Bahia lidera o número de homicídios contra as mulheres, diz estudo

Segundo os dados da Rede de Observatórios de Segurança, que serão divulgados nesta quinta-feira (4), foram registrados 111 casos de assassinatos do sexo feminino na Bahia – isso não inclui os feminicídios. O número supera os dados de outros estados que fazem parte da Rede, que é uma iniciativa de instituições acadêmicas e da sociedade civil dedicada a acompanhar políticas públicas de segurança e a criminalidade em seus estados – além da Bahia, Ceará (91), Pernambuco (62), Rio de Janeiro (34) e São Paulo (dado não informado) fazem parte do levantamento.

A Rede monitorou 18 mil eventos relacionados à violência e à segurança pública divididos em 16 categorias em 2020. Foram seis mil casos a mais do que no ano anterior. Esses registros foram feitos com base no monitoramento diário de mídias dos estados em que a instituição atua. As pesquisadoras produziram dados inéditos sobre o que circula nos meios de comunicação e nas redes sociais sobre violência e segurança. Todos os dias, elas monitoram dezenas de veículos de imprensa, coletando informações, e alimentam um banco de dados que posteriormente é revisado e consolidado.

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“A pesquisa é um recorte da realidade da segurança pública. Em muitos casos monitorados é difícil obter as informações completas sobre os crimes. Quando os detalhes não foram informados pela mídia, ou não foram identificados pela polícia por ocasião da sua comunicação, ou quando não há maiores informações sobre a vítima, pessoa suspeita ou motivação, catalogamos o fato como homicídio, ou seja, pode haver subnotificação de casos de feminicídio por falta de elementos para que a classificação seja feita como tal”, declarou a pesquisadora da Iniciativa Negra na Rede de Observatórios da Segurança, Luciene Santana.

De acordo com a Rede, o número de feminicídios levantados em 2020 foi de 70 – o mesmo quantitativo de setembro, último dado disponibilizado pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) sobre mortes de mulheres na Bahia. “E a gente acredita que possa haver subnotificação desses casos de feminicídios. Isso porque utilizamos a metodologia própria. Isso quer dizer que há mais casos, porque eles (SSP) usam como parâmetros os boletins de ocorrências. Por exemplo, uma mulher que é encontrada morta no porta-malas de um carro é classificado como homicídio. Mas, durante uma investigação, pode ser considerado um feminicídio a depender das circunstâncias”, disse Luciene.

Mais números
No total, são 289 casos de feminicídio e violências contra a mulher no estado. Além dos 70 registros de feminicídios e os 111 de homicídios, foram encontrados 80 casos de tentativa de feminicídio/agressão física, 26 de violência sexual/estupro, e dois casos de bala perdida no estado. O Brasil registrou, ao todo, 1.823 ocorrências de feminicídio e violências contra a mulher. A Bahia ficou em terceiro lugar neste ranking e em primeiro na região Nordeste  – São Pulo (731), Rio de Janeiro (318), Pernambuco (286) e Ceará (199).

O relatório da Rede diz ainda que a motivação para os crimes são as brigas, represálias e conflitos. “A grande maioria dos casos aconteceu onde, na verdade, era para a mulher estar em segurança, acolhida, o âmbito familiar. Hoje em dia, o lar não é mais seguro para a mulher, porque a violência é praticada pelos maridos, companheiros e namorados”, pontuou a pesquisadora.

O documento pontuou que o mês de maio foi o mais violento para as mulheres na Bahia. Foram registrados 11 feminicídios. “A gente não tem uma explicação específica, mas acreditamos que esteja relacionada com o início das medidas de segurança da pandemia, quando os casais passaram a conviver mais tempo em casa”, avaliou Luciene.

Correio da Bahia