponta, em entrevista ao Portal A TARDE.

Tema da campanha de 2019 a 2021, o slogan “Eu sou e eu vou” chama atenção para o compromisso pessoal com a saúde, prevenção e tratamento do câncer, pois segundo o Inca, o diagnóstico precoce aumenta em 80% a chance de cura. “Os programas de rastreamento de câncer não são programas preventivos, eles são para rastrear e detectar mais cedo”, explica o radiologista.

Segundo um estudo publicado no final de 2020, pelo The British Medical Journal, a cada quatro semanas de atraso no tratamento do câncer, o risco de morte aumenta até 13%. “Realmente esta é uma dura realidade. Existem dois pontos de atenção em relação ao fator ‘tempo’: o momento do diagnóstico e o intervalo entre o diagnóstico e o tratamento oncológico. No primeiro item podemos atuar em ações que favoreçam o diagnóstico precoce, como as campanhas de prevenção e realização de exames. Já em relação ao tempo até o tratamento, podemos atuar na otimização do fluxo do paciente de modo a agilizar os exames e programação de cirurgias, quimioterapia e radioterapia”, comenta o cirurgião oncológico, especializado no Inca, Emerson Prisco.

“O tratamento oncológico visa cuidar e confortar pacientes, familiares e amigos envolvidos durante todas as fases da doença. Óbvio que o maior objetivo é a cura, o que é possível em grande parte dos casos, mas ainda que não seja viável, podemos tentar oferecer qualidade de vida e dignidade aos pacientes portadores da doença”, cita Prisco.

Atualmente existem novas abordagens no tratamento oncológico, nas quais incluem práticas inovadoras para a retirada de diferentes tumores. “As inovações tecnológicas vêm para somar, facilitar e otimizar os resultados do tratamento e a qualidade do serviço prestado”, comenta o oncologista.

O câncer, ainda que englobe mais de 100 doenças, possui algo em comum – o crescimento desordenado das células que invadem os tecidos e órgãos. Ao dividirem-se de maneira rápida, estas células tendem a ser muito agressivas e incontroláveis, determinando a formação de tumores, que podem, consequentemente, espalhar-se para outras regiões do corpo.

As distinções sobre algumas características são: a velocidade de multiplicação das células, bem como a capacidade de invadir tecidos e órgãos vizinhos ou distantes, conhecida como metástase.

Sem obter uma única causa, há diversos motivos para o câncer, entre eles os externos (presentes no meio ambiente), associados a entre 80% e 90% dos casos, de acordo com o Inca, e os internos (como hormônios, condições imunológicas e mutações genéticas), que são ligados a capacidade do organismo de se defender das agressões externas.

Logo, os fatores podem interagir de diversas formas, dando início a enfermidade. Quanto aos casos de câncer que se devem exclusivamente a fatores hereditários, familiares e étnicos, pesquisas do Inca apontam que são casos raros, embora o fator genético seja importante na formação dos tumores.

Entre os sintomas mais comuns para todos os tipos de câncer, de acordo com o radio-oncologista, Ramon Gatto, pode ser destacada a perda de peso não intencional.

“O câncer escolheu a pessoa errada”

A jovem Drielle Menezes Sena, 25 anos, foi surpreendida com o diagnóstico da leucemia em abril de 2018 e com o câncer de pulmão em maio de 2019, o que gerou uma mudança em sua vida, mas que, ainda sim, tem sido “o maior aprendizado [da sua vida]. Amadureci uns 10 anos em 2”, ressalta. Segundo ela, os sintomas já haviam surgido há cerca de três ou quatro meses prévios, mas ela não deu a devida importância aos sinais. “Comecei a apresentar sangramento gengival, hematomas nas pernas, uma sonolência fora do comum – já eram sintomas da leucemia e ainda assim não havia procurado um médico”, relata.

Dois meses após, ela obteve uma forte gripe, que durou mais de um mês, e que sem a realização de exames, os médicos tratavam o caso como pneumonia, mas a cura não chegava. “Era uma tosse seca, uma dor insuportável no tórax e por último o que me fez procurar a emergência foi a falta de ar. A partir disso, começou os exames de imagem, biópsia, mielograma, até o diagnóstico”, diz.

Sendo a primeira pessoa na família a ser diagnosticada com o tumor maligno, atualmente em suas redes sociais, Drielle é conhecida pelo seu lema “O câncer escolheu a pessoa errada” e sua hashtag #TodosPorDri.

“Quero que minha história chegue para muito mais pessoas. Meus seguidores são anjos que Deus enviou para que essa jornada fosse mais leve. Nem gosto de falar seguidores, eles são meus amigos”, cita ela, que compartilha seus altos e baixos nessa fase de tratamento com os seus seguidores – ou melhor, amigos, em seu perfil no Instagram, onde consegue chamar atenção das pessoas para compreender sobre o câncer, visto que, ela mesmo conta que “antes da doença não tinha muita atenção em relação ao câncer”, declara.

“E a cada notícia do tratamento é uma luta maior a ser vencida. No começo é desesperador, surgem vários questionamentos, parece que Deus está em silêncio e com os braços cruzados, choro, fico triste, insegura e frágil. Mas logo vem a calmaria, a certeza de que Deus não é homem para mentir, levanto com mais vontade de vencer, com a fé fortalecida”, disse a jovem, sobre a sua luta pelo tratamento, em um dos seus posts em seu perfil no Instagram.

Em seu relato, ela afirma que o diagnóstico gerou uma mudança de hábito até mesmo nos familiares. “Alguns familiares se atentaram a cuidar mais da saúde, fazer exames periódicos e ter práticas saudáveis”.

Uma parte da luta pela cura encontra-se no apoio psicológico fornecido ao paciente para lidar com os desafios do tratamento médico. “Para enfrentar essa fase tão dolorosa e difícil precisei ter um motivo para tirar forças e enfrentar, minha mãe é o meu maior motivo. Além de alguns familiares de sangue e outros que a vida me presenteou”, destacou, mas ressaltando que, no entanto, o apoio emocional, ainda sim, vem mais das pessoas de “fora”, do que da família.

Entre as medicações necessárias, três das que ela necessita tomar não são disponibilizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Após entrar com ações judiciais, o Estado afirmou que são medicamentos experimentais, apesar de surtir efeito positivo em Drielle. Com isso, ela passou a vender caixinhas personalizadas com sabonetes. Anteriormente ao diagnóstico, ela trabalhava como autônoma, vendendo bolsas, tênis, sandálias, perfumes e afins.

“Lembro que estávamos no quarto da casa que morávamos, eu estava cansando muito, afônica e não tínhamos o valor total da medicação que eu precisava, só tínhamos R$200,00. Na esquina da rua tinha uma loja que vendia sabonetes. Minha mãe teve a ideia de montar um molde de caixinha, colocar dois sabonetes dentro e vender por R$10,00”, explicou Sena, que agora também trabalha com a venda de t-shirts e faz rifas.

Em sua rede social, ela compartilha uma vakinha online, feita inicialmente por uma amiga, no qual a meta é de R$ 30.000,00 para custear o seu tratamento. A vakinha está disponível neste site.

“Se cuidem, visite regularmente o médico, tenha hábitos saudáveis, saúde é nosso bem precioso”, enfatiza Drielle.

O radiologista Ramon Pithon Gatto, por sua vez, salienta: “Cura é bastante factivo”, logo, apesar do câncer ser uma enfermidade que afeta indivíduos de todos os níveis socioeconômicos, é possível prevenir até 30% dos casos de câncer por meio de estratégias adequadas, de acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

“O câncer é uma doença muito estigmatizada, se tem uma carga emocional muito grande relacionado a isso. Qualquer diagnóstico de câncer assusta muito as pessoas e os familiares”, alerta o radiologista, que complementa citando que muitas pessoas, mesmo que com condições e acesso aos sistemas de saúde, demoram a procurar um médico por uma questão de negação, sendo “casos relativamente frequentes”.

No ano de 2020, muitas pessoas aproveitaram para olhar com maior ênfase e cuidado para a sua saúde. “Acredito que 2020 foi um ano em que aprendemos muitas coisas, entre elas o valor da vida e das relações entre os seres humanos. Acho que foi um choque de realidade, mas que vai deixar como saldo um mundo melhor, onde as pessoas se importam mais umas com as outras e valorizam mais a saúde e os bons momentos”, salienta o cirurgião oncológico.

Tipos de câncer

Segundo Ramon Pithon Gatto, entre os tipos de câncer mais comuns estão nas mulheres, o de mama, colorretal, pulmão e colo uterino e já nos homens, são de próstata, pulmão e colorretal.

O tratamento, por sua vez, depende de cada tipo do tumor, de que órgão foi acometido e do estágio da doença. “O tratamento pode variar muito, pode ser só com cirurgia ou só com radioterapia, só com quimioterapia, ou até mesmo uma combinação destes”, afirma o radiologista.

Para o triênio 2020-2022, o Inca aponta que os tipos mais incidentes de cânceres no Brasil serão: os de pele não melanoma, mama, próstata, cólon e reto, pulmão e estômago.

Segundo a Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde, a previsão para 2025 é de que 6 milhões de mortes prematuras ocorram por ano. Além disso, estima-se que 1,5 milhão de mortes anuais poderiam ser evitadas com medidas adequadas.

Câncer de mama

No mês de outubro, diversas ações gratuitas incentivam o exame de mamografia, que é imprescindível para rastrear o surgimento da doença causada devido à multiplicação desordenada de células da mama, que geram células anormais, no qual ao se multiplicarem, forma um tumor. De acordo com o Inca, estimam-se 66.280 novos casos de câncer de mama para cada ano do triênio 2020-2022.

“Durante a campanha, a gente que trabalha na área percebe o aumento de frequência de realizações de exames. Mas não pode ser apenas essa campanha uma vez por ano, na verdade, o programa deve ser realizado ao longo do ano todo. Porém, o que se percebe é a dificuldade da mulher em conseguir uma consulta com o ginecologista e a realização da mamografia”, afirma Gatto.

Como existem diversos tipos de câncer de mama, a doença pode evoluir de formas diferentes, bem como se desenvolverem de maneiras diferentes. É válido ressaltar que o câncer de mama é o tipo que mais mata mulheres em todo o mundo, e é o segundo tumor mais comum entre as mulheres, atrás apenas para o câncer de pele, além disso, acomete também, mesmo que raramente, os homens, representando 1% do total de casos da doença.

Dentre os sinais e sintomas do câncer de mama, estão: inchaço de toda ou parte de uma mama, nódulo único endurecido, irritação ou abaulamento de uma parte da mama, dor na mama ou mamilo, inversão do mamilo, vermelhidão e inchaço na pele, espessamento ou retração da pele ou do mamilo, secreção sanguinolenta ou serosa pelos mamilos e linfonodos aumentados.

Antes dos 35 anos, a sua ocorrência é rara. E quando diagnosticado na fase inicial da doença, as chances de cura do câncer de mama chegam a até 95%, de acordo com o Inca.

Câncer de próstata

No caso do câncer de próstata, ele é o segundo mais comum entre os homens, ficando atrás apenas do câncer de pele não-melanoma, segundo o Inca. Ele é considerado, inclusive, um câncer da terceira idade, já que aproximadamente 75% dos casos no mundo ocorrem a partir dos 65 anos.

Enquanto que alguns desses tumores podem crescer de forma rápida, no entanto, a maioria cresce de forma lenta, isto é, levando cerca de 15 anos para atingir 1 cm³.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), 2/3 dos homens que procuram um urologista ou são agendados pelas mulheres ou são acompanhados por elas, ou seja, muitos homens acabam deixando a própria saúde de lado.

“Esses dados revelam um problema principalmente nacional, da falta de conscientização dos homens sobre o rastreamento do câncer de próstata. Pode ser englobada até pela falta de conscientização com o cuidado de saúde (…) Os homens, pela nossa cultura, têm uma resistência muito grande de ir ao médico, em geral e, inclusive, no urologista ou clínico, para fazer o rastreamento do câncer de próstata, que é feito principalmente pelo exame físico, que é o de toque e também com o PSA”, explica o radiologista Ramon Pithon Gatto.

Na fase inicial, a evolução do câncer é silenciosa e muitos pacientes não apresentam nenhum sintoma, mas quando apresentam são semelhantes aos do crescimento benigno da próstata, como exemplo da dificuldade de urinar, necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou a noite. Enquanto que na fase avançada, pode provocar dor óssea, sintomas urinários ou, até mesmo, infecção generalizada ou insuficiência renal.

Câncer colorretal

O câncer de intestino, também conhecido como câncer de cólon e reto ou colorretal, é considerado, na maioria dos casos, tratável e curável, ao ser detectado de maneira precoce.

Ele é um tumor maligno que se desenvolve no intestino grosso, isto é, no cólon ou em sua porção final, o reto. E em 90% dos casos, esse tumor se origina a partir de um pólipo adenomatoso que, ao longo dos anos, sofre alterações progressivas em suas células.

O tratamento, por exames como colonoscopias, é a principal forma de prevenção do câncer colorretal, para detecção o e retiradas dos pólipos antes de se degenerarem em câncer.

Segundo dados do INCA, o câncer colorretal é o terceiro mais frequente entre os homens e o segundo mais incidente nas mulheres, atrás apenas do câncer de mama.

Alguns sintomas frequentes são: diarreia ou constipação, presença de sangue nas fezes, cansaço e fadiga, dor abdominal tipo cólica, sensação de inchaço abdominal, perda de peso sem motivo específico e etc.

Câncer de pulmão

Sendo um tipo de câncer comum entre homens e mulheres no Brasil, segundo o Inca, o desenvolvimento do câncer de pulmão pode ter como contribuinte os seguintes fatores de risco: o tabagismo e a exposição passiva ao tabaco.

Pessoas entre 50 e 70 anos são as mais afetadas. Os sintomas mais comuns são a tosse persistente, dor no peito, falta de ar, escarro com sangue, rouquidão, pneumonia recorrente ou bronquite, dor no peito, cansaço, dentre outros.

O tumor maligno é caracterizado pela quebra dos mecanismos celulares naturais do pulmão, a partir de estímulos carcinogênicos ao longo dos anos, induzindo ao crescimento, de maneira desordenada, de células malignas.

O câncer de pulmão é um dos mais comuns de todos os tumores malignos, afetando desde a traqueia até a periferia do pulmão. Há dois tipos principais de câncer de pulmão. Um deles é o câncer de pulmão de células pequenas, que representam de 10 a 15% dos casos, e crescem rapidamente, costumando migrar para órgãos distantes do pulmão. Já o outro é o câncer de pulmão de células não pequenas, que representam 80 a 85% dos casos e está dividido em três subtipos, sendo o mais comum o adenocarcinoma, que tende a crescer mais lentamente.

Câncer de colo uterino

O câncer do colo do útero, também conhecido de câncer cervical, é uma lesão invasiva intrauterina ocasionada principalmente pelo HPV. Sendo uma doença demorada, pode levar de 10 a 20 anos para o seu desenvolvimento.

O tumor maligno tem um desenvolvimento lento, que pode não apresentar sintomas em fase inicial, embora em alguns casos sejam perceptíveis o corrimento vaginal amarelado com odor desagradável, sangramentos menstruais irregulares, sangramento após a relação sexual e dores na região do baixo ventre. Mas que, nos casos mais avançados, pode evoluir para um sangramento vaginal – no qual, vai e volta, dores pélvicas de forte intensidade, anemia, dores em região lombar, alterações miccionais e no hábito intestinal.

Em relação a enfermidade, conforme especialistas, a endometriose e a genética não possuem relação com o surgimento deste tipo de câncer. Além disso, ele afeta, em sua maioria, mulheres entre 40 e 60 anos de idade.

A principal forma de prevenção contra o HPV é o uso de preservativo nas relações sexuais. Além disso, a vacina contra o vírus é distribuída gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para mulheres de nove a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos; pessoas com HIV e pessoas transplantadas com idade entre nove a 26 anos.

Outros fatores de risco, além da infecção pelo vírus HPV são: atividade sexual com múltiplos parceiros; atividade sexual sem proteção; tabagismo; más condições de higiene; ser portadora do vírus HIV; infecção por clamídia; obesidade, dentre outros.

Câncer de pele não melanoma

O câncer de pele não melanoma, corresponde a cerca de 30% de todos os tumores malignos registrados no país, de acordo com o Inca. No entanto, ao ser diagnosticado precocemente, tem altos índices de cura e é o mais comum em pessoas com mais de 40 anos.

As pessoas mais atingidas são as de pele clara, sensíveis à ação dos raios solares, com história pessoal ou familiar deste câncer ou com doenças cutâneas prévias. E os sintomas mais comuns são as manchas na pele que coçam, ardem, descamam ou sangram e as feridas que não cicatrizam em até quatro semanas.

Os dois principais tipos de câncer não melanoma são o carcinoma basocelular, que se caracteriza por uma lesão e apresenta evolução lenta e, também, o carcinoma epidermoide, que também surge por meio de uma ferida ou sobre uma cicatriz, principalmente em razão de queimadura.

Há uma diferença entre os cânceres de pele não melanoma e os melanomas. Os não melanoma estão associados a exposição crônica ao sol, em pessoas com mais de 50 anos e de pele e olhos claros. Já o melanoma é menos frequente, mas com maior índice de mortalidade. Neste, surge como uma pinta escura ou sobre uma pinta ou sinal pré-existente que pode crescer, mudar de cor ou apresentar sangramento.

Dicas para prevenção

Entre algumas ações que podem ser feitas para prevenir o câncer, de acordo com especialistas, estão: não fumar, adotar alimentação e práticas saudáveis, manter o peso corporal adequado, realizar exames preventivos, efetivar as vacinações – contra a hepatite B, e no caso de meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos contra o HPV, evitar bebidas alcoólicas, carnes processadas e exposição ao sol das 10h às 16h, assim como evitar a exposição a agentes cancerígenos no ambiente de trabalho.

Na busca pela realização de exames preventivos, o radiologista acredita que é um fator que está mais interligado com “o gênero, o grau de escolaridade e o acesso ao Sistema de Saúde público e privado”.

Visibilidade governamental

Antigamente, falar sobre um câncer já foi visto como um tabu. No entanto, com o avanço da medicina e com a grande possibilidade de cura acerca da doença, é importante o engajamento social e governamental em torno da temática, incentivando a conscientização.

“No Brasil, conseguimos oferecer uma medicina de ponta em muitos serviços do setor privado, inclusive na Bahia atuamos em alto nível técnico com excelente resolutividade. Porém, na esfera pública os recursos ainda são muito limitados comparados ao tamanho do problema, ainda temos muito a evoluir”, afirma o oncologista Emerson Prisco.

Já Dirielle constesta: “A saúde de modo geral precisa ter mais visibilidade por parte do governo. O câncer não é algo que deveria ser abordado apenas em campanhas como Outubro Rosa e Novembro azul (apesar de serem campanhas extremamente importantes). Deveria existir algum programa que abordasse assuntos referentes ao câncer o ano inteiro. Além disso o governo deveria olhar mais para os pacientes oncológicos que dependem de medicações que tem valores altíssimos e a família não tem condições de comprar”,

Dados do Inca afirmam que, atualmente, 7,6 milhões de pessoas no planeta morrem em decorrência da doença a cada ano. “O número de mortes por câncer é muito alto. No Brasil, o câncer está em segundo ou terceiro lugar em causas de mortes. Então, o debate sobre esses assuntos e a divulgação é importantíssimo”, afirma o radiologista Ramon Pithon Gatto.

Câncer – Covid-19

O Instituto Oncoguia aponta que exames para detecção precoce e confirmação da doença tiveram queda vertiginosa em 2020, inclusive, as biópsias, em razão do medo de pegar a Covid-19 e dos pacientes diagnosticados com coronavírus acabarem “competindo” por atendimento médico.

Em relação a isso, o oncologista Ramon Pithon Gatto ressalta: “Mesmo Com a pandemia do Covid-19 as outras doenças continuam a ocorrer de modo habitual, de modo que a dificuldade de acesso aos hospitais, clínicas e exames acabam causando um retardo no diagnóstico e tratamento do câncer, que é também uma doença fatal. Temos percebido com muita frequência casos de câncer avançados que não tiveram assistência adequada durante o último ano e poderiam ter sido tratados antes com possibilidade de cura”.

A Tarde

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